Quem Somos
Prólogo
Referências
Vídeos
Fale Conosco
Veja Também:
Parte II Texto VII A ressurreição de Jesus Resumo do capítulo sob este título do livro do teólogo uruguaio Juan Luis Segundo - A história perdida e recuperada de Jesus de Nazaré: dos sinóticos a Paulo, SP: Paulus, 3 ed., 2011. É importante distinguir histórico de verdadeiro. A ressurreição de Jesus é verdadeira, embora não histórica no sentido exato que se dá ao termo hoje. É tradicional a distinção corrente entre Evangelhos Sinóticos (os três primeiros - Marcos, Mateus e Lucas) e o Evangelho de João. No caso, a distinção nada acrescenta. São 8 as fontes narrativas sobre a ressurreição: 1, 2 e 3: Marcos, Mateus e Lucas; 4: Marcos 16; 9-20, que é um apêndice posterior; 5: João – capítulo 20; 6: João - capítulo 21 (após 20; 30-31 - um acréscimo posterior); 7: Atos dos Apóstolos; 8: Paulo - Primeira Carta aos Coríntios 15; 3-8 (o primeiro documento do novo testamento). Trata-se de uma narrativa especial “criada ad hoc por imposição do mesmo conteúdo único que transmite". Este gênero literário é usado de modo quase unânime pelas diferentes fontes. Porque as narrações não são históricas e não foram escritas com a intenção de contar o que chamaríamos de fatos empíricos, elas falam de diversos personagens num só dia ou no espaço de 10 anos. São várias as contradições e não há preocupação em harmonizar os relatos. Nos Atos dos Apóstolos, são narrados os conflitos da comunidade de Jerusalém com relação a aceitar ou não o batismo de pagãos. Entretanto, segundo Mateus (Mt. 28-19), Jesus aparece ressuscitado aos onze discípulos e diz: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações (= pagãos) se tornem discípulos, batizando-o”. É evidente que o texto de Mateus é posterior aos fatos narrados nos Atos, quando o dilema ali narrado já havia sido superado. Se Jesus tivesse dito, de modo tão claro, o que Mateus narra, não teria existido o conflito descrito nos Atos dos Apóstolos. “As palavras de Jesus ressuscitado constituem, como parece, um apropriado trabalho literário para expressar a ‘compreensão’, adquirida à luz da ressurreição”. Este modo tão especial de narrar o que quer transmitir? Ele quer mostrar um personagem histórico que atravessa o umbral do escatológico e se manifesta, nesse nível, a seus discípulos. A ressurreição é real; não é reanimação do cadáver de Jesus de Nazaré, mas “a experiência da vida que corresponde a Jesus junto de Deus”. “Quem se revela é a pessoa de Jesus, que atravessa essa enorme diferença que separa sua existência histórica de sua existência como Ressuscitado. E permite à fé reconhecer na existência atual de Jesus algo relativo aos valores pelos quais viveu e agiu”. Ele já não se encontra na história, mas ele está vivo; vive uma nova existência. Esta nova existência é escatológica, no sentido mais pleno da palavra. Diz relação ao sentido da vida de Jesus e ao sentido da história humana; ela tem sentido? Tudo aquilo pelo qual lutamos – todos os criadores, sonhadores, revolucionários empenhados em um mundo melhor – faz sentido? Os discípulos vivenciaram uma “experiência” e são tomados de uma certeza: Deus ressuscitou Jesus; deu uma vida perene aquele que entregou sua vida à construção do reinado de Deus. Sua morte não foi o fim, como nossa vida não perde sentido com a nossa morte. “A experiência da ressurreição de Jesus constitui algo assim como uma explosão de sentimentos, a compreensão de um dado transcendente sob cuja luz tudo, mesmo permanecendo igual ao que se vê, adquire uma nova e última significação”. Praticamente em cada aparição quem é objeto dela não reconhece Jesus de imediato no Ressuscitado: os discípulos de Emaús, Maria de Magdala, Pedro, no Mar da Galileia e Tomé. Jesus se faz reconhecer mostrando algo de sua vida histórica em sua vida atual de ressuscitado: as chagas, o comer pão e peixe, querendo mostrar que não é um espírito. Lucas atribui a dificuldade de reconhecer Jesus ao impacto psicológico do medo, ou da alegria, no caso de Maria de Magdala. Aos discípulos “tomados de espanto e temor, que imaginavam ver um espírito...” o Ressuscitado diz: “Por que estais perturbados e por que surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés; sou eu”. Entre o “ver” a aparição e compreender e aceitar seu sentido fica sempre um espaço que só a fé pode preencher. As aparições de Jesus confirmam a fé existente. Não existe nada que possa constituir uma prova válida independentemente da fé. Jesus não parece em público. Na lista tão sóbria de Paulo, não existe nenhuma testemunha “imparcial” da ressurreição. “A visão do Ressuscitado, igualmente a ressurreição, não procede do empírico; somente o kerigma (= mensagem) e suas consequências podem ser comprovadas empiricamente. A história empírica continua sendo a história da luta contra a morte, mas definitivamente não temos nenhum meio para afirmar que a morte não terá a última palavra, fora do testemunho da vitória de Jesus pelos apóstolos. A antecipação do fim da história foi proclamada como promessa” (Duquoc). Ninguém aposta em algo que não traga em si uma certa “promessa” de vitória final. Se a ressurreição fosse uma verificação empírica, não exigiria fé, nem esperança (cf. Rm. 8, 24). Machovec, marxista, ateu, vê no momento em que Pedro “crê” que Jesus é o “vencedor”, depois do calvário, um dos maiores momentos da humanidade e não apenas para Jesus e seus seguidores. Para Machovic, não se trata de uma figura humana individual, mas dos valores (= o Reino) que se cultivam na história. Para outro marxista, Garaudy: “Cada um dos atos libertadores e criadores implica no postulado da ressurreição…. Como propor que outras existências se sacrifiquem para que nasça essa realidade nova, se não acreditasse que esta realidade nova contém todas as outras e as prolonga, ou seja, que elas vivem e ressuscitam nela… Tudo acontece como se a ação (libertadora ou criadora) se fundamentasse sobre a fé na ressurreição dos mortos”. O único motivo para se crer na ressurreição – e se trata de crer – é a identificação com a luta histórica de Jesus pelo Reino, ou seja, a opção pelos pobres. Resumindo: as narrações sobre as aparições não são, pois, históricas. Mas não quer dizer que não sejam verdadeiras. Sua verdade é mais que histórica e depende, por isso, da fé. Não é uma verdade histórica, mas uma verdade sobre a história, meta-história. Pertencem a esse plano – escatológico – no qual se julga e verifica o sentido da história vivida.
Parte I Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
Parte II Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
Parte III Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
XXII
XXIII
XXIV
XXV
XXVI
XXVII
XXVIII
XXIX
XXX
XXXI
XXXII