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Capítulo XLII POR CAMINHOS DIFERENTES Junto à grande praça de Cafarnaum, o bairro dos pescadores, encontra-se o poço que chamam “dos murmúrios”. À cada manhã, quando o sol assoma pelo horizonte, as mulheres se reúnem ali para apanhar água... Uma moradora: Mas, comadre, você já reparou na cara daquela moça? Que olheiras mais fundas!... E a língua calada. Nem uma palavrinha durante todo o tempo em que esteve aqui... Justo ela que é sempre tão faladeira! Velha: “Mal de amor, comadre, mal de amor”... Essa moça é jovem demais para ter alguma doença... Deve estar apaixonada... Não reparou como suspirava, quando foi embora? Salomé: Bom dia para todas! Acordaram bem, vizinhas? Outra moradora: Com vontade de trabalhar, dona Salomé, enquanto tiver saúde... Moradora: E além disso estamos aqui comentando a respeito da Raquelzinha... Salomé: E o que acontece com a Raquel? Velha: Mas, será possível, Salomé que você não reparou nada naquela cara, já faz algum tempo? Parece que nem tem sangue no corpo e fica assim abobada, olhando as moscas... Vizinha: Você fala com ela e ela não está nem aí... Entra por um ouvido e sai pelo outro... Salomé: Vai ver, está doente... Vizinha: Doença coisa nenhuma. É o amor. Essa menina anda apaixonada... E você mais do que ninguém devia saber... Salomé: Mas, por que você está dizendo isso? O que eu deveria saber dos amores dessa moça? Vizinha: Dona Salomé, é sério que você não reparou em nada? Raquel está caidinha por Jesus, o nazareno... Não me diga que você não percebeu como ela fica olhando para ele quando ele fala...? Outra vizinha: E diga se não é verdade que nesta semana ela tem ido à sua casa um dia sim e outro também... a troco de que...? Salomé: A menina precisava de um pouco de sal e veio me pedir... Velha: E no dia seguinte queria um tomate... Vizinha: E no outro um pouco de farinha... Salomé: É, foi isso mesmo... Vizinha: Mas, Salomé, será que você não enxerga? Não percebe que ela sempre aparece por lá para ver se topa com Jesus, em sua casa? Vizinha: E também fica andando lá pelo cais, como uma tonta, pra cima e pra baixo só para ver se ele não está com seus filhos... Está apaixonada por ele. E não consegue esconder. Salomé: Mas, será possível que isso é verdade? Vizinha: Claro que é possível. Comece a prestar atenção e verá que temos razão... E depois, conte tudo pra gente, está bem? Raquel: Bom dia, dona Salomé! Salomé: Bom dia... Ah, é você...Entre, entre... O que houve?... Está querendo alguma coisa, Raquel? Raquel: Dona Salomé, estou precisando de um pouco de azeite... Salomé: Ah, é? O seu acabou? Raquel: Bem, ainda tenho um pouquinho, mas não dará até amanhã... A senhora sabe que é melhor prevenir do que remediar... Salomé: Claro, claro... Bem, mas entre um pouco, não fique aí parada na porta... Raquel: A senhora... a senhora está sozinha? Salomé: Estou, filha, os rapazes e o velho Zebedeu estão pescando, como sempre. Raquel: Sim, claro, trabalhando... Salomé: Tem que trabalhar pra poder comer, minha querida... Assim disse Deus desde o princípio: ganhar o pão com o suor do rosto... Raquel: E... e não há mais ninguém por aqui, não é?... Então vou indo... Salomé: Mas, filha, e o azeite que você pediu? Raquel: Ui, que cabeça... Com tanto trabalho que tenho em casa, fico toda esquecida... Dez irmãos pequenos dão muito que fazer... Salomé: Mas, não tenha tanta pressa, minha filha... Por que não se senta um momento para conversarmos um pouco...? Assim você descansa um bocadinho... Raquel: Bem, mas... Salomé: Nada de mas... Sente-se aqui... É, eu também vou me sentar... Ai, Raquel, menina, como eu gostaria de ter uma filha como você para poder conversar com ela... Mas, os dois foram homens, você sabe. Quando você tiver filhos, menina, peça a Deus que lhe dê as duas coisas: machos e fêmeas. São os homens que ganham o pão, mas somos nós que o amassamos... Raquel: Ui, dona Salomé, até que eu tenha filhos... Tem que chover muito até que isso aconteça... Salomé: Não, menina, você já está na hora de casar... E... e tenho certeza de que você pensa nisso muitas vezes, não é mesmo?... Raquel ficou mais vermelha do que o lenço que tinha na cabeça, e ficou calada. O coração saltava-lhe dentro do peito. Salomé: Olhe aqui, minha filha, eu... eu quero ajuda-la. Conte-me tudo. Você não tem mãe e por isso precisa contar a alguém o que vai dentro de você... Raquel: Dona Salomé... ai, dona Salomé... já faz um mês que não consigo dormir e... Salomé: E de noite, quando não dorme... fica pensando nele... Em Jesus, não é mesmo? Raquel: Mas, como a senhora ficou sabendo? Salomé: Ai, filha, o amor é como um sino. Faz barulho demais para que os outros não percebam. Raquel: E a senhora acha, dona Salomé, que isso é alguma coisa errada? Salomé: Não, Raquelzinha, errada por que? Você está é apaixonada. Eu ficaria tão contente se esse rapaz se interessasse por alguma mulher e se casasse de uma vez... Esse moreno carrega tanta vida dentro de si, e no entanto está sozinho... Eu acho que isso não está certo... Raquel: A senhora acha, dona Salomé, que ele está interessado por mim...? Salomé: Bem, filha, esse Jesus é meio estranho, e isso eu não saberia dizer... Mas, fique tranqüila. Eu vou ajudar você. Eu sei como provocar uns comichões nesse moreno, para saber o que ele pensa... Já está vivendo com a gente uma boa temporada e cada vez eu o conheço mais... Sim, deixe isso comigo... Salomé: Velho, você tem que falar com Jesus. E bem claro... Zebedeu: Está bem, vou falar. Se você está dizendo que esta moça vale a pena... Salomé: Raquel é boa, trabalhadora e carinhosa... E, além disso, é muito bonita. E parece que gosta muito dele. O que mais o moreno vai querer? Zebedeu: Ah, velha, Jesus é Jesus, a gente nunca sabe... Mas está bem, eu vou falar com ele. De homem pra homem. Vamos saber por que esse camarada não se casa. Esta é uma pergunta que me faço todas as manhãs quando o vejo ir para a praça a procura de trabalho... E ao chegar a noite, volto a faze-la e nada!... Bah, acho que ele é meio maluco! Zebedeu: E aí, Jesus? Jesus: Como está Zebedeu? Zebedeu: Já faz uns dias que estou procurando um momento para falar com você. Devagar e claramente... Jesus: Mas, o que está havendo? Zebedeu: Jesus, quero falar com você, como um pai, como um amigo... Eu gosto muito de você, rapaz, e, para ser sincero, de homem pra homem, não entendo por que... por que você não teve mulher e continua não tendo, caramba! Jesus: Ah, era isso...? Zebedeu: Sim, era isso. O que você me responde? Jesus: Pois, eu não sei... Pensava que você ia dizer para deixar de me meter em tanta confusão, e você me vem com essa... Não esperava... Zebedeu: Escute bem, rapaz, a vida passa voando e as energias de um homem se esgotam mais depressa do que você imagina... Você está sempre falando de Deus, do que Deus quer... Pois bem, se Deus pôs no homem a semente da vida, foi para semeá-la na mulher, e não para que ela ficasse estéril. Não é mesmo? Jesus: Sim, você está certo. Deus gosta de ver árvores cheias de frutos. Zebedeu: Então, por que diabos você continua sozinho...? Jesus: Mas eu nunca estou sozinho, Zebedeu. Desde que começamos com o grupo a trabalhar nesta história de Reino de Deus, o que mais me sobra é gente ao redor... Zebedeu: Não, não, não pense que vai escapar como um desses peixes voadores, condenado... Eu digo “sozinho”. Sozinho de noite. Sozinho, mulher, sem filhos... Você sempre andará rodeado de gente, mas uma coisa não exclui a outra... Não venha querer me enrolar agora... Sabe o que é, Jesus, é que quando um homem não tem mulher, todo seu vigor sobe aqui para os miolos e... tururu... louco! Tome cuidado, tomara que não esteja acontecendo algo parecido com você... Jesus: Você me acha com cara de louco? Zebedeu: Não, não estou dizendo por isso, mas... Jesus: Olhe, Zebedeu, agora estou me lembrando de uma coisa que uma vez ouvi na sinagoga: que o solteiro não é uma árvore seca, que também os solteiros têm um lugar na casa de Deus. Zebedeu: Bah, lá vem você com as suas tiradas... Olhe, Jesus, deixemos de lado as palavras bonitas e vamos ao que interessa... Será que... Você não gosta de mulher? Será isso?... Será que você é um maricão?... Não, não diga nada! Não me entra na cabeça que você não queira casar porque é uma dessas bichinhas asquerosas! Jesus: Não fale assim, Zebedeu. Eles não são bichinhas asquerosas. Zebedeu: Ah, não? E o que são então? Jesus: São homens que Deus ama. E eles também não são árvores secas. Zebedeu: Ah, Jesus não queira defender esse tipo de gente...! Jesus: Então também não os ataque, Zebedeu. O que você sabe deles e de seus problemas? Zebedeu: Bem, bem, vamos ao que interessa... Você não é desse tipo... Então, por que não se casa? Não vai me dizer que nunca encontrou uma mulher que gostasse... Jesus: Bem, eu conheci uma moça... já faz alguns anos... Mas não enxergava claro... Zebedeu: Solteirão toda a vida! É isso que você quer ser, não é mesmo? Jesus: Calma aí, Zebedeu. Ser solteiro é uma coisa. E ser solteirão é outra bem diferente, pode crer! Zebedeu: Bah, um solteiro é metade de homem. E uma solteira também. A filha que fica virgem é a vergonha de seus pais! Jesus: Uma metade de homem é um homem egoísta. E egoístas existem tanto entre solteiros como entre casados. Zebedeu: Jesus, escute, há uma moça no bairro está apaixonada por você... Jesus: Ah, é...? Então era aí que você queria chegar, não é, Zebedeu? Zebedeu: Sim, isto porque você não tem olhos para enxergar que uma mulher o ama, e eu digo isso para ver se lhe esquenta o sangue, caramba! Jesus: E quem é ela? Zabedeu: Raquel, a filha da falecida Agar, aquela que tem um monte de irmãozinhos. Jesus: Ah, já sei. Parece uma boa moça. Zebedeu: Ponha boa moça nisso! E seria uma boa mulher para você! Jesus: Sim, é provável, Zebedeu, mas... Zebedeu: Nada de mas... Hoje você vai se encontrar com ela, conversa, e já podem ir planejando as coisas... Jesus: Espere aí, Zebedeu. Não corra tanto. Zebedeu: O que acontece? Você não a ama? Você ama outra?... É isso, não é? Muito bem. Pode dizer pra mim, rapaz. Fica tudo entre nós. Jesus: Eu amo todas, Zebedeu. Zebedeu: Conversa fiada! Quando alguém diz que ama todas, não ama nenhuma! Jesus: Pode crer, eu amo todas. E por isso preciso ter as mãos livres para poder ajuda-las. Zebedeu: Mas, quem você pensa que é? O protetor das mulheres abandonadas? Jesus: Não é isso, Zebedeu. O que acontece é que eu quero trabalhar para meu povo. E você sabe que as coisas estão difíceis. Veja só o profeta João, como lhe cortaram a cabeça. E então, como ter uma mulher e mantê-la em toda essa confusão? E as crianças, então? Se ficam sem pai, quem lhes dará pão, heim?...Pode crer, Zebedeu, eu preciso ter as mãos livres. E ainda mais nesses tempos em que Deus anda com pressa, e até para dormir é preciso ter as sandálias calçadas. Zebedeu: Você torna as coisas muito tenebrosas, Jesus. Eu não digo para você cruzar os braços. Mas, acho que se pode lutar e estar casado, demônios! Jesus: Sim, você está certo, é claro que se pode. Veja Pedro, tem sua Rufina, quatro moleques e agora mais um que acabou de nascer. Tiago, a mesma coisa. João está solteiro, mas André já tem sua noiva e qualquer dia acaba casando... No Reino de Deus há lugar para todos e, nele, todo mundo vale a mesma coisa, os casados, os viúvos, os solteiros. Zebedeu: Mas você... você...! Jesus: Eu, o que, Zebedeu? Zebedeu: Você não fez nada para se casar, caramba! Jesus: Tampouco não fiz nada para não me casar, caramba! Zebedeu: E então, como fica? Jesus: Então não fica nada, Zebedeu. Que cada um faça seu caminho e veja o que Deus vai lhe pedindo. Veja você, Deus chamou Abraão lá do norte e Moisés lá do sul, por caminhos diferentes, mas os dois chegaram à terra prometida... Só o evangelho de Mateus registra a frase de Jesus sobre “os eunucos, os castrados, os celibatários pelo reino”, que dão azo a este episódio. Para os especialistas, estão entre as palavras mais “enigmáticas” de Jesus, no sentido de que é difícil para nós hoje compreender seu significado exato e sua exata ocasião histórica. Enigmáticas também porque deveriam soar estranhas para seus contemporâneos. Tudo parece indicar que Jesus tentou explicar com essas frases sua situação pessoal aos que lhe perguntaram sobre ela. Em Israel, nem a virgindade nem a vida de solteiro, nem o celibato, entendidos como situações estáveis, representavam algum valor. Pelo contrário, eram um antivalor, uma desgraça, algo negativo. A virgindade de uma mulher era, sim, muito apreciada, mas somente antes do casamento. A virgindade da moça antes do casamento era defendida por ela e por sua família e era um troféu que levava ao casamento. Mas era um opróbrio, uma mancha familiar, se uma mulher não chegasse a se casar e ter os próprios filhos. Da mesma forma, o homem. Um não casado, seja por qualquer razão, era visto como algo estranho, incompreensível, preocupante, a não ser que tivesse feito um voto especial (alguns dos monges essênios, por exemplo). O valor era a relação sexual e a fecundidade. O restante não entrava na escala de valores daquele povo e, portanto, era entendido como contrário à vontade do Deus da vida. Todas as escrituras exaltam o matrimônio, a união sexual do homem e da mulher como algo positivo, bonito e como expressão maior da relação humana, a mais exata imagem do amor que Deus sente pelo ser humano e pelo seu povo. Qualquer desprezo, rechaço ou menosprezo à sexualidade humana não tem nada a ver com a mensagem bíblica; está em contradição com ela. Jesus não se casou. Embora isso não seja dito expressamente por nenhum texto do Novo Testamento, tudo nos leva a crer este não casar-se como histórico. O mesmo se pode dizer de João Batista, e pelos mesmos dados. No entanto, o fato de Jesus não se casar, não significa que foi um ser assexuado, que o sexual não significasse nada para ele. Jesus foi um homem, não uma mulher. E como homem, teve uma dimensão sexual masculina. Neste sentido, não é descabido pensar que houvesse mulheres que sentissem atração por ele. Nada disso aparece no evangelho, mas não tanto porque não existisse em sua vida, mas precisamente porque na mentalidade de seus contemporâneos, era algo tão natural, que não era considerado tema que devesse ser escrito. Tampouco nunca se diz que Jesus espirrasse ou tivesse dor de estômago ou que assobiasse uma canção. E é praticamente certo que isso aconteceu. Textualmente, Jesus se refere a três tipos de eunucos (não casados, impotentes, homens sem mulher). Os primeiros são “s que nasceram assim do ventre de sua mãe”. Sempre houve meninos homens que, por algum defeito físico – geralmente congênito – não podem ter relações sexuais com uma mulher. Dentro desse grupo se incluiria o homossexual, por apresentar algum transtorno – físico ou psíquico – que obstaculiza sua atração física para uma mulher. O outro grupo de que Jesus falou foi daqueles que “foram feitos eunucos pelos homens”. Está se referindo a meninos e homens que foram castrados. Ao longo da história – inclusive ainda hoje – a castração do homem era institucionalizada. Nas cortes orientais, os reis castravam os homens que eram colocados como guardiões de seus haréns. Asseguravam assim que não teriam relações sexuais com suas mulheres. Em outros países se castrava com a finalidade de conseguir uma maior inteligência, por exemplo, nos professores. Considerava-se que eram feitos para o homem, a guerra, o prazer e o poder. E para a mulher – e para os “efeminados” transformados em não-varões – os trabalhos delicados, uma certa sabedoria etc. Em Israel, a Lei religiosa proibia castrar tanto os homens quanto o gado. O castrado não podia entrar no templo nem na sinagoga e a rês castrada não podia ser oferecida em sacrifício, Entretanto houve muitos castrados nas cortes dos reis de Israel, por influência de outros países orientais ou por terem sido levados ao país como escravos. Finalmente, Jesus fala textualmente de uma terceira classe de homens: “Aqueles que se fazem eunucos pelo Reino de Deus”. Este tipo de vida solteira, ou virgindade – o celibato “pelo reino” – na nova categoria que Jesus acrescenta e, depois dele, o cristianismo, ao panorama da sexualidade, tal como era entendido até então no Antigo Testamento, trata-se de um celibato relacional. Isto é, não é um valor em si mesmo, mas em relação ao Reino, pelo Reino. Esta foi a opção de Jesus. Não se casou, não porque fosse anormal em sua sexualidade ou porque fosse castrado, ou porque fosse impotente nem tampouco porque fosse de tipo de homens “solteirões” que temem a mulher e fogem dela ou buscam a vida solitária por rechaço à vida de comunidade ou de convivência. Mas que não se casou, renunciou ao matrimônio “pelo reino”. Jesus viveu profundamente a “urgência” do Reino de Deus. Concebeu sua missão como algo tremendamente importante, que devia além disse ser realizado em pouco tempo, pois o prazo era curto, o tempo de Deus estava se cumprindo, não havia tempo a perder. No episódio, este modo de entender sua vocação está na base de sua opção de não se casar. Servir o Reino é em essência a justificação do celibato cristão. Quando o compromisso com o Reino é vivido radicalmente, pode-se estar em situações dificilmente compatíveis com uma vida familiar normal. O celibato permite uma mobilidade, uma pobreza e uma liberdade, que em princípio não se dá no casamento. Qualquer postura frente à sexualidade é válida diante de Deus. Não cabe, nem do ponto de vista bíblico nem cristão dividir virgens e casados em “melhores” ou “piores”, em cristão de primeira e segunda categoria, em perfeitos e imperfeitos. Menos ainda cabem as condenações. Com relação à homossexualidade, o evangelho – que não diz nada explicitamente – diz tudo no conjunto de sua mensagem, ao proclamar com tanta força a liberdade e o respeito à pessoa. Em todo caso, no Reino eles são os privilegiados do amor de Deus quando a sociedade os rechaça, zomba e os marginaliza. É importante relembrar a bela frase que o profeta Isaias lhes dedica e que Jesus recorda neste episódio (Is 56, 3-5). Eles são amados por Deus e herdeiros de sua promessa (Sab 3,14). Israel esperava para os tempos do Messias esta acolhida generosa da parte de Deus, dos eunucos e castrados como cidadãos do Reino em pé de igualdade com todos. Tudo o que Jesus falou no texto de Mateus faz referência explícita aos varões. A sexualidade feminina, suas características, sua problemática, são uma conquista bastante recente da ciência e da sociologia. Até muito pouco tempo atrás se pensava que o único valor da sexualidade da mulher estava na fecundidade. O prazer da mulher na relação sexual era visto como algo suspeito, senão mau. Por outro lado, como a mulher não “decidia” casar-se ou não, porque seus pais tomavam a decisão por ela, tampouco se podia colocar o problema do celibato feminino. No entanto, hoje, em outra sociedade e com idéias mais evoluídas, podemos dizer que o característico do celibato cristão – maior liberdade para viver e morrer pelo Reino – aplica-se por igual, tanto para o homem como para a mulher. Os dois são igualmente capazes desta opção e, tanto um como o outro, podem se realizar nela plenamente. (Mateus 19, 10-12)
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