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Capítulo XXXVIII NO CUME DO TABOR Por aqueles dias, Pedro, Tiago, Jesus e eu íamos a caminho de Nazaré, pela rota das caravanas que margeiam o lago de Tiberíades e atravessa o vale do Esdrelon. O sol de verão, como um globo de fogo, fazia brilhar os campos de trigo já maduros para a colheita... Jesus: Vocês nunca subiram, Pedro? Pedro: Aonde, Jesus? Jesus: Ao monte... Eu, de menino, escapava às vezes da sinagoga... Nos juntávamos em três ou quatro do povoado e caminhávamos até aqui... E depois, pra cima! Chegávamos com a língua de fora, é verdade, e com as sandálias meio rotas, mas... valia a pena... À nossa esquerda, redondo como uma cúpula, elevava-se o monte Tabor, separando os antigos territórios das tribos de Isacar, Zabulon e Neftali, guardião solitário da fértil planície galiléia... João: Pedro, Tiago, amarrem as sandálias! Tiago: O que você disse, João? João: Que eu conheço esse moreno melhor que o quintal da minha casa... Não estão vendo que ele já está se aprontando para subir...? Em seguida, começamos a andar encosta acima, até o cume do monte, serpenteando por entre os pinheiros e terebintos que crescem nas ladeiras... Pedro: Pelas melenas de Sansão e pelas tesouras de Dalila... Estou sem forças... puff!... sem fôlego... Espere, Jesus... Jesus: Você já está ficando velho, Pedro... Puff! Às vezes, quando era garoto subia correndo até... até lá em cima... Pedro: Ei, João... Tiago... venham aqui...! João: E essas ovelhas, de onde saíram? Tiago: Se há rebanho, haverá também pastor, não acham...? Oh, oh, pastor... pastor!... Onde terá se metido...? Pedro: Vamos continuar subindo! Lá em cima, sobre a rocha, no cume do monte, estava o velho Jilel, com sua flauta de bambu e os olhos perdidos na linha do horizonte... Jesus: Pastor!... Pastor! Jilel: Estou aqui!... O que me pedem ou o que me dão? Pedro: Só podemos dar-lhe bom dia, velho! E você? Jilel: Eu posso brindar-lhe com um pedaço de queijo e todo o leite que quiserem!... Venham, rapazes, que o leite de minhas ovelhas é mais puro que a casta Susana! Jesus: Escute, você não é o velho Jilel? Jilel: Sim, é assim que me chamo. Mas como sabe meu nome? Algum corvo lhe disse pelo caminho? Jesus: Não, é que quando era garoto subi várias vezes ao monte, e você já andava circulando por essas bandas... Jilel: Claro, porque está é a minha casa. Muitos juntam tijolos e se trancam lá dentro. Eu não. Não tenho cabana. Prefiro o ar livre. Meu único teto é o céu... Vamos, provem este leite de cabra... Vai refrescar-lhes a garganta! João: Obrigado, Jilel... Tiago: Você não se aborrece por ficar aqui tão sozinho, velho? Jilel: Aborrecer-me? Rá! A música é a amiga mais fiel do homem, não se esqueça... E olhe o vale... Nem Matusalém, com todos os seus anos, teve tempo para ver toda esta beleza... Vocês, que vivem lá em baixo, nas cidades e nos povoados, aprendem a ler e vão para a sinagoga e ouvem as santas escrituras... Eu não sei nada de letras. Mas tampouco me faz falta, sabiam? Este é o meu livro... e ele me basta... O velho Jilel apontava com sua mão calosa o vale do Esdrelon que se abria imenso e verde a nossos pés... Jilel: Olhem bem, rapazes... Esta é a terra que Deus jurou dar a nossos pais, a terra que mana leite e mel, a mais formosa de todas...! Pedro: Escute, velho, não é por lá, bem no fundo, que fica o lago? Jilel: Sim, o lago da Galiléia, redondo como um anel de noiva. Dizem que Deus o pôs no dedo de Eva quando a entregou como esposa a Adão... Mas olhem um pouco mais para lá, amigos: estão vendo?... João: Onde, velho? Jilel: Lá, por trás de tudo... É o monte Hermon, coberto de neve, tão branca como as barbas de Deus! É dali que o Senhor abençoa nossa terra... Olhem agora até a outra ponta... por lá estão as terras da Samaria... Lá, junto às nuvens, o monte Ebal e o monte Garizim... e entre os dois, como dizem, entre os peitos de uma mulher, a cidade de Siquém. Lá, nosso pai Josué se reuniu com todas as tribos de Israel e as fez jurar a aliança com Deus, bênção para quem a cumprisse, maldição para quem a rompesse... João: Olhe, velho, e aqueles montes que a gente vê mais perto? Jilel: Ah, essas são as alturas de Gelboé, onde os filisteus mataram o primeiro rei de nosso povo, Saul, e seu filho Jonatan, o amigo de Davi... E Davi, que também sabia música, pegou a flauta e cantou seu amigo morto... Olhem para lá, para o poente... Há como que uma espora verde que sai da terra e se funde com o mar Grande... É o monte Carmelo, a pátria de Elias, o primeiro profeta que deu as caras pelos pobres de Israel e defendeu seus direitos... Ah, Elias!... Sua língua foi como um chicote nas mãos de Deus. Fez tremer os reis e todos os que abusavam dos humildes. E, quando Deus o levou no carro de fogo, seu espírito se repartiu como faíscas entre os novos profetas... Estão vendo o que eu dizia, rapazes? Cada uma dessas montanhas que se vê daqui, é como a página de um livro: nelas está escrita a história do nosso povo. Jesus: Mas esta história começa em outra montanha, velho, a maior de todas, a que não se vê daqui... Jilel: É verdade, rapaz, o Sinai fica longe, muito longe, lá pelas bandas do sul, onde só o olho da águia alcança... E foi lá por aquelas solidões que Deus resolveu chamar Moisés no fogo de uma sarça. E dali o enviou ao Egito para libertar seus irmãos. E Moisés enfrentou o Faraó, libertou os escravos, e atravessou com eles o Mar Vermelho e o deserto, até leva-los ao Sinai, a montanha santa, que tem duas pontas no cume, como os joelhos abertos de uma parturiente: ali nasceu o povo livre, nosso povo de Israel... João: Caramba, velho, ouvindo você falar, qualquer um se emociona... Jilel: Ai, rapazes, é que vocês ainda são jovens e não sabem... Mas aconteceram tantas coisas... E as que ainda faltam, claro. Porque Deus nunca sossega. Podem crer que ele estará tramando mais alguma para esses tempos. Entendem o que quero dizer, amigos? Que Deus se parece com as cabras: ele gosta da montanha. Numa vez está com Elias no Carmelo, noutra com Moisés no Sinai. Mas sempre está brigando pela Justiça e defendendo os mais humildes. Vocês não se lembram como nossos avós chamavam a Deus? El Shadai, o Deus montanheiro. Porque quando Deus não gosta das coisas que acontecem aqui em baixo, na grande cidade dos homens, ele sobe às montanhas. E dali, ele ri... Sim, Deus ri dos reis e dos Faraós. As grandes nações fazem guerra e os poderosos abusam dos pobres. Mas não cantarão vitória. Deus porá um libertador no monte Sião. Ele será meu filho amado e eu derramarei sobre ele minha complacência. Até hoje trago estampada nos olhos aquela cena: a linha azul do horizonte, o vale imenso cortado em jardins, como retalhos de um pano de cem cores, o sol meio escondido atrás das nuvens e a brisa do Hermon anunciando chuva no Tabor... Às palavras do pastor Jilel, como um abismo que chama outro abismo, seguiram as de Jesus... Jesus: Sim, velho, você tem razão. É nas montanhas que os olhos se limpam e as orelhas se abrem para escutar a voz de Deus. É aqui onde a voz de Deus falou em sussurros a Elias e onde conversou cara a cara com Moisés. Sim, Deus vive e se deixa sentir. E a partir de cada uma destas montanhas ele foi entretecendo, com dedos de mulher prendada, os caminhos do homem sobre a terra. Agora o trabalho está realizado, Agora é o momento de Deus. Ele vem colocar sua casa em um monte alto, no cume dos montes, para que a ela subam os filhos de Israel e também os de todas as nações. Porque Deus é Deus de todos, dos próximos e dos distantes. Ele não se conforma em só reunir as tribos dispersas de Jacó. Não, há libertação abundante. Sobra perdão e misericórdia para todos os filhos dos homens. E o ungido de Deus, o Messias por quem tanto esperou nosso povo, será posto no alto do monte, como luz para os povos, para que a salvação chegue até os confins da terra. Pedro: Bravo, moreno! Bem que eu dizia que você tem as barbas de Moisés e a língua de Elias. Continue falando, não se cale, que esta libertação do mundo virá logo, que já não pode demorar! Tiago: O que vem logo é a tempestade. Vamos, camaradas, deixemos a poesia para outro momento, e vamos descer se não quisermos nos ensopar. Pedro: Mas, o que você está dizendo Tiago? Não, nunca!... Você não ouviu o que Jesus falou? Agora é que isso está ficando bom! João: Mas, Pedro, está ficando louco? Não percebe que está vindo um dilúvio e aqui não há sequer uma cabana para refúgio? Pedro: Pois então a gente as constrói, pombas! Construímos uma e três se for preciso!... Mas daqui ninguém se mexe! Pedro, entusiasmado, olhava o céu. As nuvens cinzentas iam se juntando sobre nossas cabeças. Em poucos segundos, caíram as primeiras gotas... Pedro: Que importa a água, companheiros? No Sinai não caíam raios e faíscas quando Deus apareceu? E no Carmelo, não aconteceu a mesma coisa? É que Deus anda solto pelas montanhas!... Sim, sim, agora descerá Elias em seu carro de fogo, e também virá Moisés com uma sarça ardente na mão! As nuvens descarregaram com fúria sobre o monte Tabor, e nos ensopamos até os ossos. Os raios cruzavam o céu como flechas e seu resplendor iluminava os rostos do pastor Jilel, de meu irmão Tiago, de Pedro e de Jesus. Pedro: Bem, e agora... heim? E agora?... Acabou-se tudo? Jesus: Pelo contrário. Agora é que começa. Pedro: Mas, o que vai acontecer agora, moreno? Jesus: Nada, Pedro. Se não quisermos pegar um bom resfriado, é melhor começar a andar e continuar nosso caminho. O que você queria? Ficar aqui em cima vendo passar os relâmpagos? Pedro: Não sei, esperava algo mais... Ver Deus... ainda que fosse só um pedacinho, mas... Jesus: Escute, Pedro: Deus está nas montanhas, sim. Mas os homens estão lá em baixo, preste atenção... E Jesus olhava o vale de Esdrelon, salpicado de povoados, onde os pobres de Israel amassavam o pão com suor e lágrimas... Jesus: É para lá que temos que ir, Pedro. Deixe tranqüila a sarça ardendo e o carro de fogo e vamos para baixo. São as brasas desses fogareiros apagados que temos de soprar. Foi isso que fez Moisés e Elias também: ocupar-se de seus irmãos, trabalhar sem descanso para ajuda-los a seguir adiante. Vamos lá, andando!... Temos de acender de pressa um fogo em toda a terra, e que ela arda! Pedro, meu irmão Tiago, Jesus e eu descemos pelas encostas do monte Tabor, escorregadias depois do aguaceiro. Lá em cima ficou o velho Jilel com seus rebanhos de ovelhas e sua flauta de bambu... Em baixo estavam os campos e as cidades da Galiléia, esperando uma mudança, uma renovação, uma transfiguração... O monte Tabor é um monte isolado, ao nordeste da formosa e fértil planície do Esdrelon. Tem a forma arredondada e uns 580 metros de altura. Desde muito tempo, foi considerado, por seu enclave nos limites dos territórios das tribos de Isacar, Zalubon e Neftali, e por sua beleza, como um monte santo. E ainda que os evangelhos não digam o nome da montanha onde Jesus subiu com seus discípulos neste relato, a tradição sempre situou a transfiguração em cima do Tabor. O monte está a uns 30 quilômetros de Nazaré e tem uma vegetação abundante. Em 1921, foi edificada no alto monte a grandiosa Igreja da Transfiguração, que em sua construção exterior tenta recordar a silhueta das três tendas a que se refere Pedro no texto evangélico. De cima do Tabor, contempla-se uma das vistas mais fascinantes da terra de Israel. Aos pés do monte se estende a planície do Esdrelon, ou do Yizreel (que significa “Deus o semeou”), como que querendo ressaltar a exuberante fertilidade dessa terra (Os 2, 23-25). Yizreel é um extenso vale em forma de triângulo, que flanqueia o monte Carmelo, os montes de Gelboé e as montanhas da Galiléia. Servia para comunicar a Palestina ocidental com a oriental e foi por isto freqüente cenário de guerras e batalhas de grande transcendência na história da nação. O pastor Jilel, correndo a vista pelos montes que se contempla ou se adivinha da altura do Tabor, faz um resumo dos momentos-chave da história de Israel. Refere-se ao monte Hermon, limite norte da Terra prometida por Deus a seu povo, considerado como o guardião do país, sempre coberto de neve (Salmo 133). Aos montes Ebal e Garizim, em terras samaritanas, que foram cenários de um dos momentos mais solenes da história do povo (Js 8, 30-35). Aos montes de Gelboé, onde os israelitas foram vencidos pelos filisteus e onde morreu Saul, o primeiro rei de Israel, e seu filho Jonatam (1 Sm 31, 1-13; 2 Sm 1, 17-27). Jilel faz uma referência especial ao monte Carmelo, a montanha do profeta Elias. O Carmelo (seu nome significa “jardim de Deus”) é uma montanha muito fértil, de uns 20 quilômetros de largura, situada entre o mar Mediterrâneo e a planície de Yizreel. Ali o profeta Elias realizou alguns dos seus sinais mais espetaculares (1 Rs 18, 16-40). Na atualidade o Carmelo é chamado de Yebel-mar-Elyas, o “monte de santo Elias”, e multidões de peregrinos acodem para venerar o primeiro grande profeta de Israel em uma caverna cavada na base do monte, a caverna de Elias. Ali rezam e se reúnem em romarias de festa, com cantos e comidas simbólicas. Elias (seu nome significa “Javé é Deus”) viveu uns novecentos anos antes de Jesus. Foi o grande profeta do reino do norte de Israel, quando a nação se dividiu em duas monarquias. Sua popularidade foi imensa e o povo teceu ao redor de sua figura lendas de todo tipo, convertendo-o num mito inesquecível: fez grandes milagres, enfrentou reis, não morreu, mas subiu ao céu num carro de fogo e, o mais importante, voltaria de novo para abrir os caminhos para o Messias. Todas essas idéias estavam vivíssimas no tempo de Jesus. Elias foi sempre o profeta por excelência e o anunciador da chegada dos tempos messiânicos. É natural, portanto, que neste quadro cheio de símbolos, que é o relato da transfiguração, apareça Elias junto de Jesus. Está ao seu lado para garantir que seu espírito profético está em Jesus e, mais ainda, como testemunha de que ele é o Messias esperado. (A história de Elias aparece no Primeiro Livro dos Reis, nos capítulos 17, 18, 19, 21, e no capítulo 2 do Segundo Livro dos Reis. As referências a Elias são inumeráveis ao longo de toda a Escritura. Elias aparece como profeta da justiça, de um modo especial, no relato da vinha de Nabot – capítulo 21). O pastor Jilel faz também uma referência especial ao Sinai, a montanha de Moisés. O Sinai, ao qual a Bíblia também chama de monte Horeb, é a montanha mais sagrada de Israel. Ali, Deus apareceu a Moisés em uma sarça ardente, ali lhe revelou seu nome – Yahweh – ,ali entregou os mandamentos e ali fez a aliança com o povo quando ele marchava pelo deserto. O Sinai está situado em território hoje pertencente ao Egito, na península do Sinai, em pleno deserto, em uma zona habitada unicamente por beduínos, de uma beleza selvagem e dificilmente comparável com a de outras paisagens. Moisés, que viveu mil e oitocentos anos antes de Jesus, foi para Israel uma figura excepcional. O pai e libertador do povo, aquele que o formou e o guiou até a Terra Prometida, o homem excepcional que falou com Deus cara a cara. E, sobretudo, o Legislador, que deu a Israel a Lei Santa. Nenhuma figura bíblica tinha tanto peso, nem tanta autoridade como Moisés. Por isso devia também aparecer junto a Jesus no quadro da transfiguração. No momento em que Deus começava com aquele camponês de Nazaré uma nova lei – a da liberdade – e, uma nova aliança – de justiça e de amor – Moisés estava ali, como garantia de que Jesus herdava as melhores tradições de seu povo. (Todo o livro do Êxodo é importante para conhecer a história de Moisés, especialmente do capítulo 1 ao 24). Para a mentalidade israelita, o monte, por sua maior proximidade do céu, era o lugar onde Deus se manifestava. Outros povos vizinhos – os assírios, babilônios, os fenícios – pensavam da mesma maneira. O monte era, pois, o lugar santo por excelência. Mais adiante aparece uma outra idéia complementar: Deus escolhe alguns montes como sua especial morada. E assim, inumeráveis vezes se fala no Antigo Testamento do monte Sião (em Jerusalém), como lugar escolhido por Deus para viver, como lugar do banquete dos tempos messiânicos. Além disso, uma antiga tradição de Israel chamou Deus com o nome de El-Shadai. O próprio Deus teria revelado este nome aos velhos patriarcas (Gn 17, 1-2). El-Shadai significa “Deus das montanhas”. O livro de Jô é o que apresenta em mais ocasiões este formoso nome de Deus. Com todos esses elementos – monte sagrado, Moisés (a Lei), Elias (os Profetas), a nuvem (que também aparece no Êxodo), a luz resplandecente – os evangelistas armaram um quadro simbólico para nos dizer até que ponto se cumpre em Jesus tudo o que foi anunciado ao povo de Israel pelos antigos escritos. Apresentam-nos, assim, o que se chama uma “teofania” (aparição de Deus), ao estilo de muitas das teofanias do Antigo Testamento: Êxodo 24, 9-11 (Deus aparece a Moisés e aos anciãos); 1 Reis 19, 9-14 (Deus aparece a Elias no vento); Ezequiel 1, 1-28 (Deus aparece a Ezequiel em um carro). Nestas descrições sempre há uma série de elementos simbólicos que têm seu ponto culminante no momento em que se escuta a voz de Deus. Na transfiguração Deus dirá as palavras do Salmo 2: “Tu és meu filho...” As idéias desse salmo servem de fundo à teofania da transfiguração, tal como aparece neste episódio. Jesus se expressa aqui numa linguagem profética e poética, nascida do calor do clima criado pelo pastor com suas evocações bíblicas. Apresenta em suas palavras profecias nas quais se fala do monte santo, do Messias, do dia da salvação, do projeto de libertação que Deus traz em suas mãos (Is 60, 1-4; 61, 1; Mq 4, 1-8). O que Jesus anunciou não foi “sua” glória, “sua” transfiguração. A boa notícia que ele nos trouxe não foi uma reivindicação barata da sua grandeza, como uma superastro que buscasse com gestos maravilhosos deixar deslumbrado um público atônito. A boa notícia que ele proclamou e pela qual deu a vida, foi a transfiguração do mundo: um mundo novo onde a mensagem de justiça dos profetas fosse realidade. O que ele anuncia é a transfiguração da história. Essa história que por vezes nos pode parecer carente de sentido, absurda, regada com demasiado sangue, é uma história que Deus guia até a consumação final. Uma história que as mãos do Deus das montanhas resgatarão algum dia. Uma história que será transfigurada. (Mt 17, 1-13; Mc 9, 2-13; Lc 9, 28-36)
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