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Capítulo LIV A HORA DE JERUSALÉM Aquele inverno passou rápido como uma flecha. Nos galhos da amendoeira surgiram os primeiros brotos. O campo começava a cobrir-se de flores e o ar limpo da nova primavera perfumava a planície de Esdrelon... Naquele dia, enquanto comíamos na casa de Pedro... Pedro: O que foi, Jesus?... Está sem apetite? Rufina: O moreno está com umas olheiras, como se não tivesse pregado o olho a noite toda... Jesus: E não preguei, Rufina... Mas, não é nada. Acontece que eu precisava ver com mais clareza... Na verdade, venho rezando há vários meses, pedindo a Deus que nos aponte o caminho e... Pedro: E então...? Jesus: Companheiros, parece-me que a hora chegou. Tiago: A hora de que, Jesus? Jesus: De ir a Jerusalém. Já é hora de que também na capital, no coração deste país, os pobres se unam para compartilhar o que possuem, e assim enfrentar o velho mundo que está se acabando. Sim, o que dissemos tantas vezes por esses rincões da Galiléia, vamos repetir sobre os tetos da cidade grande. Pedro: Ei, Rufi, você não pôs muita pimenta nesta sopa?!... Jesus está soltando fumaça! Judas: Muito bem, moreno, então, quando pegamos a estrada? Jesus: O quanto antes, Judas. Deus tem pressa. Há muita miséria no país. Herodes abusa demasiadamente no norte e os romanos abusam demasiadamente no sul. E, enquanto isso, Caifás e os sacerdotes de Israel ficam falando de paciência. Companheiros: a paciência acabou! É hora de pôr fogo no rabo de todas essas raposas, como Sansão fez aquela vez, e que tudo se queime! Judas: Isso mesmo! Não há que ter medo do fogo. A cinza é o melhor adubo que existe! Rufina: Vocês é que vão virar adubo! Estão ficando loucos? Da última vez, quase os levaram presos e já querem voltar a Jerusalém? Isso é o mesmo que meter a cabeça dentro da boca do leão! Jesus: Claro que sim, Rufina. É isso mesmo que vamos fazer. Sansão também meteu a cabeça, mas o Senhor lhe deu a força de que precisava para quebrar a queixada do leão. Deus também não nos faltará quando estivermos em Jerusalém, tenho certeza disso! Tomé: Pois eu-eu tenho ma-mais certeza dos caninos do leão, ma-mas enfim, se temos de ir, va-vamos. Pedro: E vamos logo! A Páscoa já está perto! Judas: Temos que aproveitar o momento, companheiros. Durante a festa é quando há mais gente na cidade. Pedro: E é quando todas as raposas se reúnem na toca. Pôncio Pilatos vem de Cesaréia, Herodes vem de Tiberíades. Todos se juntam em Jerusalém para celebrar a Páscoa. Jesus: Pois nós também iremos. Mas não só para relembrar a liberdade de nossos avós, quando saíram do Egito, mas para começar uma nova libertação. Porque continuamos sendo escravos. Porque os faraós continuam aí, sentados nos palácios de Jerusalém. Temos que ir lá e jogar na cara deles todos os seus abusos, como fez Moisés! Todos: É assim que se fala, moreno! Muito bem! Jesus: Então, avisem todos! Os do grupo e todos os do bairro que quiserem vir conosco. Vamos subir para Jerusalém. E não vamos para jogar água, mas para botar fogo! Em poucos dias, alvoroçamos todo o bairro dos pescadores, convidando os vizinhos para irem a Jerusalém. Vieram também muitos homens e mulheres do vale de Séforis e de outros povoados do interior. A cidade de Cafarnaum se transformou num vespeiro. Já não se falava em outra coisa que a viagem à capital no mês de Nisan... Pedro: Juntem-se a nós, companheiros. Chegou a hora de subir a Jerusalém! Você, conterrâneo, o que acha? Vem ou não vem? Um homem: É claro que vou! Não vou perder essa briga nem por todo o ouro do bezerro de Aarão! Pedro: E a senhora, dona Ana, o que está esperando? Vamos, apresse-se! Uma mulher: Apresse-se você, Pedro-pedrada, e deixe a conversa mole para outro momento. Mas, explique-me uma coisa: o que vocês vão fazer lá na capital? Que diabos vão aprontar por lá? Brigar, rezar, divertir-se? Pedro: Ai, dona Ana, ainda não tive tempo de pensar nisso! Mas não se preocupe, que Jesus sabe o que faz! Vamos com ele e lá veremos o que vamos fazer! Pode crer, vizinha, esse moreno é o Messias que nossos avós esperaram tanto tempo! Mulher: Mas, o que você está dizendo, seu abestado? Pedro: O que todo mundo diz, que Jesus libertará Israel e quebrará o focinho de todos os sem-vergonhas que riem de nós. Com Jesus à frente, conquistaremos a capital e todas as cidades do país! Mulher: Ah, é mesmo? Se esse moreno é o Messias, onde é que está a espada dele? Pedro: Escondida, caramba! Se ele a mostrar antes da hora, os romanos o farão engoli-las com bainha e tudo. Viva o Messias! Todos: Viva, viva! Pedro: E então, dona Ana?... Sim ou não? Uma mulher: Não e não. Não vou. Eu estou doente. Pedro: Que doente que nada! Você tem joelhos fortes para caminhar até Jerusalém! Mulher: Mas, você está louco, Pedro? Se eu for a pé até lá, vocês terão de me trazer de volta num saco de farinha. Não contem comigo. Estou doente. Pedro: Doente nada! Acontece que você está com medo, não é? Dona Ana, pense bem, sobre os covardes não se escreveu nada na história. Mulher: E sobre os valentes se escreveu muito, mas eles não puderam ler porque tinham formigas na boca. Jesus: Vamos Simeão, anime-se e venha conosco. Precisamos de gente como você, caramba, com pêlo no peito! Simeão: Não, até que por mim eu iria, Jesus, mas... Jesus: Mas, o quê? Simeão: Minha família. Você sabe como é lá em casa... Minha mãe se preocupa muito comigo... Jesus: E você se preocupa muito com sua mãe, e já vai completar trinta anos e ainda não cortou o cordão do umbigo. Simeão: Olhe, Jesus, vamos fazer uma coisa. Eu vou conversar com meus pais sobre esse assunto... para eles irem fazendo uma idéia do que se trata... Devagarzinho, entende? Jesus: Olhe, Simeão. Você acabou de decidir. Vai acontecer com você o mesmo que a um vizinho meu de Nazaré que saía para semear e agarrava o arado. Mas quando ia abrindo o sulco, voltava a cabeça de um lado para o outro, para cumprimentar todos que passavam pelo caminho... E, claro, no final ficava com o pescoço torto e os sulcos mais tortos ainda. Simeão: Mas, Jesus... Jesus: Simeão, quando se põe a mão no arado, é preciso olhar para frente. E nada mais. Jesus: Escutem, amigos: se um pedreiro vai levantar uma torre, primeiro não conta quantos tijolos tem para não ter que parar no meio da parede? Ou, se um rei declara guerra a outro rei, primeiro não conta os seus soldados? E se ele tem dez mil e fica sabendo que seu inimigo tem vinte mil, antes de começar a batalha manda um mensageiro para fazer as pazes, não é mesmo? Nós vamos a Jerusalém, sim, mas... com quantos soldados contamos? Um morador: Aqui tem um! Só preciso do uniforme! Jesus: O uniforme é um bastão e um par de sandálias, companheiro! Morador: Então já estou pronto! Irei com vocês a Jerusalém! Jesus: E depois? Morador: Como, depois? Jesus: É que Jerusalém é só o começo! Morador: Irei com você para qualquer lugar, fique tranqüilo. Jesus: Está disposto a deixar o ninho? Morador: Que ninho? Jesus: O seu. Aquele que todos fabricamos para dormir quentinhos. Morador: Por isso, não. Eu pego minha esteira e durmo numa boa! Jesus: E se não tivermos esteira? Morador: A gente arranja alguma pedra para se encostar. Jesus: E se tirarem a pedra? Morador: Então eu durmo em pé, diacho! As mulas não fazem assim, e parece que se saem muito bem! Jesus: Você é um dos nossos, sim senhor! Podemos contar com você! Júlio: Escute, Jesus, eu também quero ir com vocês. Jesus: Pois então, venha. Quem lhe disse que não? Júlio: Ninguém, mas... estou com medo, essa é a verdade. Você bem sabe que mataram meu pai quando eu ainda era pequeno. Minha mãe ficou viúva, com cinco filhos e nenhum centavo. Meu pai foi um valente, sim, mas... o que ele conseguiu? Isso já faz muitos anos e, de lá pra cá, as coisas não mudaram nada... Jesus: Seu pai perdeu a vida, mas não deve ser por isso que você deva perder a esperança. Se a perder, estará mais morto que seu pai. Júlio: Sim, talvez seja isso. Mas, sinceramente, estou com medo. Eu sei como essas coisas são. Quem mexe com fogo, acaba se queimando. Jesus: Mas produz luz. De fato, Júlio, a vida a gente ganha quando a perde. Meu pai José também perdeu a vida por ajudar uns infelizes que fugiam de uma matança injusta. Sua vida foi curta, mas valeu mais que a de outros que se protegem tanto que acabam cheirando à traça. Seja corajoso, homem! Pedro: Com esse rapaz não se pode contar, Jesus. Deixe-o pra lá! Está com medo. Jesus: E você não, Pedro? Pedro: Eu? Medo eu? Rá! Fique sabendo que eu nunca encolhi o umbigo. Olhe, Jesus, nós já estamos metidos até o pescoço nesta história de Reino de Deus. Deixar por deixar, já deixamos tudo, até o medo! Acho engraçado esse pessoal que quer montar no barco na última hora. No início, quando tudo começou, nos olhavam como a um bando de malucos. E agora, todos querem vir a Jerusalém. Jesus: Pois quanto mais vier melhor. Você não acha, Pedro? Pedro: Sim, claro, mas... não pode furar a fila. Nós já estamos remando este barco há muito tempo, não é mesmo? Eu penso, moreno, que quando conquistarmos Jerusalém e cantarmos vitória... tem que sobrar algo de especial para nós... Jesus: Algo de especial, Pedro? Pedro: Jesus, veja se me entende... não é que a gente faz isso por interesse, mas... Jesus: Ah, estou entendendo. Fique despreocupado, Pedro. Eu lhe prometo cem por um. Para cada problema que você tinha antes, agora terá cem problemas mais. E cem brigas mais e cem perseguições. Pedro: Bem, moreno, eu acho que quem rói o osso, tem direito de comer da carne, não? Todo mundo gosta de sentar-se à cabeceira... Jesus: Mas, Pedro, onde já se viu o empregado pegar a cadeira do patrão? Pedro: Não, o que estou dizendo é que... Jesus: Você não disse nada. Quando acabarmos de fazer o que Deus nos mandou, você e todos nós diremos uma coisa só: a tarefa está terminada, cumpri com meu dever. E nada mais. Durante aquela semana de vai e vem por Cafarnaum para avisar a todos, Jesus não se cansava de falar com as pessoas... Jesus: Eles vão dizer que estamos dividindo e agitando o povo. Pois isso é verdade. De agora em diante, até numa família haverá divisão: se houver cinco, estarão divididos, três contra dois, dois contra três, e o filho estará contra o pai e a filha contra a mãe e a sogra contra a nora. Porque ninguém pode mais cruzar os braços. O que não recolhe, esparrama. O que não luta pelos pobres, luta contra os pobres e faz o jogo dos de cima. Todos: Muito bem, Jesus! Assim é que se fala, moreno! Jesus: Amigos, Jerusalém nos espera! Deus estará conosco em Jerusalém e nos libertará da escravidão como libertou nossos avós do jugo do faraó! Nós também atravessaremos o Mar Vermelho e sairemos livres! Nunca havíamos visto Jesus tão inflamado como naqueles dias. Seus olhos brilhavam como os do profeta João, quando gritava no deserto. Como João, falava com pressa, como se as palavras se apertassem em sua garganta, como se lhe faltasse tempo para dizê-las todas e fazê-las chegar até os ouvidos dos humildes de nosso povo. O tema da “hora” de Jesus é de muita importância no quarto evangelho. Com esta palavra, João designa o momento culminante da vida de Jesus, que se inicia com sua última viagem a Jerusalém. A “hora” é para a teologia de João, o momento em que Deus vai intervir de forma definitiva, o momento da consumação da Missão do Messias (momento final, escatológico). É o momento da glorificação de Jesus e da irrupção do Reino de Deus na história. Tudo isso que soa grandiloqüente, poderia ser expresso assim: O compromisso assumido por Jesus no momento de ser batizado no Jordão vai chegar até às últimas conseqüências. Até à entrega da vida. Não devemos ver nisso nada de fatalismo. Como se Jesus tivesse preparado toda sua atuação para este momento e houvesse ido a caminho da morte, sabendo de antemão tudo o que ia acontecer. Não, Jesus desenvolveu uma atividade, teve projetos e planos, e neste episódio aparece um deles, que depois seria seu último plano: sacudir com a boa notícia do Reino de Deus os alicerces de Jerusalém, cidade satisfeita e injusta que era o centro do poder religioso e sócio-político daquele tempo. Na pessoa de Jesus, em sua psicologia, em suas palavras, em suas ações descobre-se continuamente um elemento dominante: a pressa, a urgência. Do ponto de vista puramente histórico, Jesus se nos apresenta como um homem que acreditou na chegada iminente do Reino de Deus. Viveu convencido de que a intervenção definitiva de Deus em favor dos pobres se realizaria imediatamente, que os tempos finais estavam à porta. Por isso, para ele, cada minuto era precioso. Por causa desta urgência que o inspirava e impulsionava fala como fala: de guerra, espada e fogo. Tenta sacudir os que estão adormecidos e acreditam que há tempo de sobra. Muitas palavras e parábolas de Jesus precisam ser situadas neste ambiente de crise em que ele viveu historicamente e na crise futura e final que ele via como iminente e necessária para a chegada da justiça de Deus. Isso não nos deve fazer pensar em Jesus como um iluminado fanático, semelhante a esses pregadores de catástrofes, que ainda percorrem as ruas e povoados assustando as pessoas. Mas tampouco se pode esquecer esta visão que Jesus teve frente à sua época, se quisermos ser fiéis aos dados que o evangelho nos transmitiu. No momento em que Jesus empreende sua última viagem a Jerusalém, já é conhecido como profeta, tanta na Galiléia como na capital. Jesus conta com o apoio das pessoas do povo e conta também com o ódio e perseguição dos dirigentes. Sua aposta para ir a Jerusalém parte dessas duas certezas: sabe o que está arriscando, sabe também a importância do gesto profético que pode realizar em Jerusalém, no próprio Templo. Conta com a morte, mas está convencido de que a vitória será de Deus. Sabe que o Reino só se conquista com risco e dor e está disposto a pagar esse preço confiando no poder de seu Pai. Como se pode ver, aqui não há fatalismo, mas lucidez a respeito das forças que estão em jogo, coragem para o risco, confiança cega – mas não iludida – no poder de Deus, mais forte que todos os poderosos. Neste ambiente de urgência situam-se as “vocações” de três conterrâneos de Jesus. Ao primeiro, propõe a comparação do arado. Os primitivos arados da Palestina exigiam do camponês uma atenção máxima no trabalho, pois qualquer descuido poderia estragar tudo. É um sinal do que supõe a vocação para o Reino: compromisso contínuo e com todas as suas conseqüências. Uma atitude frívola não serve para uma tarefa que traz tantos riscos. Ao segundo, pede austeridade. Não “ter onde reclinar a cabeça”. A vocação exige renúncia: à própria comodidade e à própria tranqüilidade. Finalmente, a vocação exige estar disposto a dar a própria vida (Mt 16, 24-26), superar o medo de morrer. Nada torna o homem mais livre. Homens e mulheres de qualquer estado social são chamados para o trabalho do Reino. Cada um o fará a partir de sua situação familiar, social ou profissional. No entanto, não há maior perfeição no monastério do que na rua, nem mais cristianismo num padre do que num leigo. Todos os textos que no evangelho se referem a vocações são um chamado para todo o povo de Deus. Jesus pediu a todos o mesmo compromisso. Este compromisso – e Jesus o sabia bem – traria dores e sofrimentos. Não se deve sair procurando por eles, pois eles virão dos que se opõem ao projeto de Deus. Quando se diz que Jesus é sinal de contradição, é preciso levar isso muito a sério. Sua pertença do mundo dos pobres e o fazer deles os destinatários da mensagem do amor de Deus, fizeram dele uma pedra de escândalo. Nela tinham de tropeçar necessariamente os poderosos e os sábios do seu tempo. Não podiam tolerar tudo o que Jesus fazia e dizia, colocando absurdamente o nome de Deus no meio, fazendo de Deus o último responsável. Jesus era plenamente consciente das animosidades que essas atitudes despertavam (Mt 10, 34-35). A vocação é algo mais que o simples desejo de ser bom (de ser “perfeito”, como às vezes se formulou). É orientar toda a vida de forma radical a uma direção que se torna difícil, conflitiva, nada tranqüilizadora. Jesus veio trazer a espada, não a paz (Mt 10, 34). O caminho supõe tensões, renúncias, decisões firmes. Também estratégias inteligentes (Lc 14, 28-33). E não dar demasiada importância ao que se faz (Lc 17, 5-10). Por vezes, interpretou-se que a “vocação” é só uma coisa de padres e freiras. Mas a maior parte dos textos que fazem referências aos chamados de Jesus – também os deste episódio sobre o “cem por um” (Mt 19, 27-29) – foram monopolizados pelos religiosos. Isto é errado. Homens e mulheres de qualquer estado social são chamados ao trabalho pelo Reino. Cada qual o fará a partir de sua situação familiar, social ou profissional, mas não há maior perfeição no monastério que na rua, nem mais cristianismo em quem é padre ou em quem é leigo. Todos os textos em que o evangelho se refere a vocações são um chamado para todo o povo de Deus. Jesus pediu a todos o mesmo compromisso. Este compromisso – e Jesus o sabia bem – trará dores e sofrimentos. Não que se deva sair à sua procura, mas que eles virão a partir daqueles que se opõem ao projeto de Deus e os sábios do seu tempo. Não podiam tolerar tudo o que Jesus fazia e dizia, colocando absurdamente o nome de Deus no meio, fazendo de Deus o último responsável. Jesus era plenamente consciente das animosidades que suas atitudes despertavam (Mt 10, 34-35). (Mt 8, 18-22; Lc 9, 57-62)
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