Quem Somos
Prólogo
Referências
Vídeos
Fale Conosco
Veja Também:
Parte II Texto XVIII Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem Síntese do artigo, sob este título, do teólogo João Batista Libânio S.J., que se encontra em www.jblibanio/artigos. Esperamos não ter distorcido o texto ao resumi-lo, com grandes cortes, para o público-alvo do site. A fé em Jesus Cristo tem que levar muito a sério a humanidade do mesmo Jesus. Ou seja, a fé tem que afirmar que Jesus foi um homem verdadeiro, um homem como outros homens. Por conseguinte, toda afirmação de fé ou apresentação da mensagem cristã que deixe de lado a humanidade de Jesus Cristo tem que ser descartada radicalmente, porque se trataria de uma afirmação errônea e herética. Jesus foi um homem que, tal como outros homens, sofreu devido à ignorância quanto ao futuro, ao medo, à insegurança e às limitações inerentes a todo ser humano. Ou seja, Jesus não foi poupado de tudo que faz a existência humana verdadeiramente dura e difícil. É a partir deste ponto de vista que se deve ler cada página do evangelho. Jesus é um modelo possível para o ser humano e ao alcance da criatura limitada que somos cada um de nós, seres humanos. Podemos contemplar sua vida, meditar sobre ela e fazer dela nossa regra de vida. Podemos procurar assimilar seus critérios, seus gestos e atitudes, porque são humanos e, por isso, feitos para nós. Se se compreende assim a existência de Jesus e seu agir humano, o evangelho adquire forte exemplaridade para cada um de nós. Podemos tomar como exemplo muitas passagens que os evangelhos nos contam sobre Jesus. Por exemplo, as narrativas na Paixão nos dizem que Jesus morreu dando um forte grito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt. 27,46; Mc 15,34). Em realidade, o que quer dizer esse grito surpreendente de Jesus no último instante de sua vida? Pode parecer chocante para muitos de nós o Filho de Deus sentindo-se assim desamparado e proclamando isto em voz alta quando um filósofo como Sócrates morreu serenamente, bebendo o veneno que lhe estendiam e tantos iogues mostram diante da morte uma serenidade surpreendente. Hoje, há teólogos que interpretam essas palavras no sentido mais radical. Afirmam que Jesus se sentiu realmente abandonado de Deus e completamente fracassado. Ele havia pregado o reino de Deus. Havia anunciado, além disso, que o reino está próximo (Mc. 1,15; Mt. 3,17) ou inclusive já está “no meio de vós” (Lc. 17,21). Mais ainda, Jesus disse estas coisas no marco da mentalidade apocalíptica de seu tempo, que separava o reino no sentido de uma iminente e inesperada intervenção de Deus (cf. M. 13,30 14,25; Lc. 22,15.19-29). Mas o fato é que esta intervenção de Deus não se produziu até o momento de sua morte. E não somente não se produziu de maneira que ele pudesse constatá-la, como também, além disso, o que Jesus viu que lhe vinha ao encontro era sua própria morte. Seu grito na cruz é o grito de alguém que se sente balançando no vazio e se entrega totalmente nas mãos incompreensíveis de um Deus que não parece responder-lhe. Por outra parte, é importante levar muito em conta o sentido que tem a maior parte das confissões de fé que aparecem no Novo Testamento. Essas confissões de fé afirmam que Jesus – aquele que os homens mataram – foi constituído Senhor, Messias e Filho de Deus mediante sua ressurreição. Desde este ponto de vista, vê-se claramente que as confissões de fé mais originais, mais antigas e mais plenas do Novo Testamento vão decididamente na linha de uma cristologia ascendente. Partem da vida humana e da existência histórica de Jesus. O significado da pessoa de Jesus é inseparável da história, do agir e do destino do próprio Jesus. Por conseguinte, isolada dessa história, desse agir e desse destino, a pessoa de Jesus perde sua verdadeira significação para nós. É isso que o primeiro anúncio da comunidade apostólica repetiu incessantemente. Deus se revelou e deu a conhecer plenamente em Jesus. Assim o afirma expressamente o evangelho de João: “Ninguém jamais viu a Deus; o único Deus engendrado, que está diante do Pai, esse o deu a conhecer” (Jo. 1,18). Isso quer dizer que a revelação verdadeira de Deus se realizou em Jesus. Portanto, será necessário desaprender o que antes se sabia (ou se acreditava saber) de Deus para aprender de Jesus, que é sua explicação, sua exegese. Por conseguinte, não conhecemos Jesus a partir de Deus, mas pelo contrário, conhecemos Deus a partir de Jesus. Como consequência disto, podemos afirmar que toda imagem de Deus que não seja adequada ao que Jesus a partir de sua humanidade, nos revelou, é inexata e insuficiente. O quarto Evangelho é bem claro, quando relata a afirmação de Jesus: “Quem me vê, está vendo o Pai... Não crês que eu estou no Pai e o Pai em mim?” (Jo. 14,9-10). Na medida em que Jesus revela Deus, portanto, se pode afirmar sem medo que Jesus pertence à definição e ao conteúdo da essência eterna, da identidade mais profunda de Deus. A própria afirmação do prólogo do evangelho de João, segundo o qual “no princípio já existia a Palavra” (Jo. 1,1), tem que ser entendida no sentido do projeto fundamental de Deus. É o intuito primitivo, a palavra divina absoluta, original, que relativiza todas as demais palavras. E essa Palavra Eterna, esse projeto original que se fez realidade histórica concreta na pessoa de Jesus e que pôde e deve ser captado e tocado pelos sentidos humanos. Seus primeiros discípulos aprenderam com a ressurreição algo que antes não tinham percebido com clareza. Mas tal perspectiva resultou inadequada quando os cristãos refletiram depois sobre o mistério da identidade de Jesus. Quando se escreveram os evangelhos, predominava uma perspectiva segundo a qual se acreditava que Jesus fosse o Messias e Filho de Deus já durante sua vida pública e seu ministério, de modo que a ressurreição não fez mais que manifestar publicamente aquilo que Ele já era antes. Marcos diz que já no batismo Jesus era o Filho de Deus (Mc. 1,11). Mas os discípulos nunca conheceram a identidade gloriosa de Jesus durante sua vida mortal; tampouco Jesus nunca revelou abertamente aos discípulos provavelmente porque não teriam sido capazes de entender semelhante revelação. Esta falta de compreensão se percebe no texto da Transfiguração: quando Jesus toma à parte seus discípulos prediletos e lhes descobre sua majestade. E quando a voz de Deus ouvida pelos discípulos declara que Jesus é seu Filho, eles têm medo e não entendem (Mt. 9,2-8). No Evangelho de Marcos, é unicamente depois da morte de Jesus que é descoberto o mistério por uma testemunha humana, um pagão, o centurião romano: “Verdadeiramente, este era Filho de Deus” (Mc. 15,39). Marcos, portanto, conservou em parte a perspectiva mais antiga. Insiste em que Jesus era já Filho de Deus e Messias durante sua vida mortal, mas afirma que isto não se sabia publicamente. Assim se entende por que os cristãos podem dizer que chegou a ser Messias e Filho de Deus em virtude de sua morte e ressurreição. A verdade sobre Ele, que já existia desde sempre, só se descortina plenamente frente ao entendimento humano com sua Ressurreição. A partir do momento em que sabemos que Jesus nos revela o que pertence à essência eterna de Deus, podemos falar de Jesus aplicando-lhe o que corresponde a essa essência eterna do divino. Mas neste caso se trata de uma afirmação ou explicação subsequente. Porque o critério fundamental de interpretação é o mistério de Deus na vida humana de Jesus de Nazaré diante dos sentidos humanos.
Parte I Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
Parte II Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
Parte III Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
XXII
XXIII
XXIV
XXV
XXVI
XXVII
XXVIII
XXIX
XXX
XXXI
XXXII