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Parte II Texto VIII A ressurreição de Jesus da morte Resumo do capítulo sob este título do livro do teólogo alemão Joseph Ratzinger: Jesus de Nazaré – Da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011. O livro, explica o autor, “procura refletir sobre as palavras e ações essenciais de Jesus, guiado pela hermenêutica da fé, mas ao mesmo tempo tendo responsavelmente em conta a razão histórica necessariamente contida nessa mesma fé”. A fé cristã está de pé ou cai com a verdade do testemunho segundo o qual Cristo ressuscitou dos mortos. O que determina que Jesus exista no presente e não apenas no passado é a ressurreição. O testemunho sobre a ressurreição, “considerado sob o ponto de vista histórico, se nos apresenta numa forma particularmente complexa que levanta muitas questões”. O que aconteceu lá? Trata-se de “um fenômeno totalmente novo”, “totalmente inusitado”, que “ultrapassa o horizonte das experiências” das testemunhas. “Quem se aproxima das narrações da ressurreição com a ideia de saber o que é a ressurreição dos mortos, não pode deixar de interpretar de modo errado tais narrações, acabando depois por pô-las de parte como coisa insensata”. Não se trata de um cadáver reanimado… O que não seria mais importante que a reanimação devido à habilidade dos médicos, de pessoas clinicamente mortas. Em última analise, para o mundo enquanto tal e para a nossa existência, nada teria mudado. A ressurreição de Jesus foi a evasão para um gênero de vida totalmente novo… “ele inaugura uma nova dimensão de ser homem”, analogicamente “uma mutação decisiva”… “um salto de qualidade”… “uma nova possibilidade de ser homem”, que interessa a todos. Como disse Paulo, a ressurreição de Cristo ou é um acontecimento universal ou não existe. Ela inaugura uma nova dimensão da existência humana. Ele vive e falou-nos, concedeu-nos tocá-lo, embora já não pertença ao mundo das coisas que normalmente se podem tocar. Este não pertencer ao mundo e estar presente de modo real é um paradoxo indescritível que supera toda experiência. Podemos nós, sobretudo enquanto pessoas modernas, dar crédito a testemunhos do gênero? A fé na ressurreição não contesta a realidade existente, mas ela afirma: há uma dimensão ulterior, além das que conhecemos até agora. Porventura está isto em contraste com a ciência? Só pode existir aquilo que desde sempre existiu? Não pode haver uma realidade inesperada, inimaginável, uma realidade nova? Se Deus existe, não pode Ele criar também uma dimensão nova da realidade humana? A ressurreição de Jesus, do ponto de vista da história do mundo, é pouco vistosa, é a menor semente da história. Essa inversão das proporções faz parte dos mistérios de Deus. A ressurreição entrou no mundo através de algumas aparições misteriosas aos escolhidos. E, no entanto, ela era o início verdadeiramente novo: aquilo de que, secretamente, tudo estava à espera. Há dois tipos diferentes de testemunho: a tradição sob a forma de profissão de fé e a tradição em forma de narração. A primeira sintetiza o essencial, de modo normativo, em breves fórmulas, de modo a preservar o núcleo do acontecimento. A profissão de fé mais importante é a que se encontra no Capítulo 15 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, onde ele transmite o que recebeu, provavelmente, ainda na década de 30, em Damasco. Esta profissão de fé tem origem em uma catequese, cujo núcleo se encontra na comunidade de Jerusalém: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos doze”. A tradição sob a forma de narração reflete tradições de diversas comunidades, como se pode ver na diversidade das narrações da ressurreição, nos quatro Evangelhos. Mateus, além da aparição do Ressuscitado às mulheres junto ao sepulcro vazio, conhece apenas uma aparição aos Onze na Galileia. Lucas conhece só as tradições hierosolimitanas. João fala de aparições tanto em Jerusalém como na Galileia. Nenhum dos evangelistas descreve a própria ressurreição de Jesus. A tradição em forma de narração completa a profissão de fé. Na profissão “foi sepultado” exprime-se a plena participação de Jesus no destino humano de ter de morrer. Ele aceitou o percurso da morte até o fim, amarga e aparentemente sem esperança, até o sepulcro. Ele, ressuscitado, deixou o sepulcro vazio? “Na teologia moderna esta pergunta é objeto de ampla discussão. Na maioria dos casos, a conclusão é que o sepulcro vazio não pode ser uma prova da ressurreição. Isso, caso fosse um dado de fato, poder-se-ia explicar também diversamente. E assim se conclui que a questão a cerca do sepulcro vazio é irrelevante, podendo-se, por conseguinte, ignorar esse ponto, o que implica depois, frequentemente, a suposição de que o sepulcro provavelmente não estava vazio e desse modo é possível pelo menos evitar uma controvérsia com a ciência moderna sobre a possibilidade de uma ressurreição corpórea. Na base de tudo isto, porém, está um modo errado de pôr a questão”. Temos também a pergunta inversa: a ressurreição é conciliável com a permanência do corpo no sepulcro? “O sepulcro vazio, como tal, não pode certamente provar a ressurreição, permanece porém, um pressuposto necessário para a fé na ressurreição, uma vez que se refere precisamente ao corpo e, por seu intermédio, à pessoa na sua totalidade”. Especulações teológicas segundo as quais a corrupção do corpo de Jesus e a ressurreição seriam compatíveis uma com a outra, pertencem ao pensamento moderno e estão claramente em contraste com a visão bíblica. Inclusive, com base nisso, confirma-se que teria sido impossível um anúncio da ressurreição se o corpo de Jesus continuasse a jazer no sepulcro. “A celebração do Dia do Senhor, que desde o início caracteriza a comunidade cristã - no domingo, em contraposição à cultura sabática judaica – é uma das provas mais fortes de que em tal dia sucedeu algo de extraordinário: a descoberta do sepulcro vazio e o encontro com o Senhor ressuscitado”. As narrativas das aparições nos evangelhos se caracterizam por uma dialética de reconhecer Jesus e não reconhecer. Impressiona, acima de tudo, o fato de os discípulos, num primeiro momento, não O reconhecerem. Trata-se, por assim dizer, de um reconhecer a partir de dentro que, todavia, permanece sempre envolvido no mistério. É plenamente corpóreo, mas não está ligado às leis da corporeidade, às leis de espaço e tempo. Os encontros com o Ressuscitado são uma realidade distinta de acontecimentos interiores, ou de experiências místicas: são encontros reais com o Vivente que, de um modo novo possui um corpo e permanece corpóreo …não um fantasma ou um espírito. Lucas, no zelo apologético de mostrar a corporeidade de Jesus, narra que Ele, diante dos apóstolos perplexos, teria comido uma porção de peixe assado. A maior parte dos exegetas considera que Lucas exagerou, conferindo ao Cristo uma corporeidade empírica superada pela ressurreição. Resumindo a natureza da ressurreição e seu significado histórico (o resumo é do próprio autor):
- Jesus não voltou à vida biológica normal. Não aparece como um fantasma, ou um espírito;
- Os encontros com o Ressuscitado são uma realidade distinta de experiências místicas;
- A ressurreição não é um acontecimento histórico, mas um acontecimento dentro da história que rompe o ambiente da história e a ultrapassa;
- Analogicamente podemos considerar a ressurreição como uma espécie de salto radical de qualidade em que se entreabre uma nova dimensão da vida, do ser homem. A própria matéria é transformada num novo gênero de realidade;
- Embora o homem, por sua natureza seja criado para a imortalidade, só agora existe o lugar onde a alma imortal encontra o espaço, aquela “corporeidade”, na qual a imortalidade recebe sentido como comunhão com Deus e com toda a humanidade reconciliada;
- Paulo fala do corpo cósmico de Cristo indicando que o corpo transformado dEle é também o lugar onde os homens entram em comunhão com Deus e entre si; e, desse modo, podem viver definitivamente na plenitude da vida indestrutível.
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