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Parte II Texto XX O Deus de Israel e o Deus de Jesus Cristo Esse texto está baseado no Epílogo do livro “O nascimento do Cristianismo, o que aconteceu nos anos que seguiram à execução de Jesus”, de John Dominic Crossan - São Paulo: Paulinas, 2004. Durante o reinado de Ptolomeu VIII, soberano do Egito de 145 a 116 a.C., um judeu de Alexandria compôs a Carta de Aristeias a Filócrates. Nela, ele procura mostrar ao rei que o Deus que o povo judeu adora, “administrador e criador de tudo” é o mesmo que os gregos adoram com outro nome, Zeus. Judeus, gregos e romanos, para ele, cultuam o mesmo Deus com nomes diferentes: Iahweh para os judeus, Zeus para os gregos e Júpiter para os romanos. Santo Agostinho (354 a 430) cita Marco Terêncio Varão (116 a 27 a.C.) a quem considerava “o homem mais culto”: “Como os romanos não costumam cultuar nada superior a Júpiter e o consideram rei de todos os deuses e como os judeus cultuam o Deus supremo, romanos e judeus cultuam o mesmo Deus”. Crossan conclui as duas citações dizendo: “Essa concordância recíproca é perfeitamente irênica, linda e… profundamente errada”. Porque, diz ele: “os deuses também carregam bagagens. Indivíduos, grupos sociais, povos e nações têm bagagem histórica. Os deuses também têm”. Zeus fundamentou o internacionalismo helênico. Júpiter fundamentou o imperialismo romano e ambos ameaçaram o tradicionalismo judaico. Crossan conclui dizendo: “O que está em jogo é o caráter de seu Deus”. Qual é a caráter do Deus de Israel e do Deus de Jesus de Nazaré? “Rejeito totalmente o antigo libelo de que o Deus do Antigo Testamento, ou do judaísmo, é um Deus da ira e da vingança, enquanto o Deus do Novo testamento, ou do cristianismo, é um Deus de amor e misericórdia” (Op.cit.615). Para Crossan, o Deus verdadeiro de Israel e de Jesus Cristo é Aquele descrito pelo Salmo 82 - Deus se levanta no conselho divino, em meio aos deuses ele julga: “Até quando julgareis injustamente,
sustentando a causa dos ímpios?
Protegei o fraco e órfão, fazei justiça ao pobre e ao necessitado,
libertai o fraco e o indigente,
livrai-os da mão dos ímpios!
Eles não sabem, não entendem, vagueiam em trevas:
todos os fundamentos da terra se abalam.
Eu declarei: Vós sois deuses,
todos vós sois filhos do Altíssimo;
contudo, morrereis como um homem qualquer,
caireis como qualquer dos príncipes.
Levanta-te, ó Deus, julga a terra,
pois as nações todas pertencem a ti!” Uma cena mitológica na qual Deus senta-se entre os deuses e deusas no conselho divino. Os deuses e deusas pagãos não são destronados só porque são pagãos, nem porque são diferentes, nem porque são concorrência. São destronados por injustiça: por negligência divina, por mau procedimento transcendental no cargo. São rejeitados porque não exigem, nem fazem justiça entre os povos da terra. E esta justiça significa proteger os pobres dos ricos, proteger os organicamente fracos dos organicamente fortes. Tal injustiça cria trevas na terra e abala os fundamentos do mundo. “O Deus judaico e o Deus cristão, na medida em que não trocamos de Deus, é um Deus de justiça por natureza e caráter, não apenas por vontade e poder… Nessa tradição, não é possível separar a fidelidade a Deus e a dedicação à justiça. A justiça é a maneira como Deus se encarnou na história humana”. É, já vê, plenamente possível à infidelidade criar injustiça em nome de Deus, mas a questão é se é possível estabelecer a justiça na terra, a não ser pela encarnação desse Deus. (Op.cit. p.605). O Deus do indivíduo, de uma coletividade, ou de uma Igreja não lhe confere veracidade, autenticidade, muito menos exclusividade. Deus não se deixa prender. O Deus de Jesus de Nazaré é Aquele que se revela em sua vida e em suas obras. Tiago, um de seus discípulos, disse: ”Tu tens a fé e eu tenho a prática; tu, mostra-me tua fé sem as obras e eu te mostrarei minha fé pelas obras” (Tg.2,18). Leonard Boff narra um ilustrativo diálogo com o Dalai Lama: “qual é a religião verdadeira? O Dalai responde: “Aquela que o faz melhor”. Boff insiste: E qual religião nos faz melhor? Dalai responde: aquela que o faz mais compassivo, mais fraternal”. A questão, como disse Segundo, não é o nome que se atribui a Deus, nem quais são suas propriedades, mas saber qual o Absoluto sobre o qual cada pessoa, ou a religião aposta sua existência, no mundo do sentido e dos valores. “Por qual tipo de felicidade Jesus de Nazaré apostou sua vida? Que tipo de atividade ou que mediações usou para ser consequente e eficaz nesta aposta? Que concepções globais da vida e da realidade manifesta ao longo de sua vida e até o último momento?” (Segundo Op.cit.101). Nossa conclusão: não se trata de ter fé em Jesus, mas ter a fé de Jesus; buscar a própria felicidade na internalização da estrutura de seus valores e na prática de seus comportamentos.
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