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Capítulo LXXVII SOBRE AS NUVENS DO CÉU Moça: Mas, não me diga, vizinha! Vizinha: Sim, sim, é bem isto que você está ouvindo: amanhã de manhã, Jesus de Nazaré aparecerá nesta encosta. O prodígio será bem ali! Nunca vi nada parecido: um morto vivo! Dizem que já faz quarenta dias que ele vem aparecendo aqui e ali e agora é quando irá subir ao céu! Moça: Ai, meu Deus, o que é que eu vou fazer com o almoço? Quem cuidará da minha casa? Vizinha: Esquece disso, menina! Por mim tanto faz se me roubarem ou queimaram as lentilhas, eu não vou perder uma coisa dessas nem pelo tesouro de Salomão! Vai lá, corra e avise a corcunda e o velho Nemésio e a minha comadre Talita... Avise todo mundo! Ninguém pode faltar! Moça: Fique tranqüila, vizinha, o bairro inteiro estará lá esta manhã! Vou convidar até o louco Martim! Não foi preciso avisar muito. A notícia de que Jesus iria aparecer junto ao lago de Tiberíades, na colina das Sete Fontes, correu mais rápida que uma lebre e, antes do sol se pôr, todos já estavam sabendo. Naquela noite ninguém dormiu em Cafarnaum... E quando os galos anunciaram o novo dia, homens e mulheres, velhos e crianças, todos saíram pela porta do Consolo e foram andando até à colina onde ocorreria o prodígio... Moça: Você nem imagina a minha emoção...! Veja, ponha a mão aqui... Está sentindo? Vizinha: Caramba, menina, seu coração está dando pinotes...! Moça: É que eu nunca vi uma coisa dessas, vizinha... Vizinha: Muito menos eu, minha filha. Imagine, eu já estou ficando velha e o maior milagre que eu vi foi quando meu marido se livrou de uns repuxos, assim de repente, mas fora isso... Moça: Antigamente sim aconteciam coisas grandes: o mar se partia em duas metades, o sol parava no meio do céu, as baleias engoliam gente, mas agora, é como se Deus tivesse ficado mais sovina... Uma velha: Não diga isso, mulher sem fé!... Deus é grande! E hoje vamos ver coisas maravilhosas! Eles o mataram em Jerusalém e ele aparece vivo na Galiléia! Bendito seja Deus! Moradora: E bendito quem que puder ver isso! Limpe as remelas, menina, que hoje você vai ser testemunha de algo inacreditável! Venha, vamos subir mais, para ficarmos mais perto! Como formigas atrás do doce, assim os moradores de Cafarnaum foram se juntando nas encostas verdes daquela colina onde Jesus, muitos meses antes, havia anunciado que Deus presenteava seu Reino a nós, os pobres, os famintos. O lago de Tiberíades, como um grande olho azul, começou a despertar com os primeiros raios de sol... Mas hoje não se viam as velas brancas dos pescadores cruzando as águas... As barcas estavam amarradas no cais e as redes, penduradas entre as palmeiras. Hoje ninguém trabalhava na cidade. Bartolo: E por onde ele vai chegar? Pelo oriente ou pelo ocidente? Um morador: Por cima, compadre! Como um figo maduro! Bartolo: Ele vai ver só o tamanho do tombo quando cair! Morador: Não seja idiota, Bartolo. Você nunca ouviu falar que os anjos subiam e desciam sobre a cabeça de Jacó e não lhes acontecia nada? Um velho: Mas eles tinham uma escada, amigo, isso é bem diferente! Morador: Pois Jesus também vai conseguir uma para descer, você não acha? Moradora: Jesus não tem que conseguir nada! Ou será que vocês não sabem que os santos e os anjos voam como pássaros? Velho: Ah, é? Pois Elias era santo e se não lhe mandassem o carro, não subiria! Velha: Irmão! Nada de carro nem de escada! Sabe como Jesus aparecerá? Sobre as nuvens do céu! A profecia diz: “Todo olho verá e todo ouvido ouvirá”. Todos: Amém, amém! Velha: “Em uma nuvem virá e em outra irá!” Todos: Amém, amém! Velho: Escute, vovó, e onde estará esta nuvem já que hoje o céu está mais limpo que o bolso de um pobre? Não havia uma só nuvem no horizonte. Azul como uma safira, o céu galileu se confundia com a água do lago... O sol, subindo desde as estepes de Galaad, brilhava radiante... Cleto: Diga uma coisa, Bartolo, você acredita nesta história de que penduraram Jesus o nazareno em uma cruz e depois ele saiu vivo da sepultura? Bartolo: Veja, compadre, que o mataram, o mataram, isso eu sei porque meu tio Miquéias estava na capital durante as festas e ele viu tudo com seus próprios olhos... Mas da outra parte não tenho muita certeza... Cleto: Quando se corta o rabo de uma lagartixa, ela continua se mexendo. Mas quando cortam a cabeça de alguém ou o pregam numa cruz, não se mexe mais. Moradora: Mas Pedro, André e os filhos de Zebedeu, dizem que o viram vivo. Que foi porque Deus ficou furioso com a sentença de Pôncio Pilatos e disse: “De jeito nenhum!” Então, ele se meteu na história e o tirou vivo da tumba, para dar um tapa em todos os sem-vergonhas que o mataram, entende? Cleto: Será que isso não só uma lorota de Pedro e dos outros, vizinha...? Moradora: Bom, eu não sei, isso é o que eles dizem, mas... Escute, onde será que esses malandros se meteram? Não vieram? Bartolo: Vieram, eu já vi o Felipe e o Tiago... estão por aí... E por aí andávamos, misturados com todos. Nunca soubemos quem começou com a história de que Jesus iria aparecer no monte. Mas, em todo caso, lá fomos os onze do grupo e também as mulheres... João: O que você acha de toda esta história, Pedro? Pedro: Não sei o que dizer, João... Tem algo estranho por aqui... João: As pessoas andam dizendo que Jesus virá desta vez para se despedir e que não o tornaremos a ver nunca mais. O que você acha? Será verdade? Pedro: O que eu acho é que há algo muito estranho nisto tudo. Porque veja, quando nós vimos o moreno nas outras vezes, como lhe direi, era diferente... Vendedor: Pasteizinhos, pasteizinhos! Deliciosos pastéis de mel com queijo! Quer provar um, conterrâneo? João: Agora não, meu velho, mais tarde... Pedro: Não sei, João... Era diferente... no mínimo, não havia pasteizinhos... Os vendedores, com suas cestas na cabeça ou puxando seus carroções apregoavam mil mercadorias entre a multidão cada vez mais numerosa... Nisso, uma nuvenzinha branca e peque, se formou no meio do céu... Velha: Lá em cima, lá em cima, olhem lá em cima! Lá vem ele!! Vários: Lá vem ele, lá vem ele!! Um menino: Quem está vindo, mamãe? Moradora: Cale a boca, ranhento e olhe para cima! Morador: Ei, menina, não empurre, eu cheguei primeiro! Todos levantamos as cabeças sem perder de vista a pequena nuvenzinha que ia avançando lentamente através do céu azul... Bartolo: Agora sim começará o Reino de Israel!! Moradora: E não era sem tempo, caramba! Desde que Abraão pôs as patas nesta terra, nós pobres estamos esperando que se faça justiça, e nada! Cleto: Acabou-se o que era doce para os de cima, porque Jesus está mais alto que eles! Olhe só como ele vem, trepado em uma nuvem! Moça: Agora ele se sentará no trono, e vai começar a reinar! Morador: E nós a seu lado, não se esqueça... A nuvenzinha, empurrada por uma frágil brisa do lago, foi se aproximando do sol... e se desmanchou como espuma... Todos: Ohhh...! Cleto: E agora, vovó? Velha: Não sejam impacientes, caramba! Esta era a nuvem mensageira!... É na de trás que vem o rei! Passou-se uma hora, e outra e outra mais... O sol, pendurado no meio do céu, nos esturricava a cabeça... Mas continuamos ali, sem nos mover, esperando... Logo depois... Velha: Lá em cima, lá em cima, olhem lá em cima. Está vindo! A velha Tilita tornou a levantar seu braço longo e nodoso como um galho de oliveira, apontando outra nuvem que cruzava o céu em nossa direção... Morador: Amarrem as cuecas, companheiros, que agora o Reino de Deus vem pra valer! Alguns velhos começaram a rezar... As mulheres apertavam emocionadas seus filhos contra o peito, esperando o grande momento... Olhando para cima, com a boca aberta, aquele mar de cabeças foi se inclinando de um lado para outro conforme a nuvem avançava empurrada pelo vento... Todos: Ohhh...! Mas a segunda nuvem teve a mesma sorte que a primeira. O ardente sol galileu a abrasou e o tapete azul do céu ficou outra vez completamente limpo... Velha: Não desanime, minha gente, Noé teve que esperar muito mais até que o dilúvio passasse! Cleto: Pois olhe, que um pouquinho de água até que não seria nada mal!... Que calor!!... Vejam só, minha carne está ficando mole... como cera derretida! Bartolo: Eu vou me refrescar um pouco no lago... volto já! Velha: Não vá muito longe! Tenha fé, minha gente, não se desesperem! Jesus virá logo, não demora! Martim: Lá em cima, lá em cima, olhem lá em cima! Ro, ro, ro! Morador: Que mosquito picou esse cara? Moça: É o louco Martim... Morador: Ei, você, seu bobo, o que está fazendo aqui? Caia fora, caia fora, que isto é para gente séria...! Onde já se viu vir zombar de Jesus, o Messias! Martim: Eu sou Jesus, eu!! Velha: Cale-se, atrevido!... Este tipos me dão raiva, sempre metidos onde não devem... Passou outro longo tempo... Os homens, suando em bicas, começaram a contar piadas para matar o tempo... As mulheres cobriam a cabeça com folhas de palmeira e se abanavam com os lenços... Cleto: Porcaria, não há quem agüente este calor! Puff...! Vendedor: Pasteizinhos, pasteizinhos! Delícia de pastel! Mel e queijo, queijo e mel! Menino: Mamãe, estou com fome, me dá um pastel! Moça: Um pescoção é o que vou lhe dar, moleque do diabo! Menino: Eu quero um pastelzinho! Moça: Fique quieto, caramba! Moradora: Não fique brava com o menino, senhora!... Ouça bem o que vou lhe dizer: as crianças como ele serão os primeiros a entrar no Reino do Céu porque Jesus disse bem claro que... Aii...! Bartolo: Ei, o que aconteceu com ela agora? Velho: O que poderia ter acontecido? Está tendo um siricutico! Morador: Um o quê...? Moça: Segurem-na, segurem-na...! Cleto: Estava fazendo um discurso sobre o Messias e, cataplum no chão... A coitada está grávida... Moça: Vamos abaná-la... Morador: Se de fato está grávida, como é que foi se meter num tumulto como esse? É uma imprudência... Velha: Imprudência coisa nenhuma!! Ela fez muito bem, porque até as crianças no seio de suas mães pedem a gritos para virem ver este prodígio! Cleto: Aqui o único prodígio é que nossos miolos ainda não derreteram!... Já está saindo fumaça da minha cabeça. Morador: E nem uma tâmara para enganar o estômago! Velho: Pode crer, conterrâneo, eu vim para cá sem comer nada e de pura fome está me dando uma tremedeira nas pernas que nem a Davi quando dançava diante da arca... Bartolo: Ei, companheiros, vamos embora! Aqui ninguém sobe nem desce! Velha: Não, não se vão! As coisas boas custam sacrifício, caramba! Além disso, se Jesus disse que viria, é porque virá! Bartolo: E se eu disse que iria, é porque vou! Velha: Lá está!!! Olhem por onde vem vindo! A velha levantou outra vez o braço para apontar uma nuvem redonda e espessa, como se fosse de algodão, que apareceu de repente sobre nossas cabeças... Morador: Agora sim! A terceira não vai falhar! Moradora: Uma salva de palmas, companheiros! Uma salva de palmas para o Messias que vem para governar o mundo! Todos: Viva! Vivaaa!!! Bartolo: Também não era... Velho: Bom, vão amolar outro, que eu estou caindo fora... Morador: E eu já estou com o pescoço torto como os gansos com tanto para cima e para baixo... Adeus a todos! Velha: Não entendo por que demorou tanto... Martim: Nem sobe, nem desce, nem ninguém trabalha! Moça: Dêem um tapa na boca desse maldito bobo! Cleto: Deixe o coitado, ele está dizendo a verdade... Bah, o dia todo perdido olhando para o céu e... para nada... Bartolo: E veja só que horas são... O sol já está indo embora... Venha, vamos sair daqui... As pessoas, cansadas e de cabeça baixa, começaram a descer a colina das Sete Fontes e a dispersar-se pelo bairro dos pescadores, pelo mercado, enchendo as ruas de Cafarnaum e regressando para suas casas, enquanto o sol se escondia novamente no Grande Mar, lá junto ao monte Carmelo... Quanto tempo nos custou compreender e fazer nossos conterrâneos compreenderem que não devíamos ficar olhando para cima, mas para o irmão que tínhamos ao nosso lado! Quanto tempo esquadrinhando o céu para ver Jesus chegar sobre as nuvens, sem nos dar conta de que, desde que Deus o levantou dentre os mortos, seu Espírito enche a terra, que onde dois ou três homens lutam, sobrem e esperam, ali está ele presente! Quanto tempo para compreender que aquele Jesus com quem nós havíamos comido e bebido, fora posto por Deus como Senhor do céu e da terra e, elevado agora acima de todos os senhores deste mundo, não havia ido embora. Ao contrário, ficava para sempre conosco, com o povo, todos os dias até o final dos tempos. Se considerarmos a ascensão de Jesus como a subida aos ares de um extraordinário “astronauta” num ato espetacular ou maravilhoso, ou como um deixar este mundo para ir para a direita do Pai, como um adeus, uma vez cumprida sua missão na terra, falsearíamos toda a teologia da ascensão. As manifestações de Jesus ressuscitado a seus discípulos e aos primeiros cristãos (é o caso da aparição a Paulo: 1 Cor 15, 8) foram acontecimentos de tipo totalmente diferente que ocorreram durante um longo espaço de tempo, provavelmente vários anos. No entanto, o livro dos Atos nos fala de aparições durante quarenta dias e diz que depois deste prazo Jesus “subiu ao céu”. O número quarenta é um número simbólico e assim aparece ao longo de toda a Bíblia. Quarenta anos equivalem a uma geração. Por isso se diz que o povo de Israel andou quarenta anos pelo deserto até chegar à Terra Prometida. Isto quer dizer que a peregrinação durou “uma geração”. O 40 indica também um período longo e típico. Por isso se diz de um reinado que durou quarenta anos para indicar que foi um reinado que deixou pegadas, que marcou uma etapa (2 Sm 5, 4). Ou também que um período de paz durou este tempo, quer dizer que foi uma época de plenitude. Dizer que Jesus ressuscitado se manifestou a seus discípulos durante quarenta dias quer dizer que aquele foi um período suficiente, completo. Um tempo marcado por características muito especiais. Que durante aquele tempo (nunca saberemos com exatidão qual foi sua duração) os discípulos daquela primeira geração cristã experimentaram Jesus vivo, sentiram de maneira única sua presença na comunidade. Sua fé se robusteceu com esta experiência e, a partir dela, toda sua vida mudou e se orientou para o seguimento do caminho de Jesus. A partir destes fatos, a fé cristã começou a espalhar-se por Israel e pelo mundo mediterrâneo. Nossa fé nos diz que Jesus continua vivo, que ficou conosco, que luta ao nosso lado. Precisamente esta presença de Jesus que enche o mundo com o seu Espírito, que orienta a história humana para um triunfo definitivo, é que quer dizer o “mistério” da ascensão. Os textos evangélicos, ao dar um marco narrativo ao acontecimento da ascensão de Jesus, não coincidem nos dados geográficos. Mateus situa o fato na Galiléia e Lucas em Jerusalém. Marcos não precisa nenhum lugar. Trata-se de algo totalmente secundário para a compreensão da teologia da ascensão, pois com ela não se está descrevendo um fato pontual, localizável. Depois da ressurreição, cumpre-se de forma plena o que Jesus havia dito à mulher samaritana: nem em Jerusalém, nem no Garizim nem em nenhum outro templo encontraremos Deus, pois ele está nos que vivem em espírito e em verdade (Jo 4, 21-24). Jesus ressuscitado, a quem Deus fez Senhor e Messias, nos abre o caminho para poder viver assim. Pois o Espírito Santo, que é o Espírito (Jesus Cristo = Jesus Messias), continua vivendo em nós e na comunidade, fazendo-nos livres, ensinando-nos a verdade (Jo 14, 15-17; 16, 12-14). O relato da ascensão está cheio de símbolos teológicos próprios empregados em outras manifestações que Deus fez ao longo de toda a Bíblia. Jesus sobe: sempre “no alto” está a região onde Deus vive. Que Jesus suba quer dizer, pois, que Deus elevou aquele camponês de Nazaré à dignidade de Senhor da história, para que se cumpra aquilo que ele mesmo disse: “quem se humilha será exaltado”. Uma nuvem o oculta aos olhos de seus discípulos. Ao longo de todo o AT a nuvem acompanha as manifestações de Deus: no Sinai, através do deserto... A nuvem é o carro de Deus, a sua tenda. O Messias virá sobre nuvens e o dia de Deus será um dia nublado. No evangelho, a nuvem aparece também na cena do Tabor. Este símbolo indica a transcendência de Jesus ressuscitado, no qual Deus se nos revela de forma definitiva. O último livro da Bíblia anuncia que Jesus voltará sobre as nuvens do céu quando chegar a hora do juízo (Ap. 1, 7). Também aparecem anjos no texto da ascensão. Na Bíblia, os anjos sempre são emissários de importantes mensagens de Deus. E a mensagem que trazem nesta ocasião aos discípulos, aos moradores de Cafarnaum, é de suma importância. Não há que ficar olhando para o céu, porque Deus não está nas alturas. Deus está onde Jesus estiver. E Jesus está onde sempre esteve em sua vida: entre os artesãos da paz, entre os que apostam a vida por seus irmãos. (Mt 28, 16-20; Mc 16, 19-20; Lc 24, 50-52; At 1, 3-11)
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