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Parte II Texto III A experiência da ressurreição Texto baseado em: Pagola JA - Jesus, Aproximação histórica. Vozes, Petrópolis, 2010; Mesters C. - Com Jesus na Contramão. Paulinas, São Paulo, 1995; Comblin J. - Jesus de Nazaré. Paulus, São Paulo, 2010; Eicher P. - Dicionário de conceitos fundamentais em Teologia. Paulus, São Paulo, 1993; e Konings J. Marcos. - A Bíblia passo a passo. Loyola, São Paulo, 1994. Depois da execução de Jesus, os discípulos tinham fugido, desanimados e sem fé. Sentiam-se tristes e acuados. Pareciam mais mortos que o próprio Jesus. Neles morrera a esperança. Tinham sido três anos muito bonitos, muito ricos, mas, no fim, veio o fracasso e a frustração. No entanto, acontece algo difícil de explicar. Tem a ver com a experiência de morte que é, de todas, a que mais nos aproxima do sentido da vida. O sofrimento profundo da perda os faz reavaliar melhor a caminhada e a experiência que viveram junto a Jesus. Estes homens vão à Galileia e retornam novamente a Jerusalém, reunidos em nome de Jesus, proclamando sua boa nova. Quem os arrancou da covardia e desconcerto? Por que falam agora com audácia e convicção? Eles só dão uma resposta: Jesus está vivo, Deus o ressuscitou! A morte não conseguiu acabar com ele. Jesus não é uma ideia, não é uma assombração, nem uma saudosa memória. Não há nenhuma morte que não possa se tornar vida. Não há nenhum túmulo que não contenha vida. Acontece com eles uma experiência pacificadora, que os reconcilia com Jesus, pois os discípulos sabem que o abandonaram. Aquela dor que existia em seu coração não era só tristeza pela morte de Jesus; era a tristeza do remorso e da culpa. Mas não há repreensão ou condenação. O encontro com Jesus é uma experiência de perdão e de alegria. O ressuscitado presenteia os discípulos com a paz e a bênção de Deus e os discípulos sentem-se perdoados e novamente aceitos à comunhão com ele. Jesus continua o mesmo. Essa era a paz que infundia nos enfermos e pecadores quando andava com eles pelos caminhos da Palestina. Este encontro os transforma pela raiz, restaura suas alegrias e esperanças. Para eles começa uma vida nova, uma vida de ressuscitados. O encontro dos discípulos com o Jesus ressuscitado é um dom. Os discípulos nada fazem para provocá-lo. Jesus é que toma a iniciativa e a eles se apresenta, cheio de vida, obrigando-os a sair de sua perplexidade e incredulidade. Eles se sentem surpreendidos, quando Jesus se deixa ver no centro daquele grupo de homens atemorizados. Maria Madalena está à procura de um cadáver quando Jesus a chama pelo nome. Ela não o pode segurar. De agora em diante ela “é” Jesus. Com a alegria e o entusiasmo ela vai apressadamente testemunhar a boa nova. (Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim). A ressurreição de Jesus lhes devolve a esperança. Ali, em Jesus, os próprios discípulos são ressuscitados! Para Deus a última palavra não é a morte. Vida vivida como Jesus a viveu, em obediência ao Pai e a serviço do povo, é vida vitoriosa. Deus a ressuscita. A promessa de Jesus segue pelos tempos, chega até nós. Até hoje a ressurreição acontece. Ela nos faz experimentar a presença libertadora de Jesus na comunidade, no dia a dia. O Jesus ressuscitado é uma realidade que não se pode provar historicamente, mas é atingível pela fé. Não é um mero retorno às formas de existir naturalmente perceptíveis ao homem comum, mas uma passagem para uma forma diferente de existência junto a Deus, escapa aos nossos limites (Rm 6,9; At 13, 34). A ressurreição de Jesus significa uma interpretação profética, não em primeiro lugar de sua morte, mas do fato fundamental de uma nova vitalidade, como fruto de um agir de Deus. Mais que tudo, o Jesus ressuscitado significa a vitória da Vida, a suprema coerência do Pai, a quem se entregou por inteiro, o Pai que jamais abandona seus filhos. A ressurreição não é um retorno de Jesus a sua vida anterior, a esta vida biológica que conhecemos, para um dia morrer novamente, de maneira irreversível. A ressurreição não é a reanimação de um cadáver. É muito mais. Jesus não volta a esta vida, mas entra definitivamente na “vida de Deus”. Quando Deus ressuscita Jesus, ressuscita o essencial de sua vida terrena: o amor, os gestos de bondade para com os pequenos, a obediência até a morte. A ressurreição de Jesus é uma atuação de Deus, que o resgata da morte, infundindo-lhe toda a sua força criadora. A vida ressuscitada brota como as plantas após a chuva que cai de mansinho e faz germinar os grãos que morreram na terra. Todos somos herdeiros dessa vida que continua circulando, porque a ressurreição é uma atuação de Deus Pai-Mãe que, com sua força criadora, continua presente e atuante nos seres humanos e na natureza. Alguma coisa desafia profundamente a crer na esperança da ressurreição. Não é o esforço de viver, mas sim a morte, que amedronta qualquer ser humano. A ressurreição é uma resposta desafiadora à morte. Assim como presente há dois mil anos, o Espírito da vida continua atuando também hoje entre nós. Jesus nos presenteia a Paz e nos envia em missão, para que o encontro com ele possa acontecer nos pequenos gestos cotidianos. Procuremos Jesus ressuscitado nas pessoas que, no anonimato, doam suas vidas pelos irmãos. Pois, ser testemunhas da ressurreição é seguir Jesus, servindo e vivendo o “amai-vos uns aos outros”, arriscando a vida ao lado dos vulneráveis, dos atormentados e dos excluídos. A experiência cristã da ressurreição de Jesus tem a ver com o acordar para a vida construindo, juntos, um mundo melhor do que este que aí está. Jesus, ao enviar os discípulos, apontou para as margens, para os caídos à beira do caminho. Há muitas maneiras pelas quais, Jesus aparece. Ele está escondido na pobreza, na fragilidade, na dor das pessoas. Presente também no cuidado, na construção, na resistência, na esperança, na vida, na festa, na paz! Ele está presente no âmago de cada um de nós, ressuscitado e ressuscitador, sempre à espera de uma entrega. Para alguns autores, a Galileia é concebida como lugar teológico. Continua sendo o lugar do seguimento de Jesus, o símbolo da vida cristã vivida no dia a dia. É o lugar onde Jesus chamou os primeiros discípulos e, provavelmente, foi o lugar da primeira comunidade cristã. O preceder de Jesus na Galileia é a atitude do pastor que vai à frente de seu rebanho. É sinal para continuar fazendo o caminho iniciado com Jesus, por esse mundo a fora. Esta missão Jesus a entrega às suas seguidoras e seguidores, ainda hoje. Seguir seus passos, suas trilhas, sentir sua presença atuante, realizar no concreto da história, pequenos e grandes gestos de solidariedade e ternura no caminho de seu projeto humanizador - é o desafio de nossa vida. Deixemos ressoar em nosso coração algumas perguntas: Em que situações vemos a ressurreição acontecendo hoje? Para você o que é experiência de ressurreição? Você já experimentou levantar-se de manhã disposto a viver aquele dia como ressuscitado? Como descobrir a ressurreição nos sinais de Vida que nos rodeiam? Como ser agentes de ressurreição nas oportunidades que aparecem, ou que propiciamos, frente ao pequeno, ao excluído, ao desgarrado, ao deprimido, ao moribundo? Como participar da ressureição da natureza, do meio ambiente?
Parte I Textos
I
II
III
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