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Parte II Texto V Ressuscitado por Deus Resumo do capítulo com este título do livro de José Antonio Pagola - Jesus: Aproximação Histórica – Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. A prisão e a morte de Jesus, tão injusta e humilhante, deixa em seus amigos, discípulos, uma pergunta que põe em cheque o sentido da vida de cada um: Por que Deus abandonou Jesus que só fez o bem e viveu para os outros, construindo o reinado de Deus? Sem resposta, amedrontados e humilhados, eles voltam para sua terra, a Galileia. Cinco deles – Mateus, também chamado Levi de Alfeu e os irmãos Simão e André, Tiago e João – viajaram juntos, ou se encontraram em Cafarnaum. Algum tempo depois – não se sabe quando – eles voltam a se reunir em Jerusalém, em nome do mesmo Jesus, cuja prisão e morte ali os afugentara. O que aconteceu que os fez reanimar, individual e coletivamente? Não há registro histórico do que aconteceu; há narrativas diversas, diferentes, descontínuas. Há apenas uma convicção, uma certeza, que enche a todos de esperança e vontade de anunciar a novidade a todos: “Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos. A ideia de ressurreição expressam-na com dois termos: “despertar” e “levantar”. Deus despertou Jesus, o crucificado, do sono da morte e o “levantou para a vida”. A primeira menção escrita à ressurreição encontra-se na carta de Paulo à comunidade de Corinto, datada do ano 55/56. Nela ele reforça a boa nova que lhes havia levado em sua visita por volta do ano 50. Esta boa nova – a ressurreição de Jesus no terceiro dia (leia-se “no dia certo, decisivo”) – não é uma novidade de Paulo, mas o testemunho do que ele viu e ouviu nas comunidades de Jerusalém e Antioquia, provavelmente na década de 40. O anúncio da ressurreição de Jesus, nas palavras de Paulo, está associado à nossa ressurreição, “primícia” de uma ressurreição universal, inauguração dos últimos tempos. Mas, em que consiste a ressurreição de Jesus? Na convicção dos discípulos é algo real, que aconteceu a Jesus, pela ação de Deus. Não é reanimação de um cadáver. É muito mais. Jesus não retorna a esta vida, mas entra, definitivamente, na Vida de Deus. Uma vida libertada do poder da morte. Como disse Paulo: “Sabemos que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, não volta a morrer e seu viver é um viver para Deus” (Rm.6;9). Jesus está vivo, é alguém real e concreto, com um “corpo glorioso”, que se revela, que se dá a conhecer, nem sempre de imediato. Os primeiros relatos sobre o que se passou depois da morte de Jesus foram compostos entre os anos 70 e 90.. Falam da intervenção misteriosa de Deus, dando vida a Jesus, como um fato real que aconteceu efetivamente. Mão há qualquer relato da ressurreição em si. Não podemos dizer que foi um “fato histórico”, passível de ser descrito em suas características empíricas. Para os discípulos de Jesus e todos os demais que passaram a acreditar no Cristo, “a ressurreição é o fato mais real, importante e decisivo, que ocorreu para a história humana, porque constitui seu fundamento e sua verdadeira esperança”. Para os primeiros cristãos, Jesus foi o primeiro a nascer para a vida definitiva de Deus. Ele se antecipou a desfrutar de uma plenitude que nos espera também a nós. Ele é a garantia da ressurreição da humanidade, ou seja, de que o ser humano está destinado a compartilhar da felicidade infinita de Deus. Trata-se de uma experiência pessoal, forte, decisiva e pacificadora, vivenciada em comunidade: Jesus está vivo e está conosco! Como entender, então, os eventos narrados nos Evangelhos, que têm toda aparência de fatos históricos: sepulcro vazio, aparições individuais e coletivas, ascensão aos céus? Os Evangelhos não narram fatos históricos, no sentido atual do termo, nem se preocupam em compatibilizar narrativas deferentes e até contraditórias. Eles reproduzem narrativas presentes em várias comunidades cristãs, as quais vinham sendo transmitidas oralmente durante cerca de 35 a 40 anos, ou seja, da morte de Jesus (ano 30) à redação do primeiro dos Evangelhos, o de Marcos, por volta dos anos 65 a 70. Quando Paulo, na primeira carta aos Coríntios, fala sobre a ressurreição, ele diz que a maioria das pessoas, para as quais Jesus se revelou, ainda vivia. Quando os Evangelhos falam de Madalena, dos discípulos de Emaús e de outros, estes, provavelmente, já haviam morrido. Restavam nas comunidades cristãs histórias transmitidas oralmente na catequese e nas celebrações. O que importa nas narrativas é o significado, o conteúdo, a certeza de que Jesus, já então, o Cristo (o Messias, o Senhor), está vivo, presente nas comunidades, na vida de cada novo cristão. O Messias, tão esperado por Israel, veio de forma inesperada. Jesus de Nazaré foi morto e Deus o reviveu, como vai reviver a cada um. “Entre os cristãos da segunda e terceira geração recordava-se que fora o encontro com Jesus vivo, depois de sua morte, que havia desencadeado o anúncio contagioso da Boa Notícia de Jesus”. Duas narrativas dos Evangelhos são tomadas, equivocadamente, por muitos cristãos, como fatos históricos: a ascensão e o sepulcro vazio. Sobre a ascensão há total acordo entre os pesquisadores: “Trata-se de uma composição literária, imaginada por Lucas – o único Evangelista a narrá-la – com uma intenção teológica muito clara: ela é a culminância solene do tempo de Jesus. Ele vai para o mundo insondável de Deus, mas promete, como diz Mateus: “Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”(Mt.28,20). O túmulo vazio já suscitou muito debate entre os especialistas. Trata-se de um relato tardio que não consta das primeiras confissões (leia-se proclamação da fé) e hinos litúrgicos que falam da ressurreição de Jesus, nem é mencionado por Paulo. Só se fala do sepulcro vazio a partir dos anos setenta, ou seja, cerca da 40 anos depois da morte de Jesus. “O relato não parece escrito para apresentar o sepulcro vazio de Jesus como prova de sua ressurreição”. “Não sabemos se Jesus terminou numa vala comum, como tantos crucificados, ou se José de Arimateia pôde fazer algo para enterrá-lo em algum sepulcro dos arredores. Todas as possibilidades encontram defensores entre os investigadores contemporâneos. Também não há consenso se mulheres encontraram vazio o sepulcro de Jesus. É difícil, portanto, chegar a uma conclusão histórica irrefutável”. O sentido dos relatos é claro e sobre ele há consenso: “é um erro procurar o crucificado num sepulcro vazio; ele não está aí; não pertence ao mundo dos mortos. Ele está vivo e continua animando e guiando seus seguidores. É preciso viver curando os que sofrem, acolhendo os excluídos, perdoando os pecadores, defendendo as mulheres e abençoando as crianças; é preciso fazer refeições abertas a todos e entrar nas casas anunciando a paz;; é preciso contar parábolas sobre a bondade de Deus e denunciar toda religião que vá contra a felicidade das pessoas; é preciso continuar anunciando que o reino de Deus está próximo. Com Jesus é possível um mundo diferente, mais amável, mais digno e justo”. Por volta dos anos 40 ou 42, enquanto os cristãos buscavam uma resposta ou uma explicação para a morte de Jesus, foi cunhada uma fórmula que vem gerando muito mal entendido: “Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras”. “Se Deus fosse alguém que exige previamente o sangue de um inocente para salvar a humanidade, a imagem que Jesus deu do Pai teria ficado totalmente desvirtuada”. “O que dá valor redentor ao suplício da cruz é o amor e não o sofrimento. Por si mesmo o sofrimento é mau, não tem nenhuma força redentora”. Jesus foi coerente, fiel ao reinado de Deus, anunciado e vivenciado com os excluídos, pelos quais deu a vida. O sofrimento que lhe foi imposto foi um mal, não desejado por ele nem por Deus. Sua crucificação foi um crime, como tantos outros contra vítimas inocentes. Os primeiros cristãos, confessavam admirados: “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho”. Como historiador, Pagola conclui: É possível verificar historicamente que, entre os anos 35 e 40, os cristãos da primeira geração confessavam com diversas fórmulas uma convicção compartilhada por todos e que rapidamente foram propagando por todo o Império: “Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos”.
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