Apresentação
Fale Conosco
Veja Também:
Capítulo VI João Batista: comentários finais dos Cap. 8, 10 e 11 do original A ÚLTIMA NOITE EM BETABARA A figura de João Batista teve um grande impacto entre os que o escutaram e ainda entre os que o conheceram por notícias que dele chegaram em todos os cantos do país. Deve ter tido influência decisiva sobre Jesus que, um dia diria que João era o maior dentre os nascidos de mulher (Mt 11,11). No calor do movimento que o Batista gerou, Jesus descobriu sua vocação e, à morte de João, tomará o relevante de sua palavra profética. O parentesco entre João e Jesus, a que se refere unicamente o evangelho de Lucas, deve ser entendido principalmente como uma forma de expressar a estreita relação que houve entre a mensagem do profeta precursor e a de Jesus. É muito possível que João Batista, tenha vivido algum tempo no mosteiro dos essênios, na orla do Mar Morto, perto do lugar onde mais tarde batizaria o povo. Os essênios eram como uma congregação religiosa que começou a formar-se uns cento e trinta anos antes do nascimento de Jesus. Viviam em comunidade, guardavam o celibato - ainda que houvessem grupos de casados - rezavam orações especiais, não faziam sacrifícios de animais, praticavam uma pobreza rigorosa e compartilhavam os bens. Entre suas ocupações estava a de copiar as Escrituras sagradas. Alguns desses pergaminhos chegaram até nós depois das descobertas feitas em Qumram em 1947. São os manuscritos mais antigos que se conhece de alguns livros da Bíblia. O mais importante é o rolo do profeta Isaías. Atualmente, pode-se visitar as ruínas do mosteiro essênio, do qual se conservam paredes, algumas escadas, as piscinas de purificação etc. No Museu do Livro, em Jerusalém, estão muitos dos objetos encontrados nestas ruínas: vasilhas, sandálias, moedas, mesas etc. Os essênios viviam distantes do mundo para não se contaminarem e se consideravam perfeitos, os prediletos de Deus. Isto os fez orgulhosos e também intolerantes. Por este espírito elitista é de se supor que João tenha rompido com eles. Neste capítulo, João Batista apresenta a Jesus vários caminhos para que se concretize seu desejo de serviço: vida monástica, vida de família, compromisso guerrilheiro. A todos esses caminhos, Jesus coloca inconvenientes. Não se vê em nenhum deles. Jesus não foi um monge, nem nada parecido. Viveu misturado com seus patrícios, participando de todos os seus problemas, de suas alegrias e de suas preocupações. Tampouco se casou nem se comprometeu com os zelotas, nem com outros grupos políticos de sua época. Foi um leigo, não entrou em nenhuma estrutura religiosa de seu tempo: não foi sacerdote, nem levita, nem tomou parte do movimento secular fariseu. Até o final de sua vida, viveu e atuou de forma independente, sem afastar-se da classe social em que havia nascido. Neste episódio são apontados alguns dados sobre a morte de José, esposo de Maria. Não se tem nenhuma referência histórica sobre quando ou como José morreu. O que de verdade é histórico é que durante a juventude de Jesus ocorreu o saque e a destruição da cidade de Séforis, próxima a Nazaré e então capital da Galileia. Os romanos a incendiaram como escarmento da rebelião zelota que ali se produziu. No cárcere de Maqueronte (cap. 10 da novela original) A voz do profeta João, clamando por justiça e anunciando a chegada do Libertador de Israel, era cada dia mais firme e mais apressada. Os que iam escutá-lo sentiam como se o profeta tivesse pressa, como se soubesse que seus dias estavam contados... O rei Herodes queria matar João, tirar, eliminar aquela voz que se tornara tão incômoda. Mas tinha medo do povo, porque todos em Israel sabiam que João era um profeta que falava da parte de Deus. Nos Evangelhos se fala de dois Herodes, Herodes o Grande que, aliado com os romanos, governou tiranicamente o país desde o ano 37 antes de Jesus, e a quem se atribui a matança dos inocentes. À sua morte, quatro anos depois do nascimento de Jesus, o país se dividiu entre seus filhos. Herodes Antipas, o mais novo, foi contemporâneo de João Batista e de Jesus. Herodes Antipas foi posto como governador da província do norte de Israel, Galileia, e também da zona de Pereia, na margem oriental do Jordão. O título que lhe deram foi de “tetrarca”, mas o povo o chamava comumente de “rei Herodes”. Embora estivesse casado com uma princesa árabe, Herodes Antipas se tornou amante de Herodíades, esposa de seu irmão Felipe. Essas relações chegaram até a provocar uma guerra na qual morreram muitos inocentes. Mas o rei era um homem ambicioso e sem nenhum escrúpulo. Os dados históricos que se tem dele o descrevem como um esbanjador, cruel com todos os que se lhe opunham - e eram muitos - e supersticioso. Era também um colaboracionista dos romanos, donos do país, que o mantinham no trono em troca de uma grande soma de dinheiro: em nome dos romanos, Herodes Antipas cobrava os impostos do povo, no território da Galileia e da Pereia. Entre as muitas denúncias que João Batista fez da corrupção do sistema de seu tempo, está a que foi dirigida contra Herodes Antipas, a quem acusava publicamente de viver em adultério com sua cunhada. A denúncia de João não era um simples “moralismo”: o adultério do rei era como o último fruto de uma árvore totalmente podre. O reino de Herodes estava corrompido pelas injustiças, pelo desperdício, o roubo, os crimes... Não existia a menor moral política e social. Era isso que João condenava aos gritos. Herodes, que cumpria com as normas religiosas judaicas, se transferia para as festas a seus palácios de Maqueronte e Jerusalém, para poder ir ao Templo e, ali, rezar e cumprir a Lei. Foi numa dessas ocasiões que mandou prender João. Herodes temia o movimento popular que o profeta estava desencadeando e desejava vingar-se de João que não cessava de acusá-lo diante do povo. Maqueronte era uma fortaleza construída à margem oriental do Mar Morto, na Região da Pereia. Herodes o Grande a fortificou amplamente e a enriqueceu com um magnífico palácio uns vinte anos antes de Jesus nascer. Seu filho, Herodes Antipas, celebrava ali grandes festas. Nos calabouços daquela fortaleza esteve preso João Batista e ali foi assassinado pelo rei. No ano 70, a fortaleza foi destruída pelos exércitos romanos. Hoje só se conservam ruínas. Herodes teme João, mesmo preso, porque o profeta, com grande liberdade, sem medo de morrer, o enfrenta e lhe joga na cara suas injustiças. (Mateus 14; Marcos 6,14-20; Lucas 9,7-9) Rumo à Galileia dos gentios (cap. 11 da novela original) Ao conhecer o pensamento de João Batista, Jesus dá um novo passo na consciência de sua própria vocação. Israel ficou órfã, ao lhe ser tirado o profeta que lhe anunciava o projeto de Libertação de Deus. Jesus sente que deve tomar o lugar de João. Retomará sua mensagem de justiça e a levará à sua terra, a Galileia. Não batizará como João nem esperará que o povo vá em sua busca, mas se misturará com as pessoas como um a mais. E a partir das ruas, dos bairros e das praças, anunciará aos pobres a libertação que Deus promete. Das margens do Jordão, Jesus se põe a caminho rumo ao Norte. É um trajeto longo, de umas três ou quatro jornadas a pé, que se pode percorrer seguindo a beira do rio através da Pereia e da Decápole, ou tomando a rota das montanhas pela região dos samaritanos. “Galileia dos gentios” é um qualificativo que o profeta Isaias havia dado às terras do norte, uns setecentos anos antes de Jesus. Expressava assim que aquela região, a pátria de Jesus, que nas origens pertenceu a Zabulon e a Neftali, filhos do velho patriarca Jacó, pareciam como que abandonadas por Deus, entregue aos “gentios” (pagãos, estrangeiros). Eram tempos em que os galileus foram feitos prisioneiros e deportados. Sofreram muito e o futuro parecia fechado para eles. O profeta lhes anuncia uma luz no meio de sua escuridão. Quando Jesus começou a anunciar o Reino de Deus em terras Galileias, depois de seu batismo no rio Jordão, Mateus recordou esta profecia de Isaias e a incluiu no seu evangelho. (Mateus 4,12-17)
Capítulos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
XXII
XXIII
XXIV
XXV
XXVI
XXVII
XXVIII XXIX XXX XXXI XXXII XXXIII XXXIV XXXV XXXVI XXXVII XXXVIII XXXIX XL XLI XLII XLIII XLIV XLV XLVI XLVII XLVII XLIX L LI LII LIII LIV LV LVI LVII LVIII LIX LX LXI LXII LXIII LXIV LXV LXVI LXVII LXVIII LXIX LXX LXXI LXXII LXXIII LXXIV LXXV LXXVI LXXVII LXXVIII LXXIX LXXX LXXXI LXXXII LXXXIII LXXXIV LXXXV LXXXVI LXXXVII LXXXVIII