Quem Somos
Prólogo
Referências
Vídeos
Fale Conosco
Veja Também:
Parte II Texto XVII O corpo Texto extraído do livro de Rubem Alves – Creio na Ressurreição do Corpo – São Paulo: Paulus, 1993. O autor, ex-pastor presbiteriano, é doutor em teologia, psicanalista, poeta e escritor. O CORPO Deus nos fez corpos. Deus se fez corpo. Encarnou-se. Corpo: imagem de Deus.
Corpo: nosso destino, destino de Deus.
Isto é bom.
Eterna divina solidariedade com a carne humana.
Nada mais digno.
O corpo não está destinado a elevar-se a espírito.
É o Espírito que escolhe fazer-se visível, no corpo. Corpos: realização do Espírito: suas mãos, seus olhos, suas palavras, seus gestos de amor... Corpo: ventre onde Deus se forma. Maria, grávida, Jesus, feto silencioso, à espera, protegido, no calor das entranhas de uma mulher. Jesus: corpo de Deus entre nós,
corpo que se dá aos homens,
corpo para os corpos, como carne e sangue, pão e vinho. E o corpo de Deus, Jesus Cristo, se expande, incha, tomando o universo inteiro:
“Presente em todos os lugares,
mesmo dentro da folha mais diminuta, em cada uma das coisas criadas, dentro e fora,
à sua volta e no interior de suas nervuras,
por baixo e por cima, atrás e à frente...” (Lutero). O corpo é o Espírito gracioso, capaz de sorrir, capaz de ficar grávido, gerar, morrer de amor...
É bem aí, no corpo, que Deus e o homem se encontram. Porque Jesus de Nazaré, Deus por nós, Deus conosco, é Deus solidário, em nosso jardim, como corpo, para sempre... Curioso que fechemos os olhos para orar.
Medo do corpo? Fugindo do corpo, do jardim, para um espírito, escondido do corpo, escondido do jardim?
Pense: qual seria sua reação se, depois de escolher a flor mais delicada ou o presente mais precioso para alguém que se ama, sim, qual seria a reação, se este alguém recebesse a dádiva com os olhos fechados? Se recusasse a ver, a cheirar, a morder, a tocar? Ah! Há momentos em que não queremos que a pessoa amada olhe para nós... Que ela olhe para a dádiva. É ali que está o nosso amor... Fechar os olhos para a dádiva é o mesmo que não querer que a dádiva seja dádiva, sacramento, símbolo do amor...
Mas fechar os olhos para orar. Não nos agrada o jardim?
Buscamos Deus fora do jardim?
Não podemos ver os sinais de bondade e de beleza que ainda restam? Fechamos os olhos e os viramos para dentro, em busca de um espírito. Mas o Espírito de Deus está nas coisas, nos corpos, na criação e, principalmente, nos risos e nos gemidos que saem das crianças e dos que sofrem. Um copo d’água, um brinquedo, um lírio, uma ave, semente que germina, o pão e o vinho, olhos que choram, mão que se recusa à violência, corpo que se interpõe, na defesa dos inocentes, faces fundas de mansidão, o sol que brilha, os céus estrelados, o silêncio no rosto dos oprimidos, herdeiros da terra... “Creio na ressurreição do corpo...”
Corpo para sempre, face do Espirito.
Corpo com sede
corpo doente
corpo migrante
corpo com fome
corpo na prisão...
“Quando o fizestes a um destes meus pequeninos, a mim o fizestes...”
Corpo: santuário, altar, hóstia.
Santos dos santos.
O Espírito ama
o amor se faz jardim:
corpos
que se amam no jardim:
jardim do Espírito
Jesus de Nazaré
que se fez pão e vinho
corpo distribuído
para mais amor:
semente do Universo-jardim
corpo de Deus
Cristo.
Nós.
Eu.
Parte I Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
Parte II Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
Parte III Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
XXI
XXII
XXIII
XXIV
XXV
XXVI
XXVII
XXVIII
XXIX
XXX
XXXI
XXXII