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Capítulo LVIII O JUÍZO DAS NAÇÕES Naquele dia, depois de subir e descer muitas colinas, o mensageiro de Deus, com sua trombeta, abaixou o braço, chegou ao vale de Josafá... Com a primavera, o vale estava todo coberto de erva muito verde e um regato de água cristalina corria sem fazer ruído. O mensageiro sorriu satisfeito, saudou o sol que acabava de despertar, e começou a subir à muralha de grandes pedras que se levanta junto ao vale... Quando chegou lá em cima, ao pináculo mais alto, apoiou-se bem sobre a pedra angular, respirou profundamente e fez soar a trombeta... Os ouvidos do mundo ficaram atentos. Os olhos adormecidos se abriram e todos os habitantes da terra, dos grandes aos pequenos, compreenderam que havia chegado a hora de prestar contas a Deus. Depois de tocar a trombeta, o mensageiro colocou as mãos em forma de concha diante da boca e gritou a toda voz... Mensageiro: Todos aqui!... Vamos, depressa!... Venham todos ao vale de Josafá!... Deus convoca o Juízo! Chegou o grande dia, em que o Senhor irá julgar todos os povos e todas as nações que viveram debaixo do sol, desde Adão até o último filho de mulher que haja nascido na terra... O mensageiro desceu do pináculo da muralha e se dirigiu ao centro do vale, onde havia uma tamareira. Ali, debaixo de suas folhas verdes e brilhantes, estendeu uma pele de cordeiro que poderia muito bem servir de tapete. Depois, com ramos de árvore a destreza de sua faca fabricou um banco de madeira... Aquele seria o trono onde Deus iria julgar todas as nações da terra... Quando o mensageiro levantou os olhos, viu as primeiras caravanas que assomavam pelo horizonte... Atrás delas viam-se outros grupos de homens e de mulheres, de velhos com barba branca, rebanhos inteiros de povos que vinham até o vale de Josafá para participar do grande juízo de Deus... O mensageiro saiu para recebe-los... Mensageiro: Quem são vocês e de onde vêm? Egípcio: Viemos da terra dos faraós e das pirâmides. Somos os egípcios, os filhos de um povo grande e numeroso como as areias de nossos desertos. Mensageiro: A que deus vocês adoraram durante a sua vida? Egípcio: Ao único deus verdadeiro! A Osíris, filho do sol e juiz dos vivos e dos mortos! Osíris, aqui estamos nós, teus servidores! Mensageiro: Vamos, vamos, entrem e sentem-se por aí, sobre a relva... E os egípcios entraram no vale de Josafá vestidos com túnicas verdes, tão verdes quanto a fertilidade das terras do Nilo... Caldeu: Viemos da Mesopotâmia. Da terra que os dois rios abraçam e que serviu de berço a sete impérios. Mensageiro: Qual é o deus de vocês? Caldeu: O único deus verdadeiro, nosso protetor Marduk, dono e senhor da história, que renasce com o ano novo! Marduk, aqui estão teus filhos, os assírios e os babilônios! E entraram no vale os habitantes da Mesopotâmia, com suas vestimentas de cânhamo e seus turbantes azuis, tão azuis como o céu que quiseram alcançar levantando a torre de Babel. Mensageiro: E vocês, de onde vêm? Grego: Viemos atravessando o grande mar, cheio de ilhas. Somos gregos, nascidos à sombra do Parnaso, em uma terra de sábios e artistas. Mensageiro: A quem procuram? Grego: A Zeus, o deus poderoso, o que se senta no sagrado Olimpo. Procuramos Hermes, Dionísio, Afrodite... aos mil deuses que nossos pais adoraram e a um deus desconhecido que não sabemos ainda como se chama... E também entraram os gregos, com suas túnicas brancas como as colunas de mármore com que embelezaram seus templos... Romano: Nós viemos de Roma, a dona do mundo. Sete colinas nos viram nascer e uma loba nos amamentou. Somos um povo guerreiro. Nosso deus é Marte, com seu capacete militar e sua lança. Os outros deuses não nos interessaram muito, essa é a verdade... E os romanos, como um grande exército, atravessaram o vale e se sentaram sobre a relva. Estavam cobertos com capas vermelhas, vermelhas como o sangue de tantos inocentes que foi derramado por seus imperadores... ... E eram centenas de nações e milhares de povos que acudiam dos quatro cantos da terra e se apertavam no vale de Josafá, cada um com a cor de sua religião, cada um perguntando por seu deus... Então se apresentou outro povo, uma pequena nação... Mensageiro: E vocês, quem são? De onde vêm e para onde vão? Judeu: Por acaso não nos conhece? Somos os filhos de Abraão, de Isaac e de Jacó. Viemos da Jerusalém da terra e estamos a caminho da Jerusalém celeste. Mensageiro: Pois terão de esperar. Aqui será celebrado o grande juízo. Judeu: Esperar o que? Nós fomos circuncidados em nome do Deus de Israel, o único Deus verdadeiro. Onde está Javé, o deus de nossos pais? Responda! Mas o mensageiro não respondeu. Somente apontou o vale. E os filhos de Israel, como um rebanho procurando seu pastor, também entraram e se colocaram, como todos, ao redor da tamareira... Iam cobertos com suas túnicas de listras pretas e brancas, 613 listras, tantas quantas os mandamentos que existem na lei de Moisés... Mensageiro: Vamos lá, os do fundo... vamos, vamos, apressem-se. O juízo já vai começar... E quem são vocês, se é que se pode saber? Ateu: Nós?... bem, nós somos... pessoas. Mensageiro: A que deus vocês adoraram durante a vida? Ateu: A nenhum. Nunca acreditamos nessas coisas... Mensageiro: E por que vieram então? Ateu: É isso mesmo que estamos nos perguntando. Mas, enfim, o que vamos fazer se nos empurraram até aqui?... Mensageiro: Pois entrem e sentem-se... Deus os espera. Ateu: Deus? Que deus?... Qual deles? Mas o mensageiro não disse nada e apontou para o centro do vale, onde logo depois se sentaria o grande rei para julgar todas as nações da terra... Uma multidão imensa abarrotava o vale de Josafá. Os olhos de todos estavam fixos no pequeno trono de madeira que continuava vazio. Egípcio: Mas, o que está acontecendo aqui? Até quando vão nos fazer esperar? Uma mulher: Onde está Osíris, o deus dos egípcios? Caldeu: Que Osíris que nada! Marduk! Onde está Marduk o deus dos mesopotâmios? Grego: Não entendo o que pode ter acontecido... Zeus Olímpico nunca se atrasa. Outra mulher: E muito menos Afrodite! Judeu: Javé, Deus de Israel, abre os céus e desce depressa! Onde estás? Onde te escondes? Ateu: Bem que a gente dizia que não existe deus. O trono ficará vazio. Mensageiro: Silêncio! Silêncio!... Façam silêncio, por favor! O mensageiro correu e voltou a subir no pináculo da muralha de onde se avistava todo o vale, agora coberto por aquele mar de cabeças que esperavam impacientes... Mensageiro: Calem-se, caramba, que aí não há quem julgue ninguém!... Vamos, deixem-no passar!... Não percebem que ele já chegou?... Abram o caminho para ele! Mas a multidão continuou discutindo e invocando cada um a seus deuses. E não se deram conta daquele rapaz magro, com a túnica cheia de remendos, que foi abrindo caminho entre todos... Levava em sua mão um bastão de viagem e parecia muito cansado... Ao fim, depois de muitos empurrões, o rapaz conseguiu chegar até o centro onde estava a tamareira de folhas brilhantes... Enxugou o suor, aproximou-se do banco... e se sentou. Romano: Vejam, quem é aquele atrevido que se assentou no trono do Altíssimo? Uma mulher: Ei, você, pé-de-chinelo, o que está fazendo aí? Está meio tonto por causa do calor? Pois fique em pé como todos nós, caramba, porque você não é melhor do que ninguém...! Veja só esse sujeitinho! Então o mensageiro, tocando a trombeta, conseguiu um pouco de silêncio. Mensageiro: Vai começar o juízo das nações! Que todos tirem as túnicas, as capas e os turbantes, a roupa toda! Judeu: Mas, o que este maluco está dizendo? Se tirarmos nossos trajes, ninguém vai saber quem é quem, não é? Uma mulher: Eu digo que devemos ficar juntos, mas não revoltados! Mensageiro: Calem-se e obedeçam! Rangendo os dentes, a multidão obedeceu àquela ordem e, num canto do vale se ergueu uma torre com os trajes amarelos, com as capas vermelhas e os turbantes azuis, com as túnicas de todas as cores... O mensageiro regou a torre com enxofre a ateou fogo... Num instante, num estalar de dedos, a fumaceira se elevou até o sol e só sobraram cinzas... E todos os homens, os grandes e os pequenos, os que haviam viajado do oriente e do ocidente, do norte e do sul, ficaram de cueiros diante do trono de Deus... Então o rapaz magro que estava sentado à sombra da tamareira, se pôs de pé, apoiado em seu bastão, e começou a falar... Rapaz: Amigos, perdoem-me por tê-los feito esperar... é que... acabo de sair da prisão e estava um pouco cansado... estava preso há muitos anos, indo de um cárcere a outro... e há muitos anos pedindo trabalho, batendo de porta em porta... Sim, trabalhei no campo, mas a fazenda não era minha... Semeei durante séculos sobre a terra alheia... Suei em tantas oficinas, dobrei o lombo em tantos teares, engoli o pó em muitas minas... e, para quê? Para ganhar um par de moedas e continuar passando fome. E continuar dormindo no chão, sem cobertor... e tremer de febre sem ter um trapo para jogar por cima... Caminhei muito pelo mundo. Nasci em muitas choças e morri em todas as guerras... Atravessei montanhas de miséria até chegar hoje aqui... Naveguei rios de lágrimas até chegar a vocês... Vocês se lembram de mim, não é mesmo?... Ou será que não sabem quem eu sou?... Não me reconhecem? Então se fez um silêncio de cerca de meia hora...Todos os habitantes da terra, amontoados no vale de Josafá, tentaram se lembrar de onde haviam visto aquele rapaz, porque seu rosto parecia muito conhecido, muito familiar... Egípcio: Mas, aquele não é o Martim, que chegou naquela noite pedindo um prato de sopa? Ateu: Não, homem, não, aquele é o Lalo, o sujeito que se meteu na greve dos camponeses e depois apanhou pra valer... Uma mulher: Mas que coisa curiosa! Eu conheci uma viúva que era igualzinha a ele! Enquanto todos discutiam, ouviu-se uma voz profunda, como a voz de muitas águas, que vinha de cima, de junto do sol... Deus: O que fizeram com ele, fizeram comigo. O que deixaram de fazer com ele, deixaram de fazer comigo. Então o rapaz que estava sentado no banco, sobre a pele do cordeiro, levantou o bastão que tinha na mão. Era como o cajado de um pastor. E com aquele cajado separou a imensa multidão que tinha diante de si, uns para um lado, e outros para o outro... Caldeu: Escute, você, espere, e todos os sacrifícios que eu fiz em honra de Deus, heim? Uma mulher: E as orações que rezamos dia e noite? Grego: Eu queimei incenso, acendi velas, entrei em todos os templos e me ajoelhei diante de todos os altares! Mas o rapaz, com o cajado na mão, respondeu... Rapaz: Nada disso conta agora. Judeu: Senhor, Senhor, em seu nome falamos, em seu nome pregamos, em seu nome até fizemos milagres! Rapaz: Quem é você? Eu não o conheço. Judeu: Como não me conhece? Como pode dizer isso? Eu era o sumo sacerdote do Templo! Egípcio: E eu fui doutor e mestre da Lei! Romano: E eu fui rei de quatro impérios! Então o rapaz tornou a responder... Rapaz: Nada disso conta agora. Então o céu voltou a abrir-se e se escutou novamente a voz profunda do Deus escondido, do único Deus verdadeiro cujo nome é mistério e a quem nenhum mortal jamais viu... Deus: Os deste lado, vão para fora. A vocês não importou a fome nem o frio nem a miséria de seus irmãos. Saiam daqui... Vocês sim, venham comigo. Vocês os que me viram com fome e me deram de comer. Os que me viram sedento e me estenderam um copo de água. Os que me abriram as portas de suas casas quando andava procurando um teto para passar a noite. Os que me fizeram companhia quando estava doente, quando estava preso... Os que lutaram pela justiça... Os que amaram seus irmãos... Não importa a que Deus tenham adorado... Venham comigo! Então o mensageiro correu, subiu na muralha e tocou a trombeta pela última vez... Mensageiro: O Juízo está terminado! Começa a Eternidade! E, do alto do pináculo, o mensageiro de Deus viu como todos os homens do mundo formavam agora dois grupos, apenas dois... E se punham a andar pelos caminhos, apenas dois... Era já o entardecer e o vale foi ficando novamente vazio, como no princípio. Esta história nós ouvimos Jesus contar no átrio do Templo de Jerusalém, junto à Porta Dourada, a que dá para o vale do Cedron, e que nossos conterrâneos chamam também de vale de Josafá... A parábola “do juízo final” é uma das mais importantes do evangelho. Fala do dia final da história, da sentença definitiva de Deus para os seres humanos. Na mentalidade popular, o juízo final aparece adornado com uma multidão de lendas e representações plásticas. A descrição que Jesus faz no evangelho deste último dia é transcendental para entender a novidade da mensagem evangélica. Estamos diante de um dos textos básicos que resume aspectos essenciais da teologia cristã. A tradição de Israel situou no chamado “vale de Josafá” o lugar onde se celebraria o juízo final (Joel 4, 2 e 12). Josafá significa “Deus julga”. Mas este lugar era só um sítio simbólico e não geográfico. Há uns quatrocentos anos depois de Jesus, começou-se a identificar este vale de Josafá com o vale do Cedron, que separa o monte das Oliveiras, da zona sudeste de Jerusalém. Baseados nesta tradição, há várias gerações, muitos israelitas quiseram enterrar-se no vale do Cedron. Atualmente, esta zona que rodeia as muralhas de Jerusalém é um extensíssimo cemitério. Inumeráveis sepulcros se orientam para as portas da cidade santa. Ali os fiéis judeus mortos nesta crença esperam ser os primeiros a ressuscitar no dia do juízo das nações. A imagem de grandiosidade que às vezes fazemos do que será o juízo foi praticamente suprimida neste episódio. Os anjos de Deus não são mais que pequenos mensageiros de voz infantil, a solene trombeta é uma corneta rouca, o trono de Deus é um banco de madeira etc. A solenidade da palavra definitiva de Deus ao final da história humana se dará no que é mais simples, no mais elementar, no mais pobre. Como aconteceu em Jesus – onde Deus se revelou a nós de forma definitiva - o juízo será também a confirmação do evangelho: Deus presente nos pobres, Jesus identificado para sempre com eles. Os povos que são mencionados neste episódio são os que no tempo de Jesus ou em séculos anteriores haviam influenciado mais o curso da história. Os gregos e os caldeus criaram duas das maiores culturas da antiguidade. Dominaram a astronomia, a aritmética, a arquitetura... Entre eles houve grandes sábios e filósofos. Mais próximos do tempo evangélico estão os gregos, pais de uma civilização que influenciou decisivamente toda a Europa, com importantíssimas descobertas em todos os campos: na medicina, na história, na filosofia, nas matemáticas, na física, na biologia, na política etc. Contemporâneos de Jesus eram os romanos, que se destacaram principalmente no direito, na arquitetura, na organização militar. O outro grande povo mencionado no juízo é o próprio povo de Jesus, o povo de Israel, que trouxe à humanidade, entre outras muitas coisas, a fé inabalável em um único Deus que intervém na história. Para nosso tempo seriam outros os povos convocados: os norte-americanos, os russos, os chineses, os japoneses, os alemães... se considerarmos só as grandes potências políticas e econômicas. Se nos fixarmos nos grandes grupos religiosos, estariam os cristãos (católicos, protestantes e ortodoxos), os muçulmanos (povos árabes de diferentes nacionalidades), os judeus (fiéis ainda hoje a muitas tradições e leis do povo em que nasceu Jesus). Entre esses povos – como também aparece no episódio – estariam também os ateus, os que não têm fé em Deus, nem na vida depois da morte. Na hora do juízo final não importarão as diferenças de raças, nações ou idéias. Não importará o que se acreditou ou o que se deixou de crer – com a cabeça ou com a boca – mas o que se fez ou se deixou de fazer pelos outros. Isso unificará todos os seres humanos. De todos os tempos. Não haverá então roupagens de cores diferentes. Todos estarão nus diante de Deus com um único traje: suas obras de justiça. Há três idéias teológicas essenciais neste texto evangélico do juízo final. A primeira é que o sentido da vida humana é a fraternidade, a união entre os homens. Fomos feitos por Deus para isso: para sermos irmãos. E sobre isso serão julgadas nossas vidas. Seremos julgados pelo amor que tenhamos tido aos demais e pela capacidade que tenhamos desenvolvido de criar no mundo condições fraternais de vida. Em segundo lugar, este amor não é uma idéia abstrata, um bom sentimento, uma palavra carinhosa. São obras concretas: dar de comer, vestir, visitar na prisão... E fazer tudo isso não necessariamente “por amor a Deus”. Basta que se faça por “amor ao outro”. Se realmente for assim, se estará fazendo a plenitude e segundo a vontade de Deus. E esta é a terceira idéia básica: Deus não nos julgará pelo que tenhamos feito “a ele”. Ninguém ama a Deus diretamente, nem ofende diretamente a Deus. Nós o amamos e o ofendemos no nosso irmão (1Jo 4, 19-21). A pessoa humana é o sacramento de Deus, a necessária mediação e o único caminho para chegar a ele. Ninguém será julgado por sua doutrina, pelas idéias que teve sobre a religião, pelos dogmas em que acreditou. Essas diferenças que existem hoje entre as diferentes religiões e grupos não são fundamentais. Um diálogo profundo e sério nos faria ver já agora o quão próximos podemos estar uns dos outros, se nos dermos conta. Ninguém será julgado tampouco pelos atos de culto dirigidos a Deus: orações penitências, promessas, novenas, jaculatórias, primeiras sextas-feiras, escapulários, velas. Isso não contará no final. Só contará o dar de comer, o dar de beber, o dar de vestir... Coisas tão simples e tão básicas, as elementares “obras de misericórdia” salvarão o homem. Jesus – e isso é essencial na sua mensagem – considerará como feito a ele mesmo – e por ele ao próprio Deus – o que se tenha feito pelo homem. É preciso evitar a interpretação deste amor e deste serviço em uma dimensão puramente individualista. Nosso próximo não é só o homem e a mulher individuais. É, e hoje mais que nunca, o homem na coletividade. São as maiorias, a classe social explorada, a raça marginalizada, o povo oprimido. Já Pio XII falava de uma “caridade política”. Dar de comer, não dar um prato de comida, por mais que às vezes isso seja urgente e necessário. Dar de comer é possibilitar que os povos comam e para isso é necessária mais que a beneficência, mas a transformação das estruturas econômicas que impedem que hoje todos possam comer. O mesmo poderíamos dizer de todos os atos de serviço pelos quais Deus julgará os homens. Se encontramos Deus em nosso irmão, o lugar privilegiado para esse encontro é o irmão empobrecido e despojado de sua própria condição humana pela ambição de outros homens. No final da história, Jesus, o pobre, nos julgará em nome de todos os pobres. O sentido último da história passa por eles. Nosso compromisso com eles determinará nossa salvação ou nossa condenação definitiva. (Mateus 25, 31-46)
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