Apresentação
Fale Conosco
Veja Também:
Capítulo LXXXVI FOGO NA TERRA Quando chegou o dia de Pentecostes, Jerusalém se viu inundada de milhares de peregrinos que vinham com seus ramos nos braços oferecer as primícias do trigo e da cevada no Templo do Deus de Israel e celebrar, como em todos os verões, a festa da nova colheita... Pelas ruas da cidade de Davi, se apertavam homens e camelos, caravanas inteiras de conterrâneos vindos da Judéia e da Galiléia, forasteiros de todas as províncias do império: partos, medos e elamintas, gente da Mesopotâmia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia, da Panfília e até do distante Egito e romanos, árabes e cretenses, judeus e pagãos, todos subiam a Jerusalém e faziam ressoar dentro de seus muros as vozes e as canções de mil línguas diferentes...Naquele dia, à primeira hora da manhã, enquanto conversávamos no andar de cima de sua casa, chegou Marcos, o amigo de Pedro, quase sem fôlego... Marcos: Ei, todos aqui!... Aqui, depressa!... Pedro: Que diabos está acontecendo, Marcos? Vamos, fale! Marcos: Más notícias, companheiros. O gordo Caifás e a corja do Sinédrio estão mais furiosos que os demônios do sheol! E a coisa é com a gente! Pedro: Bah, se é só isso...! Marcos: Ficaram sabendo que vocês estão na cidade há alguns dias e andam espalhando que Jesus ressuscitou! E eles dizem que o que vocês estão querendo é agitar o povo... Pedro: Que digam o que quiserem, Marcos... O que nos importa? Marcos: E que ordenaram aos guardas para metê-los na cadeia...! Pedro: Isso não importa... Marcos: E que estão vindo agora mesmo para cá para prender vocês...! Pedro: Então... então isso importa! Mateus, André, Natanael, epa, companheiros, temos que mandar daqui! Estão procurando a gente! João: Pois que nos encontrem! Vamos esperá-los aqui, Pedro! Pedro: Espere você, João. Eu estou indo. Felipe: E eu também. João: Covardes! É isso mesmo que vocês são, uns ratos covardes! Pedro: Está bem, pode dizer o que quiser... Mas eu prefiro ser um rato vivo que um leão morto. Vamos, avisem as mulheres e andando! Maria: Mas que confusão é esta? O que está acontecendo por aqui, posso saber...? Pedro: Por enquanto nada, Maria, mas vai acontecer logo... Tomé: Marcos, você tem cer..cer..certeza sobre essa história dos guardas? Marcos: Claro que sim,Tomé. Foi o Nicomedes que me disse. Pedro: Que Nicomedes? Você quer dizer Nicodemos... Marcos: Sim, esse mesmo, é que nesse sufoco acabo enrolando a língua. Esse magistrado é de confiança, não? João: Vai ver isso é só história para meter medo na gente! Tomé: Pois então eles já con...con...conseguiram... Pedro: Seja o que for, vamos logo, antes que cheguem e nos peguem mastigando tâmaras. Vamos, Maria, mexa-se, faça alguma coisa... Maria! Em que está pensando? Maria: Estou pensando no que Jesus faria se estivesse aqui conosco. Felipe: Eu não sei o que ele faria, mas o que eu vou fazer....! Madalena: Pois eu sei o que o moreno faria! Jesus nunca deu um passo para trás. Mas nós andamos como caranguejos, caramba! Salomé: E eu digo o mesmo que a madalena, porque se nós... Pedro: Bom, bom, o que vocês quiserem dizer que o digam pelo caminho! Agora não é momento de falar, mas brincar de esconde-esconde e sumirmos daqui! Vamos, Tiago! Madalena: Vão vocês se quiserem! Maria e eu vamos ficar, não é, dona Maria? Maria: Claro que sim, menina, era só o que faltava... Salomé: Pois eu também fico! Na família de Zebedeu, temos sangue nas veias e não água doce! Felipe: Mas, escutem aqui, mulheres malucas, vocês não ouviram que os guardas estão chegando? Madalena: Pois pode vir até o rei de Roma, e daí?... Vão, vão vocês!... Nós ficamos. Pedro: Mas, o que é isso?... Estão loucas?... Ficar para fazer o que? Madalena: Vejam só esse aí!... Diga você, Pedro, para que viemos a Jerusalém então? Para dançar na festa? Não combinamos que tínhamos que revolucionar a capital e juntar todos os pobres daqui? Não dissemos que era preciso apontar o dedo a todos os sem-vergonhas que vêm partindo nossas espinhas: Felipe: Jesus começou esse plano e já se vê que vocês já largaram mão dele! Madalena: Mas mais forte que a deles foi a mão de Deus, Felipe! Ou então, para que Deus tirou Jesus dentre os mortos, heim, diga lá, cabeção? Para ganhar aplauso?... Ou foi para que continuássemos lutando como ele e não tivéssemos medo da morte? Salomé: Bem falado, madalena! A você deveria ser dada a espada de Judite, menina! Pedro: Bom, bom, vamos por partes... O que então vocês propõem, mulheres escandalosas? Salomé: Para começar, ficarmos calados, Pedro, e não deixar que o medo nos sufoque. Pedro: O que você acha, Maria? Todos nós voltamos nossos olhos para a mãe de Jesus... Maria: Não sei, Pedro, quando as coisas ficavam difíceis, Jesus dizia para rezarmos um pouco, lembram-se?... Por que não pedirmos a Deus que nos ilumine o juízo para sabermos o que fazer e o que não fazer...? Salomé: Isso mesmo, Maria, quem se agarra a Deus não escorrega. Maria: Vamos pedir-lhe que nos empurre adiante como fez com nossos avós lá no Egito, porque eles também sentiram medo dos guardas do faraó que foram atrás deles e os encurralaram junto ao mar... Mas, lembrem-se então que foi aí que Deus soprou e lhes abriu um caminho pelo meio da água... Os onze do grupo estávamos ali. Matias, o amigo de Tomé, também que já fazia alguns dias havia se unido a nós. Estavam também as mulheres: a madalena, Susana e minha mãe Salomé. E, no meio de todos, Maria, a mãe de Jesus, de cócoras, como se sentam as camponesas de minha terra... Maria: Pai!... Ponha-te adiante de nós, abra-nos um caminho de liberdade, como fizeste com nossos avós quando sopraste um vento forte e eles puderam passar pelo Mar Vermelho... Ponha-te ao nosso lado, como quando ias naquela coluna de fogo, abrindo-lhes a caminhada... Vem conosco, Senhor... Se tu não vieres, não nos faça sair daqui... Se de verdade estás do nosso lado, dá-nos algo do teu Espírito, do Espírito que puseste em Jesus e que tenhamos a coragem dos profetas! Rezamos, do fundo de nossa covardia, com um grãozinho de fé diante de uma montanha de dificuldades. E o Deus de nossos pais, o que resgatou Jesus da morte, o que fortalece as mãos trêmulas, firma os joelhos vacilantes, nos encheu de seu poderoso alento... E desde aquela manhã, Deus pouco a pouco foi arrancando de nós o medo e nos deu, no devido tempo, a coragem necessária para a luta de cada dia... Pedro: Bem, companheiros... já chega de covardias, caramba... Não, não digo isso por ninguém, digo por mim mesmo... Sim, agora compreendo que foi bom que Jesus nos tenha deixado porque assim, temos que tomar as rédeas em nossas próprias mãos... O moreno nos pôs uma lâmpada nas mãos e não vamos escondê-la debaixo da mesa... É preciso colocá-la bem no alto, no candeeiro, para que todo mundo a veja... Ou não? João: Claro que sim, Pedro... E se deixarmos a pele pelo caminho, como Jesus, azar nosso! Outros virão atrás... E Deus saberá o que fazer para reclamar nosso sangue! Pedro: E então, o que estamos esperando? Não dizem que os guardas estão chegando? Pois que nos encontrem na rua! Que aquilo que falamos na penumbra, vamos agora dizer em plena luz do sol!... E o que ficamos cochichando vamos gritar sobre os telhados! Cheio de entusiasmo, Pedro abriu a porta e desceu de dois em dois os degraus da escadaria de pedra que dava para o quintal... Todos fomos atrás dele... A rua estava abarrotada de peregrinos naquele calorento dia de festa... Pedro: Bom, João, e agora, o que eu faço? João: Encomende-se a Moisés que era gago para que ele lhe solte a língua! Ânimo, atira-pedras! Então Pedro subiu em cima de um velho barril de azeite que estava junto à porta e dali começou a agitar fazendo sinais para as pessoas que iam e vinham pela rua... Pedro: Ei, amigos, conterrâneos, venham, corram, que temos uma boa notícia para vocês!... Escute, João, por onde eu começo? O que eu digo?... De repente me deu um branco total na cabeça! João: Não se assuste, Pedro... As palavras são como as abelhas, quando uma sai as outras vêm em fila atrás! Uma multidão começou a rodear-nos com curiosidade. Pedro, sobre o barril, suava a cântaros sem saber como começar e olhando para um e outro lado, para ver se os guardas estavam chegando... Um homem: O que acontece com você, galileu espaventoso? ... Vamos ver, o que você está rifando? Uma mulher: Vamos, desembucha logo! Homem: Esse sujeito está bêbado! Não estão vendo o nariz vermelho dele? Rá, rá, rá... Pedro: Não amigos, não estamos bêbados... e não estamos bêbados porque ainda são nove horas da manhã, e a esta hora nem o velho Noé se embebeda... O que acontece... o que acontece é outra coisa. O que acontece é que temos uma notícia para vocês... E a notícia é que chegou o Reino de Deus! Sim, amigos, sim, alguns de vocês vêm de longe e não sabem o que aconteceu nesta cidade faz apenas algumas semanas... Houve aqui um homem chamado Jesus... e creio que a maioria de vocês o conheceram, não é mesmo?... Bom, acontece que este Jesus, o de Nazaré, passou entre nós fazendo coisas boas e sobretudo lutando pela justiça. E também curou muitos enfermos, porque Deus estava com ele. E esse homem, que era mais reto que um remo, e mais profeta que todos os profetas juntos, foi preso pelos chefes daqui de Jerusalém, que armaram um julgamento à meia-noite e o condenaram à morte. Muitos de vocês o viram pendurado na cruz, não é verdade? Bom, pois esses canalhas pensaram que haviam ganho a partida. Mas Deus não estava de acordo, nada mesmo de acordo. Digam-me vocês, como Deus poderia permitir tamanha injustiça? Como Deus poderia suportar que os vermes comessem o melhor sujeito que pisou esta terra? Não, não permitiu!... E o que Deus fez foi tirar Jesus da tumba, o tirou vivo, mais vivo que antes, caramba, e o creditou diante do mundo todo. E eu não estou dizendo isso de alegre, digo porque eu vi. E todos estes que estão comigo também o viram! Nós, conterrâneos, somos testemunhas desta vitória de Deus. E dizemos a todos vocês, compatriotas e forasteiros, os de perto e os de longe, dizemos com a boca cheia que este Jesus que eles crucificaram foi colocado por Deus como Senhor e Messias, acima de todos os senhores deste mundo! As pessoas que se apinhavam a nosso redor começaram a aplaudir Pedro que discursava com tanta firmeza que por um momento me lembrou do próprio Jesus, quando ele falou lá na esplanada do Templo... Um homem: Escute, vizinha, quem é esse narigudo que explica tão bem? Uma mulher: Eu não o conheço muito bem, essa é a verdade, mas com certeza é galileu... não está ouvindo o sotaque? Homem: Estou achando que é dos zelotas... Uma velha: Não, homem, ele é um daqueles que andava sempre com profeta, para cima e para baixo com ele, da mesma forma como aqueles que estão ao seu lado... Mulher: Cale a boca, velha, deixe-me ouvir! Pedro: Amigos, escutem-me: os governantes e os grandes senhores da capital pensaram que este assunto de Jesus estava terminado. Pois, não, não terminou. E sabem por que? Por que eles continuam aí, os mesmos que mataram Jesus, os Herodes, os Caifazes, os Pilatos, continuam aí muito empertigados em seus palácios de mármore, sentados sobre os calabouços onde gritam de dor tantos compatriotas torturados; eles banqueteando-se e o povo passando fome. Não terminou porque eles continuam aí matando, roubando e abusando!... Mas Jesus também continua aqui conosco, encarando todos eles!... Eles estão vivos e Jesus está mais vivo que eles! Eles se riem de nós, os pobres, mas Deus rirá por último porque este assunto de Jesus não terminou!... Ao contrário, é agora que começa! Agora é que a coisa começa, conterrâneos! Porque agora não é mais um, mas uma dúzia... logo seremos doze dúzias! E isso ninguém vai deter! O Reino de Deus corre como faísca em trigo seco! E ninguém nos deterá, companheiros, ninguém! Homem: Muito bem, muito bem, galileu, é assim que se fala! Mulher: Dê duro neles, Pedro, duro neles! Pedro: Como estou indo, João? João: Muito bem, Pedro, mas não balance tanto, senão você vai cair do barril...! Marcos: Escute, atira-pedras, há muitos estrangeiros por aqui e não sei se estão entendendo muito bem isso aqui... Pedro: Amigos! Entre vocês há muitos forasteiros que vieram de outros países e falam outros idiomas. Não importa. Eu sei que todos estão me entendendo. Porque embora as línguas sejam diferentes, as tripas de todos falam o mesmo idioma da fome! E os calos das mãos são os mesmos e o pranto das mães de quem mataram os filhos é igual em todo lugar, e o grito de justiça dos pobres é o mesmo em todas as línguas! Não, aqui ninguém é estrangeiro! Viemos de muitos lugares diferentes, sim, mas vamos todos para uma mesma terra, e isso é o que importa, uma terra nova, sem fronteiras, sem desníveis, uma terra onde todos possamos viver! E para chegar a ela, precisamos nos juntar, unir nossos braços, mão com mão, ombro com ombro, punho com punho e pôr o Espírito de Deus na carne do povo! Cada vez se reunia mais gente para escutar Pedro... A rua ficou estreita, tanto que os guardas enviados pelos sumos sacerdotes e os magistrados do Sinédrio, quando chegaram e viram aquela multidão não puderam fazer nada contra nós... Naquela manhã de Pentecostes, os ouvidos de Jerusalém escutaram a boa notícia que hoje já conhecem tantos e tantos homens e mulheres em todo o mundo: que Jesus continua vivo, que o assunto do Reino de Deus segue adiante, que o fogo que Jesus veio pôr na terra não se apagou porque é Deus que sopra a chama e quer que tudo se abrase. A Festa de Pentecostes (penta = 50) é celebrada cinqüenta dias depois da Páscoa. Chama-se também a Festa da Colheita ou das Primícias (dos “Shavuot”), pois se oferecia a Deus os primeiros frutos da colheita já iniciada em todo o país. Ou a Festa das Semanas, porque se celebrava sete semanas depois da Páscoa. Era uma festa de grande alegria e de ação de graças pela nova colheita. Com a Páscoa e as Tendas, era uma das três festas em que os israelitas deviam peregrinar a Jerusalém. Os judeus continuam celebrando atualmente os “Shavuot”. Ao seu caráter, originalmente agrícola, uniram a celebração da Aliança do Sinai. Para a tradição cristã, aquele dia de Pentecostes marcou o começo da Igreja como comunidade de irmãos que se comprometem em continuar o caminho de Jesus. É também uma festa missionária: em pouco tempo, aqueles primeiros, impulsionados pelo Espírito de Jesus, levariam o evangelho por todo o mundo conhecido. Sem dúvida, naqueles dias da festa das Primícias, os discípulos, em conjunto devem ter experimentado uma força especial da presença de Jesus vivo no meio deles e, por sua vez, fizeram uma multidão de peregrinos presentes em Jerusalém experimentar essa presença. Muitos autores acreditam que é a esta experiência de Pentecostes que se refere Paulo quando fala de uma manifestação de Jesus ressuscitado “diante de mais de quinhentos irmãos reunidos” (1Cor 15,16). O espírito de Deus aparece já nas primeiras linhas da Bíblia (Gn 1, 2) pairando sobre as águas, de onde nasce toda a vida. A palavra em hebraico é “ruah”. É uma palavra do gênero feminino que significa literalmente “vento” e também “sopro”. Quando Deus cria o homem infunde nele este alento em suas narinas (Gn 2, 7). Quando Deus tira seu povo do Egito faz soprar com força este vento sobre os inimigos (Ex 10, 13 e 19). Sempre o Espírito aparece em relação com a vida. É o sopro pacífico ou turbulento de Deus que suscita a vida, a põe em movimento, a defende, a fecunda. Quando falta o Espírito, falta a vida (Salmo 104, 27-30). Nunca se diz na Bíblia que Deus seja “espírito” como contraposição a “matéria”. O que se diz é que Deus “tem” o Espírito, que é o mesmo que dizer que ele tem a vida, que ele a comunica. Uma vida que se manifesta tanto na carne, na matéria, como nos sentimentos, na inteligência, no pensamento, na criatividade... A mentalidade de Israel nunca se interessou por conceitos como “natureza” ou “pessoa” em relação com o Espírito. Falar do Espírito como a “terceira pessoa da natureza única de Deus” é típico de uma mentalidade grega, totalmente alheia ao pensamento israelita. O que interessava a Israel não era o que é o Espírito, mas que é sua atuação. E o que descobriu foi que este Espírito vai mais além das forças limitas do homem e o faz herói ou profeta num determinado momento (1Sam 10, 5-13) ou fica com ele, como foi o caso dos grandes profetas, dos líderes do povo, de Moisés, de Elias (2 Reis 2,9). A esperança de Israel era a de que o Espírito repousasse sobre o Messias (11, 1-9) e que isso trouxesse paz, felicidade, justiça, honradez, todos sinais da ação de vida que caracteriza o Espírito. O Espírito de Deus é capaz de criar um homem novo e isso é o que se pede nas antigas orações do povo (Salmo 51, 12-14). O Espírito fez com os discípulos de Jesus continuassem sua obra, capazes de dar a vida pela causa da justiça, como ele havia feito. Pôs na boca dos discípulos as palavras de Jesus, e os fez agir da mesma maneira. Ser cristão hoje, há vinte séculos de distância daquilo tudo, não é mais que continuar neste caminho sob a mesma inspiração, agir sob esse impulso, mover-se segundo este alento, este vento. O Espírito de Deus moveu Jesus e é esse mesmo Espírito, força e vida de Deus que continua vivo em nós, que nos faz capazes de arriscar a vida pelos demais, capazes de viver em comunidade, capazes de compartilhar os bens e a vida, capazes da oração comunitária, capazes de afrontar a morte com esperança. Tanto o vento como o fogo são símbolos da ação do Espírito de Deus. Tanto um quanto outro entram por qualquer vão, penetram por todas as partes, se expandem. Tanto um quanto o outro alivia (a brisa com sua frescura, o fogo com seu calor) e destroem (o furacão que arrasa, o fogo que devora). Tanto um quanto o outro manifestaram a ação de Deus na libertação do Êxodo: o vento que soprou sobre o Mar Vermelho abrindo um caminho de liberdade (Ex 14, 21) e a coluna de fogo que guiou os israelitas em suas noites pelo deserto (Ex 13, 21-22). Lucas, ao narrar a intervenção do Espírito no dia de Pentecostes usa esses mesmos símbolos: um vento intenso que ressoa na casa e as línguas de fogo sobre a comunidade reunida. No relato de Pentecostes cita numerosos povos estrangeiros que estavam naquela manhã em Jerusalém. São muitas as nações conhecidas então: Partos (povo famoso na doma de cavalos, do reino da Partia, situado no centro do atual Irã). Medos (do antigo reino da Media, destruído quinhentos anos antes de Jesus, situado ao norte do atual Irã). Elamitas (habitantes da região de Elam, onde se desenvolveu uma das primeiras culturas da terra, situado na atual fronteira do Irã e Iraque). Pessoas das províncias romanas da Mesopotâmia (região entre o Tigre e o Eufrates, onde nasceu a civilização assírio-babilônica, situada no atual Iraque). Da Judéia (região sul de Israel, onde estava Jerusalém). Da Capadócia (região montanhosa situada no centro da atual Turquia). Do Ponto (região às margens do Mar Negro, no norte da atual Turquia). Da Ásia Menor, pessoas da região da Frigia (zona de pastores de onde surgiu a lenda do famoso rei Midas, no centro da atual Turquia). Da Panfília (um pouco mais ao sul, também na atual Turquia). Habitantes do Egito (localizado no mesmo território de hoje). Da Líbia (também como na atualidade, ao norte da África). De Cirene (zona localizada na atual Líbia). De Roma (capital do Império e hoje capital da Itália). Cretenses (de Creta, ilha ao sul da Grécia). E árabes (habitantes do antigo reino nabateu, compreendido em parte da atual Jordânia e do atual Egito). De todos esses lugares acorriam a Jerusalém tanto judeus – de raça – como prosélitos – estrangeiros convertidos à religião de Israel. Em seu primeiro discurso à multidão de Jerusalém, Pedro resume o que foi a vida de Jesus e o que naqueles inícios da fé cristã era a essência do evangelho: Jesus foi morto injustamente, Deus o ressuscitou dentre os mortos e os discípulos se apresentam como testemunhas do ocorrido. Da ressurreição, os discípulos e, depois deles nós cristãos, tiramos a conclusão de que o triunfo final será da justiça e da vida. E com essa certeza que nos dá a fé, seguimos pelo mesmo caminho de Jesus. A causa de Jesus segue adiante sempre que se trabalha em favor da vida até as últimas conseqüências. (Atos 2, 1-41)
Capítulos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
XXII
XXIII
XXIV
XXV
XXVI
XXVII
XXVIII XXIX XXX XXXI XXXII XXXIII XXXIV XXXV XXXVI XXXVII XXXVIII XXXIX XL XLI XLII XLIII XLIV XLV XLVI XLVII XLVII XLIX L LI LII LIII LIV LV LVI LVII LVIII LIX LX LXI LXII LXIII LXIV LXV LXVI LXVII LXVIII LXIX LXX LXXI LXXII LXXIII LXXIV LXXV LXXVI LXXVII LXXVIII LXXIX LXXX LXXXI LXXXII LXXXIII LXXXIV LXXXV LXXXVI LXXXVII LXXXVIII