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Parte II Texto XIX Ressurreição, túmulo vazio, aparições, ascensão: acordos e desacordos Há, entre os cristãos, alguns (ou muitos?) que tomam ao pé da letra o que se encontra na Bíblia, principalmente no Novo Testamento. Contudo, não há entre os especialistas, reconhecidos no mundo acadêmico, quem admita como racional tal postura. Registramos a seguir alguns acordos e desacordos sobre o tema deste capítulo, do ponto de vista dos autores aqui apresentados: 1 - Sepultado Que Jesus morreu crucificado não há qualquer divergência. Foi sepultado? Era costume dos romanos deixar os corpos dos crucificados nas cruzes para comida de animais selvagens e depois jogar o que restava numa vala comum e cobri-lo de cal. Pesquisas arqueológicas em torno de Jerusalém registram apenas uma ocorrência de restos mortais de um crucificado, do século I, quando se sabe que os romanos crucificaram milhares de judeus à época. Os judeus à época, por piedade - usando de influência política, ou suborno - às vezes removiam os corpos e os enterravam. A descrição do sepultamento de Jesus que se encontra nos Evangelhos pode ser um fato histórico: é plausível. Contudo, a descrição de Lucas, com a intervenção de Nicodemos ou de um membro influente do Sinédrio, conforme Mateus, é uma construção apologética. Para muitos teólogos cristãos, a ausência de sepultamento não contradiz a realidade da ressurreição, como fé em Jesus vivente e atuante. 2 - Sepulcro vazio Jesus teria sido enterrado e deixou o sepulcro vazio; para alguns trata-se de um fato importante e plausível. Para outros teólogos, isso é irrelevante, uma vez que não afeta o acontecido e a mensagem da ressurreição. O sepultamento e o sepulcro vazio não são fatos passíveis de comprovação histórica. 3 - As narrativas dos acontecimentos pós-morte A primeira menção à ressurreição de Jesus se encontra na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, escrita por volta de 54/55. Na carta, ele se refere ao que já lhes havia ensinado pessoalmente por volta do ano 51, quando de sua primeira visita a Corinto. Seu enunciado a respeito da ressurreição de Jesus e nossa tem o formato de uma “profissão de fé”, que ele diz ter recebido da comunidade cristã de Antioquia (onde surge, pela primeira vez, o nome “cristão”) que, por sua vez, deve sua origem à comunidade de Jerusalém. Esta “profissão de fé” na ressurreição remonta, portanto, aos 10 primeiros anos depois da morte de Jesus. Os quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e alguns escritos apócrifos narram, mais ou menos pormenorizadamente, os acontecimentos pós-morte de Jesus de Nazaré. Há um acordo entre os especialistas que essas não são descrições de fatos históricos, mas narrativas tiradas de tradições de cada uma das comunidades para as quais os autores escrevem. Marcos, autor do primeiro Evangelho (entre os anos 65 e 70), utilizou pelo menos duas fontes anteriores: o Evangelho Q (unanimidade), que se perdeu, e o Evangelho da Cruz (não há unanimidade), os quais podem remontar aos anos 30 e 40. As narrativas devem ser lidas não ao pé da letra, mas como se lê as parábolas de Jesus. Na maior parte dos casos, as narrativas se inspiram nos livros sagrados dos judeus e se pretendem catequéticas (para conversão), quando não apologéticas (de refutação de argumentos contrários). O que pode parecer contradição, exagero, absurdo, ao raciocínio lógico, pode ter todo sentido ao raciocínio poético. 4 - Aparições às mulheres (destacamos este item pelo que tem de peculiar e até de curioso) A maior parte dos autores estudados prefere o conceito de revelar-se: Jesus se revela e não simplesmente aparece, mesmo porque o seu reconhecimento não é imediato, como se dependesse da fé; Aparição a Madalena – alguns autores defendem que a primeira revelação de Jesus foi não a Pedro, mas a Madalena. A discípula especial que sempre acompanhara Jesus teria sido a primeira a reconhecê-lo vivo; Aparição às mulheres em geral – As opiniões a este respeito divergem bastante. Alguns acreditam que a narrativa de Mateus coloca as mulheres como incrédulas: saem à procura de Jesus no túmulo, que está vazio. Outros autores consideram que o protagonismo das mulheres nas aparições reflete o crescente papel das mulheres nas primeiras comunidades cristãs. Ao deixar a Sinagoga e o Templo (principalmente depois de sua destruição no ano 70), o lugar de oração é o lar, onde se celebra a eucaristia e onde as mulheres têm um papel mais relevante. 5 - Ressurreição Não se trata de vivificação de um cadáver, mas de um novo modo de ser: o corpo glorificado de Jesus independe de tempo e espaço; Não é uma manifestação de Deus que diz relação exclusiva a Jesus, mas sinal e garantia de nossa ressurreição; Deus manifestou em Jesus o nosso futuro, nosso destino final: a sobrevivência de nosso eu, sob novo modo de ser; A ressurreição não é um fato histórico, mas meta-histórico, que remete à questão crucial: terá sentido nossos sonhos e esforços de transformar ou revolucionar nosso mundo? Tudo acaba real e definitivamente - o bem e o mal - ou todo bem ressurge no mistério de Deus, fonte de vida e do existir? 6 - Ascenção Há um consenso a este respeito: a descrição da ascensão “é uma composição literária imaginada por Lucas com uma intenção teológica muito clara“ (cf. Pagola). 7 - Leituras prevalentes dos especialistas, hoje: Algo extraordinário, insondável, aconteceu que converteu um grupo de homens simples, assustados e medrosos em arautos de uma mensagem insólita: Deus ressuscitou aquele que foi crucificado, Jesus, e ele está vivo e atuante; Não se trata de crer que Jesus ressuscitou (fato passado, cada vez mais distante), mas crer em Jesus vivo, atuante, transformador: o grande impulsionador do amor ao próximo; Dois sólidos pilares da renovação cristã atual: a) Jesus de Nazaré e a construção do Reino de Deus; b) A ressurreição como crença em Jesus vivo, aqui e agora, revirando e dando nova vida a tudo.
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