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Capítulo LXIII COM O CHICOTE NA MÃO Desde muito cedo, a grande esplanada do Templo de Jerusalém tinha se inundado de vendedores de vacas, cordeiros e pombos. Junto às colunas do pórtico de Salomão, os ambulantes colocaram seus carroções com amuletos e mil quinquilharias. Sobre as escadarias que davam para os átrios interiores, se postaram os cambistas de moedas. Ressoavam as maldições e as pechinchas e, no ar, como uma nuvem espessa, flutuava o cheiro de sangue dos animais degolados, misturado ao fedor do esterco e do suor rançoso dos milhares de peregrinos que abarrotavam a esplanada... Em meio àquela barafunda de gente e animais, entramos nós, forçando a Porta Dourada: uma avalanche de camponeses de Betânia, de forasteiros galileus, de homens e mulheres agitando com entusiasmo ramos de louro e de palmeira, já roucos de tanto gritar saudando o Messias, o Filho de Davi... Todos: Hosana hei, hosana há, justiça hoje, justiça já. Hosana hei, hosana há, justiça hoje, justiça já! Um homem: Viva o profeta de Nazaré! Todos: Viva!! Outro homem: Abaixo Caifás e toda a sua corja! Todos: Abaixo!! Jesus ia adiante, montado no jumento, espremido pela enorme multidão que enchia o átrio dos gentios... Jesus: Amigos de Jerusalém! Chegou o Reino de Deus! Acabou-se o mundo velho! Deus viu a opressão de nosso povo e escutou nosso clamor! Deus quer libertar-nos de todo jugo para que possamos servi-lo em liberdade, com a fronte bem alta, sobre uma nova terra! Que a justiça corra como um rio e a paz como uma torrente transbordante! Um homem: Viva Jesus, o Messias de Deus! Todos: Viva!! Outro homem: O Messias já está aqui / Ele é o Filho de Davi! Todos: O Messias já está aqui / ele é o filho de Davi! O sol ardente tirava fumaça dos mosaicos que cobriam a grande esplanada do Templo... Dos muros da Torre Antônia, os soldados romanos, com suas couraças de metal e suas lanças, nos olhavam com desprezo e esperavam ordens para dissolver a manifestação... Todos: O Messias está aqui / ele é o Filho de Davi! Nós mal tínhamos chegado ao primeiro terraço, quando um grupo de levitas e guardiões do Templo cortaram a passagem, ameaçando-nos com seus punhos fechados... Um levita: Ao diabo com todos vocês! Pode-se saber quem organizou esta desordem? Jesus: Quem organizou esta desordem foram vocês, que transformaram a Casa de Deus num mercado! Todos: Muito bem, é isso mesmo! Todos: O Messias já está aqui / ele é o Filho de Davi! Levita: Galileu rebelde, será que você não está ouvindo o que esta chusma está gritando? Não está ouvindo esta insolência? Um homem: Jesus é o Messias, viva Jesus! Todos: Viva!! Levita: Tapem a boca de todos esses blasfemos! Jesus: Nem você nem ninguém nos calará porque viemos em nome de Deus! E se nos fecharem a boca, as pedras gritarão! Levita: Está nos ameaçando, maldito? Jesus: É Deus quem aponta o dedo contra vocês, é Deus que tapa o rosto quando vê a abominação que vocês fizeram deste lugar santo! Uma mulher: É assim que se fala, caramba! Duro com eles, Jesus, duro mesmo! Um homem: Avante o que vem em nome do Senhor! Todos: Avante! Os levitas tiveram que se pôr de lado e deixar-nos passar. Jesus soltava faíscas pelos olhos, como se tivesse um forno dentro de si... Avançou com pressa, por entre os currais de vacas e cordeiros, até alcançar os primeiros degraus, já próximo da escadaria repleta de pequenas mesas onde se trocavam moedas gregas e romanas para pagar os impostos do Templo, em benefício de Caifás e dos sacerdotes... Jesus subiu na mureta do terraço e com o braço estendido, como Moisés quando abriu em dois o Mar Vermelho, apontou o faustoso templo de ouro e mármore que tinha à sua frente... Jesus: Amigos de Jerusalém! Ali dentro estão os sacerdotes e os fariseus e os mestres da Lei! Estão sentados na cátedra de Moisés! E se Moisés se levantasse do túmulo, tiraria todos de lá a porretadas! Porque eles chamam a si mesmos de representantes de Deus, mas eles representam é Mamón, o deus do dinheiro! Porque com a boca falam da Lei de Moisés, mas com as mãos vão atrás do bezerro de ouro! Todos: Muito bem, muito bem! Duro com eles, Jesus! Jesus: Ali estão os hipócritas! Aí estão os que falam e não fazem! Jogam em cima de nós uma carga de leis, nos afogam com impostos, jejuns, penitências que eles mesmos não cumprem, mil normas que eles mesmos inventaram! Nós com o jugo sobre a nuca e eles não movem um dedinho sequer para aliviar-nos a carga! Todos: É isso mesmo, Jesus, é isso mesmo! Pau neles, Jesus! Jesus: Ali estão os hipócritas! Dizem que todos somos irmãos, mas correm atrás dos primeiros lugares e vestem roupas luxuosas e querem que beijemos sua mão e os chamemos de pais e mestres! Mestres de quê? Da mentira, porque é isso que eles ensinam! Pais de quê? Da avareza, porque é isso que fazem, roubar e comerciar com as coisas de Deus! Todos: Muito bem, muito bem! Jesus: Nós, a ninguém chamaremos de pais e de mestres porque há um só, o que está lá em cima, o Deus que eleva os humildes e derruba os tronos dos poderosos! Viva o Deus de Israel! Todos: Viva!! Viva!! Nesse momento, roxos de raiva, um grupo de sacerdotes desceu as escadarias, com o comandante da guarda do Templo à frente... Vinham vestidos com suas túnicas negras e altas tiaras sobre a cabeça... Sacerdote: Cale-se, maldito! Com que direito insultas os ministros de Deus, você que é um leigo ignorante, um camponês cheio de imundície, que fede mais que o lixo da geena? Jesus: O fedor e o lixo foram vocês que trouxeram, traficantes de Satã, que encheram a Casa de Deus com vacas e ovelhas para engordar os bolsos desse velho ladrão que se chama Anás! Sacerdote: Mas, como se atreve a falar assim, seu filho de prostituta? Não sabe onde está?... Esse é o templo do Altíssimo de Israel! Você está a dois palmos do Santo dos Santos onde vive o Deus Bendito! Jesus: Não, escute bem, o Bendito não está ali. O Deus de Israel deu meia volta e se foi daqui, porque vocês transformaram sua casa num mercado e sua religião num negócio! E eu lhes digo que deste templo não ficará uma pedra sobre a outra! Tudo isso virá abaixo como a estátua que o profeta Daniel viu, uma estátua enorme e luxuosa mas que tinha pés de barro! E com uma pedra desmoronou inteira! Nós somos essa pedra e Deus nos lançou hoje contra esse Templo que tem alicerces de barro! Sacerdote: Pedras é o que nós vamos jogar em você, agitador, blasfemo da maior blasfêmia, por ter falado contra o santo Templo do Altíssimo! Jesus: Você se engana, amigo. Isso não é um Templo. É uma tumba! Um sepulcro coberto de mármore! Mas por dentro está todo podre. E vocês também fedem a defunto! Sepulcros pintados com cal, isso é o que vocês são. Por fora bonitos, por dentro cheios de vermes. Hipócritas! Trapaceiam as viúvas, vendem os órfãos por um par de sandálias e depois vêm aqui dar esmolas. Primeiro arrancam o pão da boca dos pobres e depois jejuam em honra a Deus. Primeiro ameaçam com o punho os infelizes e depois vêm cheios de piedade rezar no Templo, como se Deus não se desse conta de toda a mentira de vocês, fariseus e farsantes que engolem camelos inteiros e depois coam o mosquito. Todos: Hosana hei, hosana há, justiça hoje, justiça já! Hosana hei, Hosana há, justiça hoje, justiça já! Sacerdote: Este homem está endemoniado! É um perigo para todos! Façam-no calar, façam-no calar! Jesus: Claro, porque não lhes convém que digamos a verdade. Porque a verdade torna os homens livres e vocês querem que continuemos com a venda nos olhos para continuarem aproveitando-se de nós. Os demônios são vocês, raça de víboras, filhos da serpente que enganou nossos primeiros pais! Todos: Muito bem, Jesus, muito bem! É assim que se fala! Então apareceram no umbral da Porta de Corinto, a que chamam Formosa, quatro anciãos do Sinédrio, com túnicas de linho puro e as mãos cheias de anéis... Eram os magistrados mais temidos e mais poderosos do nosso povo, parentes do sumo sacerdote Caifás, da mais alta aristocracia de Jerusalém... Quando os vimos sair, retrocedemos um pouco... Até os cambistas de moedas e os vendedores que se apinhavam na escadaria, deixaram seus negócios para verem como terminaria aquilo... Os magistrados ficaram em cima, junto à Porta. Transpiravam ódio contra Jesus, mas se contiveram para não amotinar ainda mais o povo... Magistrado: Chega de besteiras, Galileu trapaceiro... Quem você pensa que é?... Pensa que vamos aturar que, debaixo de nossos narizes, venha você, um camponês de sandálias estropiadas, vomitar seus ressentimentos?... Vamos, sumam daqui... Vão todos por bem, se não quiserem que o façamos por mal... Já dissemos para irem embora! Jesus: São vocês que têm de ir embora deste lugar e deixar-nos viver em paz. Vocês é que são os trapaceiros do povo, você que têm mais crimes que anos sobre as costas! Magistrado: Este rebelde deve morrer! Deve ser apedrejado agora mesmo! Jesus: Façam isso, sim, este é o costume de vocês! Primeiro matam os profetas e depois, quando passou o perigo, levantam monumentos para eles e lhes enfeitam as tumbas! Assassinos! Vocês têm as mãos manchadas de sangue inocente! Mas Deus lhes pedirá contas de todo esse sangue derramado por vocês, desde o sangue do justo Abel até o de Zacarias, filho de Berequias, que vocês mataram aqui mesmo, junto ao altar de Deus! Um dos anciãos, com os olhos injetados de cólera, levantou o punho para amaldiçoar... Magistrado: Anátema contra você, cão raivoso! Anátema contra todos vocês, rebeldes!!... O castigo de Deus será terrível!... Jesus: Suas palavras não nos assustam, magistrado do Sinédrio. Deus está do nosso lado. E é Deus quem lança o anátema contra vocês, que transformaram sua Casa de oração em uma toca de ladrões! Jesus se agachou e pegou do chão algumas cordas que haviam servido para amarrar o gado... Deu com elas uma volta na mão e se lançou pela escadaria, subindo os degraus de dois em dois... Nós fomos atrás atropeladamente... Jesus brandia o chicote com tanta fúria que os quatro anciãos saíram correndo pela porta por onde haviam aparecido... Quando chegou em cima, gritou com autoridade... Jesus: Fora daqui, mercadores de Satã, fora daqui!! A confusão foi espantosa. Jesus derrubou as mesas repletas de moedas e as jogou escadaria abaixo... As pessoas se atiravam sobre o dinheiro e os cambistas, enfurecidos, se atiravam sobre as pessoas... Uma e outra vez, Jesus descarregou o chicote sobre as balanças dos impostos... As vacas e as ovelhas se espantaram com aquela gritaria e saíram correndo pela esplanada... As pessoas gritavam e os vendedores se esgoelavam maldizendo...Voavam as pombas e também os bofetões... Como o tumulto ia aumentando, os soldados da Torre Antônia começaram a se movimentar. Mas Jesus continuava falando inflamado... Jesus: Digam a Caifás que amanhã iremos à frente de seu palácio, e depois de amanhã iremos até Herodes acusá-lo por sua safadeza e depois iremos a Pôncio Pilatos diante da Torre Antônia. E no terceiro dia Deus vencerá! Chegou o grande Dia do Senhor, o Dia da libertação! Todos: Liberdade, liberdade, liberdade, liberdade...! Levita: Prendam esse rebelde! Não o deixem escapar! Sacerdote: Prendam a cidade toda se for preciso! Uma mulher: Ai, santo Deus, vão matar todos nós! Corram, rapazes! Em meio aquele torvelinho humano, conseguimos tirar Jesus pelos pórticos até o bairro de Ofel. Dali, fomos nos escondendo até à Porta de Sião, e depois à casa de Marcos, o amigo de Pedro... Quando anoiteceu, escapamos para Betânia... Naquele dia, a colina do Templo de Jerusalém tremeu em seus alicerces, como quando Elias, lá no Carmelo, empunhou o chicote de Deus contra os sacerdotes de Baal... De qualquer ponto de vista (religioso, político, social e econômico), o Templo de Jerusalém era a instituição mais importante de Israel no tempo de Jesus. Era para as autoridades religiosas (sacerdotes, sinedritas, levitas, fariseus, escribas). Cada uma dessas classes, a seu modo, vivia do Templo e “usavam” sua significação religiosa em proveito próprio. Era para o povo que vivia humilhado diante da magnificência daquele suntuoso e descomunal edifício. A transcendência daquele lugar não passou despercebida nem para o próprio império romano. Após difíceis negociações, os governadores romanos conseguiram que se oferecesse cada dia no Templo um sacrifício para o imperador. Com isso, os israelitas ficavam dispensados de qualquer outra forma de culto ao soberano de Roma. O Templo designa um amplíssimo recinto que dominava Jerusalém por completo. (Ocupava a quinta parte da superfície total da cidade). Neste recinto estava compreendido o santuário – capela onde a religião judaica localizava a presença de Deus, o átrio dos sacerdotes e outros três átrios ou pátios rodeados por amplos pórticos com colunas. Os três átrios onde os leigos podiam entrar eram: o dos pagãos (único lugar do templo onde podiam entrar os estrangeiros não judeus), o das mulheres (até onde as mulheres podiam entrar) e o dos israelitas (onde entravam os judeus homens). No santuário só os sacerdotes podiam entrar. A estrutura do templo, suas divisões, eram um reflexo do sistema discriminatório daquela sociedade. O átrio dos pagãos (dos gentios), o mais exterior, era a chamada “esplanada do Templo”. Ali se instalava o mercado de animais para os sacrifícios (touros, bezerros, ovelhas, cabras, pombos) e as mesas para o câmbio de moedas. Os cambistas de moedas, de quem Jesus derrubou as mesas, tinham como função trocar o dinheiro estrangeiro (grego e romano) que os peregrinos traziam ao Templo para pagar seus impostos, com a moeda própria do santuário. As moedas estrangeiras traziam gravada a imagem do imperador e, portanto, eram para os judeus blasfemas e impuras (o imperador era um homem divinizado). Por isso esse dinheiro não podia entrar em lugar sagrado e era necessário trocá-lo. Todos os israelitas estavam obrigados a pagar anualmente ao Templo vários tributos: 1) duas drácmas; 2) as primícias da colheita ou dos produtos de seu trabalho e 3) o chamado “segundo dízimo”. Este não era entregue ao Templo, mas todos estavam obrigados a gastá-lo em Jerusalém (em comida, objetos ou hospedagem). Na Páscoa, a afluência de dinheiro na capital era enorme. Os cambistas não só trocavam moeda, como atuavam como autênticos banqueiros. No Templo se prestava culto a Deus. Um culto em forma de orações, cânticos, perfumes que se queimavam, procissões de louvor etc. E um culto em forma de sacrifícios sangrentos de animais ou de outros produtos do campo (trigo, vinho, pães, azeite). Esses sacrifícios são expressão de um profundo sentimento religioso do ser humano. Em todas as culturas primitivas o homem oferecia a Deus algo de seu – destruindo-o, matando-o, queimando-o – como símbolo de submissão, como forma de pedir ajuda ou perdão. No tempo de Jesus a maioria dos animais que se sacrificavam no Templo, era vendida ali mesmo ou em tendas próximas que também pertenciam ao Templo. Depois eram entregues aos sacerdotes que os queimavam totalmente ou os degolavam dentro do santuário como oferenda agradável a Deus. Todos os dias do ano havia sacrifícios no Templo, mas na semana da Páscoa eles se multiplicavam: a cada dia se sacrificavam dois touros, um carneiro, sete cordeiros e um cabrito em nome de todo o povo. À parte disso havia, naturalmente, uma multidão de sacrifícios privados pelas mais variadas razões: pecados, impurezas, promessas, votos, etc. As vítimas pascais propriamente ditas (cordeiros machos e jovens, conforme prescrito pela Lei) chegavam nestes dias a dezenas de milhares. Certo historiador apresenta a cifra de mais de 250.000 cordeiros sacrificados por Páscoa. O culto do Templo representava a fonte de entradas mais importante de Jerusalém. Do Templo vivia a aristocracia sacerdotal, os simples sacerdotes, e a multidão de empregados de diversas categorias (policiais, músicos, pedreiros, ourives, pintores etc.). Enormes quantidades de dinheiro fluíam para o Templo. Vinham dos donativos de pessoas piedosas, do comércio de gado, dos tributos que os israelitas deviam pagar, das promessas etc. Administrar o fabuloso tesouro do Templo era estar colocado no posto de máximo poder econômico de todo o país. A família dos Sumos Sacerdotes exercia este cargo através de um corpo de três tesoureiros adjuntos, às vezes de sua própria parentela. Testemunhos históricos demonstram que no tempo de Jesus o negócio de animais para os sacrifícios pertencia a Anás e sua família. A tão fabuloso poderio econômico estava ligado, naturalmente, o poder político. O Sinédrio, máximo órgão religioso-político-jurídico de Israel, realizava suas sessões no Templo e o era presidido pelo Sumo Sacerdote. Nenhuma instituição de nosso tempo é comparável a esta, nem edifício algum – símbolo – de poder em nossos países pode pôr-se em paralelo com o Templo de Jerusalém. Tudo isso pode nos servir para fazermos uma idéia do que significou o fato de Jesus, um leigo, sem autoridade de teólogo, se atrever a denunciar naquele lugar as supremas autoridades religiosas. Daquele fabuloso edifício do Templo, uma das grandes maravilhas do mundo antigo, não resta hoje mais que um pedaço de uma das paredes que lhe serviam de muralha: o chamado “muro das lamentações”, construído com pedras de até sete metros de largura. Junto a este muro os judeus ainda rezam por causa da destruição do Templo ocorrida há quase dois mil anos. Ali celebram suas festas, rezam e louvam o Deus de seus antepassados. No ano 70 depois de Jesus, o Templo foi incendiado e arrasado pelos romanos que sufocaram desta forma uma revolta nacionalista judaica. Não ficou do Templo pedra sobre pedra... Hoje podemos ver no lugar que ocupava aquele grandioso edifício uma imensa esplanada (491 x 310 metros), no bairro árabe de Jerusalém. No centro desta esplanada ergue-se a belíssima mesquita de Omar, ou mesquita da Rocha. (Foi construída ali no século VII pelos árabes que se tornaram donos de Jerusalém). No interior desta mesquita há uma enorme pedra que os judeus veneraram como o monte Moria (onde Abraão ia sacrificar Isaac) e onde se realizavam os sacrifícios de animais no Templo. Não devemos interpretar o gesto da expulsão dos mercadores do Templo como um ato exclusivamente religioso. Os mercadores estavam ali porque os próprios sacerdotes viviam daquele negócio. No Templo de Jerusalém o político, o religioso e o econômico estavam tão estreitamente ligados que era impossível fazer uma denúncia religiosa sem que ao mesmo tempo fosse um ataque ao poder econômico e político. Por ser este o gesto mais arriscado de Jesus dentro de sua atividade profética, incluem-se também neste episódio as palavras mais duras que dele recolhe o evangelho. São palavras de uma ardente denúncia contra os sacerdotes, que negociam com o nome de Deus e reduziram o culto a uma idolatria do dinheiro. Denúncia contra os teólogos, que enganam os ingênuos com leis que eles inventam, que deformam a imagem de Deus por sua ambição de fama e privilégios. Denúncia contra quem fez da religião uma insuportável carga de leis e normas. (Mateus, 21, 12-17; 23, 1-36; Marcos 11, 15-19; 12, 38-40; Lucas 11, 37-52; 19, 45-48; 20, 45-47; João 2, 13-22)
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