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Parte II Texto IV Domingo de Páscoa Texto extraído do capítulo sob este título do livro “A Última Semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus” – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007, dos historiadores John Dominic Crossan, irlandês, monge católico e Marcus J. Borg, americano, luterano. Neste resumo, utilizamos, sempre que possível, frases do próprio autor. “Quando o sábado terminou, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungi-lo. De manhã cedo, no primeiro dia da semana, ao nascer do sol, foram ao sepulcro. Iam dizendo uma a outra: ”Quem rolará a pedra para nós entrarmos no sepulcro?” ”Quando olharam, viram que a pedra, que era muito grande, já fora rolada. Ao entrarem no sepulcro, viram um rapaz vestido de branco, sentado do lado direito; e ficaram alarmadas. Mas ele lhes disse: “Não se assustem; vocês procuram Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, não está aqui. Olhem este é o lugar onde o depositaram…” (Evangelho de Marcos 16: 1- 6) Aqueles de nós que crescemos como cristãos temos um “pré-entendimento” da Páscoa, assim como temos da Sexta-feira Santa e do Natal. Este pré-entendimento disseminado enfatiza a factualidade histórica das narrativas. Alguns, de forma mais rígida, veem cada detalhe como factual, literal e infalivelmente verdadeiro. Outro de forma mais flexível: afirmam a factualidade histórica do básico: o túmulo estava realmente vazio; Deus transformou o cadáver de Jesus e este apareceu a seus seguidores, depois da morte numa forma que podia ser vista, ouvida e tocada. Acreditamos que a ênfase na factualidade histórica das narrativas da Páscoa atrapalha o entendimento das mesmas. Que tipo de narrativa é essa? História ou parábola? Chamar essas narrativas de históricas, no sentido que se dá à expressão hoje, significa que os acontecimentos narrados poderiam ter sido fotografados ou gravados se essas tecnologias estivessem disponíveis na época. Se as narrativas são parábolas, o modelo de entendimento é aquele que se aplica no entendimento das parábolas de Jesus. A ideia óbvia é que as parábolas podem ser verdadeiras – verdadeiras e cheias de verdade – independentemente de serem factuais. Uma narrativa parabólica, não nega nem sustenta a factualidade do que é narrado e, portanto, independentemente da factualidade histórica, a narrativa pode ser profundamente verdadeira. A importância das narrativas está em seus significados; frequentemente há mais de um. Para ilustrar: a leitura factual do túmulo vazio, sem ter um significado designado, é simplesmente um acontecimento estranho, ainda que excepcional. A narrativa de Marcos como parábola é rica de significados: Jesus foi lacrado em um túmulo e este não pode contê-lo; Jesus não deve ser encontrado na terra dos mortos; aquele que foi crucificado, Jesus, foi ressuscitado por Deus, e a promessa a seus seguidores: “vocês irão vê-lo”. A primeira narrativa da Páscoa, a de Marcos, escrita por volta dos anos 65-70, contém apenas 8 versículos; a de Mateus tem 20 versículos; a de Lucas 53 e a de João 56 (O evangelho de João é do final do sec. I). Mateus e Lucas (os dois por volta do ano 80) utilizam Marcos como uma de suas fontes, independente um do outro. A narrativa de Marcos é enriquecida nos demais Evangelhos com descrições de “aparecimentos”, em que Jesus ressuscitado se revela a seus seguidores. Estas histórias são produtos de experiência e de reflexão dos seguidores de Jesus nos dias, meses, anos e décadas após sua morte. Cada evangelista tem a sua, sugerindo que era assim que a história da Páscoa era contada na comunidade para a qual cada um deles escrevia. Dois temas percorrem as diferentes narrativas dos Evangelistas que resumem os significados centrais da Páscoa: Jesus vive! Deus vindicou Jesus! Jesus continua a viver e atuar – esta é a base de experiência da primeira das afirmações centrais. O segundo significado é o sim de Deus a Jesus, contra os poderes que o mataram. Jesus é o Senhor; os senhores deste mundo não o são. A Páscoa afirma que os sistemas de dominação deste mundo não são obra de Deus e não tem a última palavra. Paulo nos dá o mais antigo testemunho da ressurreição de Jesus, por volta dos anos 53/54. Os temas centrais das narrativas dos Evangelhos - Jesus vive e Jesus é o Senhor - são igualmente centrais na experiência, na convicção e na teologia de Paulo. O terceiro tema da Páscoa de Paulo torna explícito o que está implícito nas narrativas da Páscoa encontradas nos Evangelhos. Ou seja, dentro do mundo do pensamento judaico que moldou Jesus, Paulo e os autores do Novo Testamento, a ressurreição está associada à escatologia ou utopia. A escatologia, que em grego significa “sobre as últimas coisas”, ou “sobre os finais”, proclama uma alternativa a este mundo presente, mundo do tempo. Não se trata da destruição e sim da transformação do mundo de Deus aqui em baixo. Para Paulo e os primeiros cristãos a ressurreição geral já começou com Jesus. Portanto, se o reino de Deus ou a ressurreição física geral começou nesta terra, também está sendo afirmado que todos, aqui e agora, estão chamados a participar do que é uma escatologia colaborativa. Ou, no magnífico aforismo de Santo Agostinho: “Nós sem Deus não podemos, e Deus sem nós não fará”. Dentro da teologia de João sobre a encarnação, a morte e a ressurreição de Jesus encarnam o caminho da transformação. Transformação pessoal – morrer para um antigo modo de ser e renascer num novo modo de viver – e política, que os cristãos facilmente deixam de lado. A compaixão - o amor - é absolutamente central na mensagem e na vida de Jesus e a justiça é a forma social de compaixão. Colocando a mesma ideia numa linguagem diferente, o amor é a alma da justiça e a justiça é o corpo, a carne, do amor.
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