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Capítulo XX JESUS E AS CRIANÇAS No ambiente em que viveu Jesus, as crianças valiam bem pouca coisa. Os filhos, certamente, eram considerados como uma bênção de Deus. Mas a importância de um homem, seu valor pessoal, não era real até que não chegasse à maioridade. Do ponto de vista das leis e das obrigações e direitos religiosos, este pouco valor se descrevia incluindo as crianças nesta fórmula, habitual nos escritos da época: “surdos-mudos, idiotas e menores de idade”. Também apareciam citados junto com os anciãos, enfermos, escravos, mulheres, aleijados homossexuais, cegos etc. Do mesmo modo que Jesus teve uma atitude revolucionária diante da mulher, sua atitude diante da criança - tão relacionada com a mulher - foi surpreendente em seu tempo. Ele as fez destinatários privilegiados do Reino de Deus enquanto crianças, dando a entender que os pequenos estão mais perto de Deus que os adultos. Para ele, tinham valor não porque seriam adultos, mas pelo que já eram. Esta postura de Jesus não tem nenhum precedente nas tradições de seus antepassados. Ele foi absolutamente original. A atitude de Jesus para com os pequenos não foi unicamente uma teoria, ou uma ideia no ar. Foi também uma prática. Jesus compartilhava com as crianças horas de brincadeira, risos, passatempos, sua linguagem, seus pequenos problemas. E neste compartilhar - sem ficar dando sermões nem dizendo muitas palavras - está a raiz do que deve ser a atitude dos adultos com as crianças. Uma atitude baseada no respeito à sua pequenez sem exigir deles o que não podem dar na sua idade. Ou, segundo a fórmula clássica de Paulo: Fazer-se criança com as crianças para ganhar as crianças (1 Cor. 9,23). Os meninos próximos de Jesus não são os meninos dos santinhos: bem penteados, com túnicas sem uma mancha sequer ou um amarrotado, que lhe pedem piedosamente a bênção com cara de anjinhos. Os meninos do bairro de Cafarnaum eram meninos de rua, acostumados desde pequeninos às necessidades e ao trabalho, meninos com nariz sujo e piolhos, com sandálias meio gastas, semelhantes em tantas coisas com os meninos de rua de nossas cidades, com nossos meninos camponeses gastos pelo trabalho e pela fome, muito antes que termine sua infância. Assim seriam os filhos de Pedro, os que teve Tiago ou qualquer outro discípulo de Jesus, homens que viveram em sua própria carne as preocupações e as alegrias de levar adiante uma família. Quando Jesus fala aos adultos e lhes diz que para entrar no Reino de Deus têm de “fazer-se como meninos”, não esta se referindo a recobrar a pureza das crianças (pureza como castidade). A ideia de que a criança é mais pura, neste sentido, que o adulto, era totalmente estranha ao pensamento israelita. Jesus se refere muito mais à atitude que devemos ter diante de Deus, que é um Pai que nos recebe em seus braços. Tornar a ser menino significa fundamentalmente aprender de novo a dizer “Abba”, isto é, “papai”, “papaizinho”. Jesus se dirigiu sempre a Deus com esta palavra, cheia de confiança, de carinho, de familiaridade. “Abba” é a palavra aramaica com que os filhos chamavam seu pai, a primeira palavra que balbucia o bebê. Falar com Deus com esta palavra significa ter lançado fora o temor de um Deus mau que leva em conta nossos erros. Significa ver em Deus um lar, um colo, um grande coração. (Mateus 19,13-15; Marcos 10,13-16; Lucas 18,15-17; Mateus 18,1-5; Marcos 9.33-37; Lucas 9, 46-48)
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