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Capítulo LXI UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA Maria: Marta, Marta, venha, corra...! Marta, acorde! Marta: Humm... O que foi, Maria...? Maria: Chegou a hora da vizinha Susa! Marta: Tão depressa? Maria: Não está ouvindo? Ela está gritando mais que Raquel em Ramá... Vamos, Marta, avie-se! Marta: Está bem, Maria, mas acalme-se, afinal não é você que vai dar à luz, caramba! Felipe: Ahummm... O que acontece por aqui, pode-se saber?... A troco de quê tanto alvoroço? Maria: Uma vizinha já está com as dores e em toda Betânia não existe melhor parteira que minha irmã Marta! Felipe: Bom, não é que eu queira me gabar, mas já cortei a tripa do umbigo de mais de um bezerro... assim que, se puder ajudar em alguma coisa... Maria: Sua ajuda é ficar aqui tranqüilo, na taberna. Vamos, Marta, depressa...! Ande, Felipe, volte a dormir com os outros... Felipe: E quem consegue dormir com essa conversa toda?... Por que as mulheres não aprendem a parir de dia, heim? Marta e Maria, as irmãs de Lázaro, saíram da taberna e entraram no portão vizinho... Já passava da meia noite... Era uma casinha pobre e simples como as de todos os camponeses de Betânia. As paredes de adobe estavam esfumaçadas pelas lamparinas de azeite... Num canto, junto às tralhas da cozinha e um embrulho de roupas, estava preparado um jarro com água, uma faca limpa e uma toalha. No outro canto, lamentando-se sobre uma esteira de palha, estava deitada a pobre Susa, segurando o ventre com as duas mãos... Ao seu lado, sem saber o que fazer, o marido esperava... Maria: Eu acho que devem ser gêmeos porque esta barriga está parecendo o monte Tabor! Lúcio: Puff! Que Deus não a escute, vizinha! Se já tenho que trabalhar demais para alimentar essa aí, o que há de ser com duas bocas a mais? Marta: Não se preocupe, meu bom homem. Dizem que todas as crianças já nascem com um pão debaixo do braço... Lúcio: Então o meu nascerá maneta, pode crer!... Marta: Vamos lá, Lúcio, você espera lá fora... Quando o menino nascer, avisaremos... Enquanto Marta arregaçava a túnica para ajudar sua vizinha, o marido de Susa foi buscar companhia na taberna... Felipe: Diacho essa sua mulher, Lúcio, grita como se a estivessem esfolando viva... Lúcio: E o que você quer que eu faça, Felipe? O menino é mais cabeçudo que você, e não consegue sair! Já faz quatro horas que está lutando para dar à luz... e nada! Pedro: E nós, quatro horas lutando para dormir... e tampouco, nada! Vamos, Lázaro, alegre a nossa noite com um par de jarras de vinho, não seja sovina! Lázaro: É isso mesmo, Pedro! Ao mau tempo, boa cara! Felipe: Pois olhe as outras caras que aparecem por aqui... O que foi, Tiago, também não conseguiu pregar o olho?... Nem você, Natanael...? Natanael: E quem consegue com essa gritaria...? Felipe: Lázaro, traga quatro jarras de vinho em vez de duas! Um depois do outro, fomos deixando as esteiras e nos reunindo no quintal... Os gritos de Susa chegavam até a taberna e despertaram todo mundo... Lázaro: Aqui está o vinho e aqui tem também sementes de abóbora para mastigar. Vamos lá, companheiros, o que vocês preferem? Jogar dados, contar piadas ou rezar para que a criança deste vizinho nasça forte e sadia? Natanael: Que ela nasça até com seis dedos, mas que nasça logo, caramba! Felipe: Não fale assim, Nata, que esse pobrezinho já tem desgraça de sobra... Eu não queria me ver na pele desse infeliz! Lúcio: Por que você diz isso, Felipe? O que há com meu filho? Felipe: Com seu filho não há nada, Lúcio, mas... Lúcio: Mas o que? Fale claro! Felipe: Que tudo isso vai se acabar logo, amigo. Pobre do seu filho, chegou tarde ao mundo! Antes que o desmamem já terá soado a trombeta do juízo final! Pedro: Você é que tem de desmamar, Felipe. Vamos ver, de onde você tirou essa idéia? Felipe: Foi Jesus que disse isso outro dia, quando passamos perto da muralha de Jerusalém. Não se lembram? Eu ouvi com minhas duas orelhas. Pedro: Pois então vai lavá-las, para ver se escuta melhor da próxima vez. Felipe: Jesus disse que o mundo vai acabar logo e que vai ser pior que o dilúvio de Noé. O céu vai tremer e as estrelas cairão sobre nossas cabeças! Acabou-se tudo. Acabou-se o mundo. Seu pobre filhinho só poderá ver pó e cinza. Natanael: Você é um embusteiro, Felipe. Jesus nunca disse isso. Felipe: Disse sim. E disse também que sabia a data do fim do mundo! Pedro: Não me diga! Felipe: Sim, eu lhe digo! Enquanto discutíamos, Jesus apareceu pela porta do quintal, esticando os braços e bocejando... Ele também não conseguia dormir... Lázaro: Aí está o homem! Ei, moreno, venha cá, quanto falta, fale claramente?! Jesus: Ahummm... Quanto falta para que? Felipe: Para que se acabe o mundo! Jesus: Eu pensei que já havia acabado... A julgar pelos gritos da mulher e os de vocês... Jesus se sentou conosco na desengonçada mesa da taberna, enquanto Lázaro chegava com outra jarra de vinho... Lázaro: Camaradas, esse parto vai ser longo! Venha, Jesus, tome um trago, limpe a garganta e fale sem rodeios: quando demônios vai se acabar o mundo, heim? Jesus: Mas, que pulga picou vocês para estarem discutindo sobre isso a essas horas? Felipe: Porque temos que ser precavidos, caramba! É preciso já ir comprando a madeira e o breu para construir a arca! Você não disse que vem aí um dilúvio pior que o primeiro?... Ou já não se lembra mais? Jesus: Eu disse isso, Felipe? Felipe: Bem, se você não disse, dá no mesmo! Porque está escrito. Todos os profetas dizem isso nas santas escrituras. Jesus: O que está escrito é que não haverá nenhum dilúvio. Deus o prometeu a Noé. Felipe: Está bem, com água ou sem água, dá no mesmo. Haverá terremotos e coisas espantosas no céu e na terra quando chegar o último dia. É assim ou não é? Jesus: Eu não sei, Felipe, isso era o que pensava o profeta Elias... mas depois, veja só a surpresa que ele teve... Elias: Não posso mais... Não chegarei nunca... Já chega, Senhor... Jesus: Elias ia atravessando o imenso deserto de Negueb, a caminho do Sinai, a montanha de Deus... Estava tão cansado que se atirou debaixo da copa de uma árvore e desejou a morte e adormeceu... Mas um mensageiro de Deus veio despertá-lo... Mensageiro: Elias, Elias!... Vamos, levante-se e coma alguma coisa... Você tem um longo caminho pela frente...! Elias: Quanto falta para chegar? Diga, por favor... Mensageiro: Não pergunte quanto falta. Ponha-se a caminho. A cada passo que você dá, Deus dá outro passo até você. Vá para aquele que vem. Elias se levantou, comeu, e começou a andar através do deserto, com o sol fervendo sobre sua cabeça... Caminhou quarenta dias e quarenta noites e, ao final, chegou ao monte Sinai... Elias: Puff!... Agora verei a Deus... Agora saberei como ele é... Cheguei ao final do caminho... Onde estás, Senhor, como tu és? Elias subiu ao monte para ver Deus... E a primeira coisa que viu foi um furacão que passava... Soprava tão forte e levantava tanta areia que o sol se escureceu, a lua perdeu seu brilho e todas as lâmpadas do céu, as estrelas grandes e as pequenas, se apagaram com a fúria do vento... Elias: Deus meu, Deus meu, eis que por fim te conheço. Tu és o estouro da tormenta e a violência do furacão! Mas ninguém respondeu à sua voz, porque Deus não estava nos trovões nem nas rajadas de vento... Depois, a terra começou a tremer... E o terremoto era tão forte que as colunas do mundo balançaram, as montanhas racharam de cima abaixo e as rochas se partiram em mil pedaços... Elias: Deus meu, por fim te conheço! Tu és o furor do terremoto! Mas ninguém respondeu à sua voz, porque Deus tampouco estava no rugido da terra nem na avalanche das pedras... Depois, levantou-se um grande fogo... A fogueira crepitante surgiu das entranhas do mundo e arrasou tudo, e não deixou mais que pó e cinzas... Elias: Por fim, Senhor, por fim sei como tu és, um fogo abrasador! Mas o fogo guardou silêncio, porque Deus tampouco estava na terrível labareda... E, ao final, ouviu-se como o sussurro de uma brisa suave... Era como um sopro que refresca, como o alento de um pai diante de seu filho ou o beijo de uma mãe no rosto... E Elias, o homem que ardia de zelo por Javé, o profeta do raio, do fogo e do terremoto, compreendeu que Deus estava ali, naquela brisa leve. Jesus: Assim foi o encontro de Elias com Deus. E eu penso que assim será também o nosso encontro com ele no fim do mundo. Lázaro: Bom, bom, está bem, Jesus, com furacão ou com brisa suave, mas eu volto ao de antes: quando demônios se acabará isso? Felipe: Eu repito a mesma coisa que Lázaro: quando vai soar a trombeta, heim? Jesus: E eu sei lá, Felipe? Isso é assunto de Deus. O nosso é vigiar e estar preparados como os bons servos que esperam acordados até que chegue o patrão. O resto é coisa de Deus. Pedro: Vamos lá, moreno, aqui entre amigos não deve haver segredos... No mínimo Deus piscou um olho para você e lhe disse a data... Jesus: Ou, quem sabe, não há data, Pedro. Porque o Reino de Deus não cai de cima como o maná. O Reino de Deus tem que ser amassado por todos, como o pão. Pedro: Pois nós já estamos amassando há três anos, caramba! Quando Deus vai estender a mão e tirar o pão do forno? Isso é o que eu quero saber... Jesus: Ainda falta um pouco, Pedro. Ainda é preciso caminhar um bom pedaço, como Elias, até chegar ao Sinai. Lázaro: Mas, diga, Jesus, algum dia veremos o final? Jesus: Antes terá que ver guerras e desastres, porque ainda há muito egoísmo no mundo. Os de cima não querem afrouxar a corda e nós não podemos ficar dormindo debaixo da árvore. Não, teremos de lutar, e duro. A luta será longa, sim. Eles nos perseguirão e gritaremos mais que sua mulher, Lúcio... E isso não será senão o começo das dores, até que estale o furacão dos pobres reclamando justiça e a luta se faça tão encarniçada que as nações da terra e os poderosos deste mundo tremam pelo que lhes virá em cima. Tudo isso terá que acontecer primeiro. São os gritos do mundo que está dando à luz. Lázaro: E depois, Jesus? Jesus: Depois, quando este mundo velho tiver passado, virá a brisa suave: um novo céu e uma nova terra onde não haverá prantos, nem guerras, nem fome, nem dor. E aparecerá sobre as nuvens do céu o sinal de Deus, o arco-íris da paz. E os filhos de Deus, todos os homens de boa vontade, herdarão a terra e poderão viver em paz e livres. Felipe: Mas, nós... nós veremos este dia, Jesus? Jesus: Não sei, Felipe. É bem possível que sim. Ou, no mínimo, nossos netos verão, ou os netos de nossos netos. Não importa. Mas esse dia chegará. Cedo ou tarde, nós pobres cantaremos vitória. Deus prometeu e sua palavra não falha. O céu e a terra passarão, mas esta promessa de Deus não falhará. Neste momento, Maria entrou pela porta da taberna gritando e alvoroçando tudo... Maria: Ei, vocês, charlatões, corram, ele já nasceu! Um menininho mais salgado que a água do mar! E todos fomos correndo para a casa de Susa, aquela vizinha de Betânia, que depois de tantas horas de esforço, descansava agora tranqüila enquanto Maria lavava o bebê recém nascido... Marta: Olhe que preciosidade, Lúcio! Você não acha? Maria: Não é que ele se parece com a mãe? Olhem só os olhinhos e o narizinho! Felipe: Vamos, Lázaro, traga vinho da taberna e vamos brindar este novo israelita que acaba de pôr as patas neste mundo! Pedro: E pelo novo papai, que está mais contente do que se tivesse cantado o Cantar dos Cantares! Lázaro: E pela mãe, que fez o trabalho pior! Lázaro nos trouxe o melhor vinho de sua taberna e ficamos conversando no quintal da casa de Lúcio até que os galos anunciaram o novo dia... Susa, que havia passado tantas dores durante aquela noite, já nem se lembrava do aperto, pela alegria de ter seu filho no colo... Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, há uma série de discursos de Jesus a respeito da catástrofe que se avizinha sobre o mundo. São os chamados discursos “escatológicos” (do fim) ou “apocalípticos” (da revelação do fim). Tradicionalmente eles foram lidos como uma descrição detalhada de tudo o que irá suceder no dia do fim do mundo. E também, tradicionalmente, foram usados para semear terror, para assustar as pessoas ingênuas ou para tornar simplistas as interpretações das catástrofes ou guerras que ocorrem no mundo atual. Jesus não deu detalhes sobre a vida do além, do céu, dos anjos ou do demônio como era habitual na linguagem apocalíptica de sua época.Tampouco fez cálculos sobre o fim do mundo e evitou fazer uma descrição das diferentes etapas do drama apocalíptico. Quando no evangelho se faz referência a estes aspectos devemos pensar, sem temor de nos equivocar, que estes foram os pensamentos das primeiras comunidades da igreja. Da mesma maneira Jesus não falou quase nunca sobre o tema da morte, e quando fala da ressurreição (Mt 12,18-27) termina com a confissão de que Deus não é um Deus dos mortos mas dos vivos. Jesus viveu com esta esperança e morreu nesta fé. Se Jesus é mensageiro da boa notícia de Deus e busca a vida, também estes textos do evangelho devem ser lidos a partir desta perspectiva. Jesus não fala de fim, mas de começo, não de destruição mas de nascimento, não de morte mas de vida. Para ressaltar este aspecto positivo e esperançoso, todo o episódio se baseia na descrição de um parto. Para que um novo ser venha ao mundo são necessários tempo, amor, paciência, esperança e no momento decisivo, nas horas finais, esforço e dores tremendos. Esta é a melhor imagem do que será “o fim do mundo”: uma nova criação, uma nova sociedade com seres humanos novos. Pensar no fim do mundo é pensar no dia da justiça definitiva, no dia em que Deus irá exigir claramente as contas da história, o dia em que serão realidades esse “novo céu e nova terra em que habite a justiça” (2Pd, 13). A palavra de Deus nos diz que o que terminará do mundo na hora final serão as lágrimas, as dores e a morte, para que todo o bem do mundo fique e seja transformado. São inumeráveis os textos proféticos que descrevem o futuro para onde vamos, com imagens de alegria e de festa. Esses apocalipses (revelações do futuro) identificam-se com os tempos messiânicos e na linguagem evangélica com o Dia do Reino de Deus. Nesses textos vemos imagens maravilhosas do fim do mundo (Is 60, 1-22; 62, 1-12; Amós 9, 11-15; Miquéias 4, 1-5; Sofonias 3, 14-2; Apocalipse 21, 1-8; 22, 1-21). Certamente, ao mesmo tempo em que se descreve a festa, também se insiste no doloroso caminho até chegar esse dia de justiça. A libertação é uma conquista, a felicidade tem um alto preço, a liberdade que Deus deu aos homens põe continuamente obstáculos no caminho da vida. Também com imagens, os profetas falaram da cólera de Deus, contra os injustos e opressores no dia do ajuste de contas. Falaram de guerras, de dores, de dificuldades sem conta. Uns duzentos anos antes de Jesus, começaram a usar também imagens cósmicas (estrelas que caem, terra que treme etc), símbolos que Jesus também empregou, pois eram os mais freqüentes em sua época para descrever as tremendas lutas dos tempos finais (Is 63, 1-6; Jr 6, 11-19; Dn 9, 6-27; 12, 1-13; Joel 2, 1-11; Amós 5, 14-20; Apocalipse 19, 11-21). A imagem do parto é muito adequada para descrever a luta do fim dos tempos. Foi usada pelos profetas (Is 66,5-16) indicando que o nascimento de um novo povo não era coisa de um dia e estava cheio de dores. Jesus também a usou (Jo 16, 19-23) e, depois dele, Paulo a usaria também (Rm 8, 18-27), comparando toda a história humana com um longo e penoso parto de uma nova sociedade. Da mesma forma que a esperança do filho que vem sustenta a mãe no doloroso momento do parto, a esperança de uma vida nova e diferente sustenta todos os homens e mulheres que trabalham hoje por seus irmãos. Neste parto gigantesco, já assomou a cabeça, já nasceu a cabeça do homem novo, que é Jesus. Nós, que somos o corpo, nasceremos depois dele (Ef 1, 22. 1Cor 12, 12 e 27). Saber quando será o fim do mundo preocupou muitas gerações de homens. Jesus acreditou, certamente, que o fim deste mundo injusto e a chegada do Reino de Deus eram iminentes. Sua forma de proclamar o evangelho e de desafiar as autoridades, a pressa que sentia e que suas palavras demonstram, indicam que ele acreditou que esta hora estava próxima, inclusive que ele próprio chegaria a vê-la. Esta urgência de Jesus foi herdada pelos primeiros cristãos, que viveram durante o primeiro século de nossa era pendentes do fim do mundo. Até o ponto em que Paulo teve que chamar-lhes a atenção em várias ocasiões (2Tes 2, 1-7 e 3, 6-12), embora ele mesmo estivesse convencido que o dia estava próximo (1Tes 4, 13-18). Eram tempos de duras perseguições contra os cristãos, em que caíram milhares de mártires. A ardente esperança das comunidades os levou a crer que chegaria logo o dia da libertação definitiva. Neste sentido é que devemos ler o Apocalipse, o último livro da Bíblia. É um maravilhoso texto sobre o fim dos tempos, escrito para consolar os cristãos perseguidos a ferro e fogo pelo poder imperial de Roma. Termina com uma ardente chamada: “Marana-tha! Vem, Senhor, Jesus!” São as últimas palavras escritas na Bíblia. Até hoje permanece viva a curiosidade por conhecer o dia do fim do mundo. Numerosas seitas religiosas chegaram inclusive a dar a data exata desse dia. Buscam também “converter” as pessoas às suas crenças, infundindo-lhes terror sobre os castigos que aguardam os seres humanos para então. As testemunhas de Jeová puxam essa fila, mas não são os únicos. A resposta cristã a todas essas idéias aterrorizantes é que nós “finalizemos” o mundo, transformando-o no sentido da justiça, da vida e do amor. A inquietude pelas datas ou por supostas catástrofes que virão sobre nós, nos distrai desta tarefa essencial. Deus, o Pai de Jesus, não é um monstro interessado em assustar-nos, em salvar-nos valendo-se do terror. Esta imagem de Deus, como um personagem encolerizado, que esmagará o mundo com fúria quando menos se espera, é totalmente falsa. Uma péssima caricatura. A cólera de Deus é algo muito mais sério e exigente. É um constante apelo a que os injustos deixem de sê-lo. Para os humildes e para os simples, Deus se mostra, não na cólera, mas na ternura, na “brisa suave”, como aconteceu com o profeta Elias (1Reis 19, 1-13) e nessa promessa que nos fez: No final veremos seu rosto e levaremos seu nome como um beijo de paz na nossa fronte (Apc 22,4). (Mateus 24, 3-51; Marcos 13, 3-37; Lucas 12, 41-48; 17, 26-37; 21, 7-36)
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