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Capítulo XXXIV UM DENÁRIO PARA CADA UM Um capataz: Um ferreiro! Um ferreiro para ferrar cinco mulas! Um ferreiro! Uma mulher: Escute aqui, ô caolho, quanto você cobra para consertar a porta do meu celeiro, heim? Caolho: Primeiro eu conserto, depois falamos do preço. Mulher: Não, diga primeiro quanto vai cobrar. Caolho: Olhe aqui, dona Frísia, em se tratando de trabalhar, até de graça eu faço. Vamos! Na praça de Cafarnaum, em frente à sinagoga, reuniam-se a cada manhã os homens procurando trabalho. Antes do sol se levantar, já estavam ali uns quantos deles, sentados nas escadarias ou encostados às paredes, esperando, cada um com sua ferramenta: os pedreiros com sua pá e nível, os carpinteiros com seus martelos, os camponeses com suas mãos cheias de calos... Daniel: Ei, rapazes venham trabalhar na minha vinha! Há muita uva esperando!... Sim, todos vocês!... Um denário quando o sol se pôr!... Venham, vamos logo, para que o dia renda bem! Um grupo de homens se levantou do chão e se pôs a andar atrás de Daniel... Jesus também ia à praça todos os dias, com seus pregos e sua pá, esperando que o contratassem... Um vizinho: Ei, Moreno, você está com uma cara de sono que dá dó...! Jesus: Ontem eu vim tarde e não consegui nenhum trabalho... Vamos ver o que acontece hoje. Vizinho: Se você não madruga, não consegue nada. Veja, agora mesmo, antes de você chegar, apareceu esse Daniel, para contratar uns quantos para sua vinha. Está colhendo a uva e parece que tem muita. Jesus: E quanto ele paga? Vizinho: Um denário, como sempre. Um denário para cada um. E pode crer, se ele diz que paga, paga mesmo. Daniel é um bom sujeito. Com ele se pode trabalhar. Um capataz: Um pedreiro para dois dias, um pedreiro para dois dias! Teto e parede! Teto e parede! Jesus: Escute, não procure mais. Aqui está esse pedreiro!... Vamos? Capataz: Vamos! Um denário hoje e outro amanhã. De acordo? Jesus: De acordo! Tchau, Simeão! Vizinho: Tchau, Jesus. Você está vendo que Deus ajuda quem cedo madruga! Vizinho: O Moreno teve sorte. Até que se arranjou bem depressa. Neto: Dá pra ver. E eu, já faz três dias que estou vindo aqui e nada de nada... Nesta época ninguém tosquia ovelhas. Maldição! Todos os dias afio a navalha e não sei pra quê... Qualquer dia desses corto meu pescoço com ela. Vizinho: Deixe disso, Neto. Está preocupado? Neto: Estou farto. Todos os dias é a mesma coisa: voltar para casa com as mãos vazias e ver as crianças com fome... “Não, meu filho, só tem esse pedacinho de pão. Amanhã... amanhã, teremos mais”. E, diabos, amanhã será igual a hoje! Vizinho: É, as coisas estão difíceis, Neto, muito difíceis... Neto: Se hoje não conseguir um denário, juro que não volto para casa. Não agüento mais ver meus filhos morrendo de fome. Não agüento! Às nove horas da manhã, quando o sol já havia esquentado as pedras da praça, Daniel voltou por lá... Daniel: Ei, rapazes!... Preciso de mais braços para trabalhar na minha vinha... Quem está disposto? Vizinho: Vamos com ele, Neto. É trabalho seguro. Com o denário que ele der, seus filhos poderão comer hoje... Neto: Sim, vamos nessa, Simeão! Simeão e Neto e alguns mais foram para a vinha de Daniel... Pouco tempo depois, a praça voltou a se encher de homens que procuravam trabalho... A esta hora as crianças já brincavam por lá, correndo e alvoroçando... Um menino: Um ferreiro! Um ferreiro para pôr ferradura em cinco mulas! Outro menino: Eu sou a mula! Diarista: Eu também, garoto, eu também sou a mula, o jumento, o burro... Tito: Por que você diz isso? Diarista: Porque é isso que eu sou: um burro de carga. Nem mais nem menos. E você também, Tito. Isso mesmo. E aquele, e aquele outro também. Todos aqui não são mais que isso: burros de carga! Só nos falta o rabo. Tito: Vamos lá, o que é isso?! Lá vem você com a mesma história... Diarista: É a verdade. Parece que nascemos para isso mesmo, para dobrar o lombo. De manhã até à noite. E todos os dias, tudo começa de novo. Isso não lhe dá raiva, Tito, heim, não lhe dá raiva? Tito: E o que vamos fazer, homem, o que vamos fazer...? Diarista: Nada, o que é que eu vou querer!... Isso deve estar escrito em algum lugar... que nós pobres viemos a este mundo para dobrar o lombo e gerar filhos para que continuem fazendo a mesma coisa que nós: continuar dobrando o lombo e ficar com as tripas vazias... Olhe só para aquelas crianças... quando crescerem, estarão aqui, no nosso lugar, esperando que alguém lhes dê trabalho para continuar vivendo... como burros de carga! Ao meio dia, a praça fervia de gente pelos quatro cantos. Os balidos das ovelhas que se aproximavam da fonte redonda, se confundiam com os gritos das crianças, os pregões dos vendedores e os lamentos dos mendigos... E ainda a esta hora havia homens esperando para conseguir algum trabalho... Uma mulher: Nada, Samuel? Samuel: Nada, mulher. Nada ainda. Mulher: E o que vamos comer hoje? Samuel: Ferva uma pedra, para ver se sai alguma coisa! Velha: Uma esmolinha para esta pobre cega, que não pode ver a luz do sol!... Uma esmolinha por piedade! Mulher: Vovó, faz tempo que você não aparecia aqui na praça...! O que aconteceu? Velha: Ai, minha filha, veja só meus cabelos. Os que enxergam direito dizem que estou mais amarela que os ovos das galinhas! Mulher: Mas... o que aconteceu? Velha: Estou morrendo, filha. De uma doença que me chupou o pouquinho de vida que me restava. É assim, cega, cocha... e agora isso! Mulher: Ai, vovozinha, o que posso lhe dizer? Velha: Nada, filha, se alguém tem de dizer alguma coisa sou eu... Eu lhe digo que se fosse uma escritora e contasse todos os meus males, faria um livro mais grosso que o de Moisés! Mulher: Pois dê graças a Deus por estar cega, pode crer. Se você conseguisse abrir um olho só, veria coisas muito tristes... Bem, para que ficar falando nisso. Eu penso que se o lago da Galiléia secasse, nós voltaríamos a enchê-lo num instante com nossas lágrimas! Daniel: Ei, rapazes, o que acontece com vocês?... Não percam tempo!... Venham para minha vinha, estou precisando de mais braços! Vamos!... Um grupo de homens se levantou e foi com Daniel para sua vinha... Às três da tarde, quando o sol escaldava o calçamento da praça, ainda havia homens esperando, agachados sobre as escadarias, uma oportunidade de trabalhar... Samuel: Disseram-me que hoje Daniel está contratando meia Cafarnaum... Vamos ver se volta outra vez por aqui... Outro diarista: É que ele tem suas videiras todas paridas. Se não recolher logo essas uvas, a chuva estragará tudo... Samuel: Grande coisa! Primeiro colhê-las, depois pisá-las no lagar, esperar que o mosto fermente e, no fim, para que? Diarista: Como para que?... Para que a gente tenha um bom gole de vinho descendo pelo gogó, caramba! Isso não é o bastante? Samuel: Bastante para esquecer. Mas depois, quando o efeito do álcool baixar, tudo continuará como antes... bah!... Diarista: E o que você está querendo, meu amigo? Samuel: O que estou querendo?... Diarista: Sim, sim, o que você quer...? Samuel: Eu quero... ser feliz. Só isso. E às três da tarde, Daniel voltou para procurar mais trabalhadores para sua vinha. E ainda encontrou alguns, com os braços cruzados e a cabeça baixa, olhando para o chão, esperando sempre... Daniel: Mas, o que vocês estão fazendo por aqui, bocejando e perdendo tempo? Estou precisando de mais gente na minha vinha!... E então, quem vem comigo?... Ainda falta um punhado de horas para o dia acabar! Vamos, vamos! Às cinco da tarde, Daniel voltou uma vez mais à praça... Daniel: Caramba, não é que ainda há gente olhando para as nuvens! Samuel: Ninguém nos contratou. Como você vê, estamos aqui esperando para ver se cai alguma coisa para nós... Daniel: Bem, acho que a única coisa que cai nesta praça é o cocô das pombas. Então vamos lá, que o sol ainda nem se pôs, venham para a minha vinha! Quando a lua já desenhava sua silhueta sobre a vinha de Daniel e começava a escurecer... Daniel: Rapaziada, já chega de vergar o lombo...! Está na hora de parar. Venham todos para receber! E Daniel chamou o capataz de sua vinha... Daniel: Ciro, pague um denário para cada um. E até outro dia, companheiros! Caolho: Espere um pouco, Daniel. Quanto você disse que vai nos pagar? Daniel: Um denário para cada um. Por que? Neto: É que... esses quatro chegaram aqui não faz nem uma hora. E aqui há alguns que trabalharam o dia todo, agüentando o sol e... Daniel: Bem, e daí? Não contratei todos vocês por um denário? Caolho: Sim, mas não é justo pagar para os que chegaram no fim do dia a mesma coisa que para nós... Daniel: Ah, não? E por que não é justo? Neto: Bem, porque... porque... Daniel: Você tem filhos, não tem? E precisa do denário para lhes dar de comer. Por isso eu lhe dou o seu denário. E este que chegou por último, também tem filhos e precisa de um denário para lhes dar de comer. Onde está a injustiça? Cada um fez o que pôde. Caolho: Mas nós trabalhamos mais tempo na vinha! Daniel: Digamos que vocês esperaram menos tempo na praça... Não, amigo, não se queixe. Amanhã, quando você for o último a chegar, ficará contente por receber um denário inteiro. Porque todos precisam de um denário para viver... Salomé: Pois a comadre Lia me contou que hoje seu marido e outros homens estiveram trabalhando na vinha do Daniel... Mas, sabe de uma coisa, Jesus? Ele contratou alguns logo de manhãzinha... Jesus: É, eu tinha acabado de chegar à praça quando Daniel apareceu. João: Madrugou hoje, heim, Moreno, isso sim é que é um milagre! Salomé: Pois ele voltou às nove e levou mais homens. E ao meio dia e às três da tarde, a mesma coisa. Dizem que até às cinco da tarde andou procurando gente para a colheita das uvas... Mas, o grande condenado, à hora de pagar, deu um denário para cada um. A mesma coisa para todos, está entendendo? A mesma coisa para os que foram cedinho e aos que trabalharam só uma hora... João: Ele sempre faz isso... Diz que todos precisam comer... E paga igual para todo mundo... Salomé: Esse Daniel é um patrão muito maluco, é isso que eu penso! Jesus: Por que você diz isso, Salomé?... Ao contrário, ele é o melhor patrão que existe aqui por Cafarnaum. E sabe o que eu acho? Que quando Deus se põe a contratar peões para trabalhar neste mundo, faz a mesma coisa que Daniel. João: Não estou entendendo o que você quer dizer... Jesus: Ora, digo a mesma coisa que Daniel disse. Que todos precisam de um denário para viver. Um denário de pão. E um denário de esperança também. Estamos todos sentados na praça, esperando ser felizes. Salomé: Sim, está certo, é isso o que todos queremos, mas... Jesus: Mas nossos olhos ficam amarelos de inveja quando vemos que alguns se levantam da praça antes de nós... Mas veja, mais cedo ou mais tarde, chegará a vez para todo mundo. E então, Deus fará a mesma coisa que Daniel: ele dará um jeito de dar a todos um bom salário... A todos a mesma paga, o que é a melhor justiça... Sim, eu estou certo de que, no final, quando a praça estiver vazia, todos teremos na mão o mesmo denário, a mesma felicidade que por tanto tempo esperamos... Pouco a pouco, as luzes foram se apagando. O bairro dos pescadores, as ruas e também a praça ficaram vazios e escuros... Os olhos de Cafarnaum, cansados, se fecharam de sono, esperando a luz de um novo dia... A parábola “dos chamados à vinha” foi interpretada geralmente como um exemplo para ilustrar a vocação nas diferentes etapas da vida (os que são chamados jovens, os mais maduros, os já velhos...). No entanto, o sentido profundo desta história de Jesus justifica que seja melhor chamada de a parábola “do bom patrão”. Neste episódio, a parábola aparece não só como um conto com moral da história, mas como um fato da vida real. Porque foi da vida, num tempo em que o fantasma do desemprego pairava sempre sobre a vida dos pobres que Jesus foi tirá-la. A praça é o lugar de reunião em qualquer povoado. Também foi assim em Cafarnaum para os que procuravam emprego. Naqueles tempos eram abundantes os trabalhadores eventuais, contratados por algumas horas, alguns dias, para uma colheita. Nos povoados pequenos, da roça, isto era ainda mais generalizado do que em Jerusalém. Não existia como hoje nenhum tipo de estabilidade no emprego e, muito menos, direitos, sindicatos ou especialização laboral. Isso tornava a vida dos pobres totalmente instável. A dominação romana havia agravado ainda mais esta situação, típica de um sistema econômico primitivo. Em terras galiléias, os impostos cobrados pelo império haviam acabado com a propriedade comunal da terra e favorecido, por outro lado, a concentração da terra cultivável em muito poucas mãos. A venda forçada da terra a que se viram obrigados os pequenos proprietários, os transformou de repente em assalariados. Grande quantidade de diaristas não organizados era mão de obra barata que vivia procurando trabalho onde quer que aparecesse. O fato de ficar vários dias sem encontra-lo, tornava sua situação tão frágil que os empurrava, junto com suas famílias, à miséria mais absoluta. Esta mesma situação ainda é experimentada pelas grandes maiorias de nossos países. Nessa dura condição de pobre, que vive do dia-a-dia, Jesus é seu companheiro. Jesus compartilhou esta situação, como trabalhador pobre. É importante ressaltar que ele trabalhou com suas próprias mãos, que foi um operário e não um homem versado nas letras e estudos, alheio à realidade diária dos que ganham o pão com o suor de seu rosto. Suas mãos tiveram calos e sabiam mais de toscas ferramentas do que de papéis. Sua origem o havia ensinado também a trabalhar no que aparecesse. Quando o evangelho nos diz qual era sua profissão, não devemos limitar isso unicamente a carpinteiro. A palavra que Marcos emprega (Mc 6,3), é o vocábulo grego “tekton”, que originalmente significa “construtor” e “artesão”. Era também empregado para designar tanto o carpinteiro como o ferreiro ou pedreiro. Um homem da aldeia – como Jesus – tinha três ou mais profissões por necessidade. Além disso Jesus devia saber muito de construção. Em várias ocasiões falou com detalhes da construção de uma casa, comparando este trabalho com a construção do Reino de Deus (Mt 7, 24-27; Lc 14, 28-30). A videira é um dos cultivos mais típicos da Palestina e de todos os países vizinhos. A vindima – ou colheita das uvas – começa até meados do mês de setembro. E pode durar até à metade de outubro. De qualquer forma é preciso terminá-la antes que comecem as chuvas de outono, porque então as noites são muito mais frias e podem estragar as frutas. Daniel teve uma boa colheita e lhe interessa colher logo os cachos para que não se estraguem. A diária de um trabalhador nos tempos de Jesus era ordinariamente um denário. Em alguns casos, o almoço era incluído na diária. Nos povoados pequenos, com muita freqüência, o pagamento era em espécie. O denário foi a moeda oficial de Israel nos tempos da dominação romana. Era de prata e trazia estampado o rosto do imperador que de Roma governava as províncias. Equivalia à dracma, moeda também de prata, que fora usada oficialmente nos tempos da dominação grega, uns duzentos anos antes de Jesus. Daniel é um bom patrão. Sabe que embora alguns tenham suado durante doze horas e outros tenham trabalhado menos tempo, todos têm uma família para levar adiante. Por isso paga a mesma coisa para todos. Não esbanja pagando mais que o habitual, mas não permite que ninguém fique sem o necessário para aquele dia. Não importa se os últimos tenham sido mais preguiçosos ou não tenham madrugado o suficiente. Todos têm que comer e dar de comer a seus filhos e se lhes pagasse só por um hora, não seria o bastante. Daniel não é arbitrário, nem injusto, nem caprichoso. É bom. Seu coração compreende o drama de um trabalhador desempregado, aborrecido pela insegurança diária. Assim é Daniel, o bom patrão. Assim também é Deus: esta história é seu retrato. Para além da justiça estrita da diária necessária, Jesus propõe também neste episódio o tema da felicidade. No fundo, por trás de todos os nossos atos, todos os seres humanos, estamos perseguindo sempre uma e mesma coisa: a felicidade. Todos os desempregados que se encontravam na praça e todos os moradores de Cafarnaum estiveram falando de pranto, todos reclamando sua felicidade. Pois bem, Jesus diz que esta felicidade chegará para todos e que Deus não faltará à sua promessa de bom patrão. A história humana, cheia de injustiças e dores, será resgatada pelo amor de um Deus libertador. E também será resgatada a pequena história de cada um, com suas lágrimas e suas dificuldades. Porque o projeto de Deus é que sejamos felizes hoje e para sempre. Esta é a certeza da nossa fé (Rm 8, 31-37). Diante desta parábola muita gente reage com indignação, com amargura. São mentalidades comerciais: a tanto de esforço, tanto de prêmio; a tantas horas, tanto de pagamento. O que sair disso, é injusto. Mas Deus não é um banqueiro, um capitalista eficaz. Nele não há números, há sentimentos. Ele tem coração. As mentalidades mesquinhas ficam incomodadas com os gastos do generoso. Por isso esta história sempre será escandalosa para todas aquelas pessoas que pensam só em méritos para se “assegurarem” do céu. A primeira comunidade cristã repetiu o gesto do bom patrão: dava a cada um segundo suas necessidades, não segundo o que produzia (At 2, 44-45). A autêntica justiça é mais qualitativa que quantitativa, busca a unidade e não a uniformidade. Postula que cada um se desenvolva tal como é, em todas as suas possibilidades. Que cada um possa viver. (Mt 20, 1-16)
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