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Parte II Texto XIV Jesus ressuscitado Síntese do capítulo, sob este título, do livro de José Comblin – O caminho: ensaio sobre o seguimento de Jesus – São Paulo: Paulus, 2004. Jesus ressuscitou! Essa foi a proclamação mais significativa das primeiras gerações cristãs – o centro de sua proclamação do Reino – e a Igreja do Oriente continua fiel à centralidade da ressurreição. No Ocidente, a celebração da Sexta-feira santa foi, durante séculos, o centro da liturgia – mais do que a celebração da Páscoa – e isso permanece nas massas populares, que ainda não assimilaram a vigília da Páscoa. Jesus morreu, mas ressuscitou. Nenhuma religião jamais proclamou que seu fundador, ou um dos seus profetas, tivesse ressuscitado. Descrevem-se ressurreições de entidades mitológicas (Osíris, no Egito, por exemplo), mas nunca houve proclamação da ressurreição de um ser humano – que muitos viram, ouviram e tocaram. A ressurreição de Jesus é a afirmação, por parte de Deus, de que está realizando o seu projeto e cumprindo as suas promessas. De alguma maneira o futuro torna-se atualidade. O Reino de Deus já está presente. A ressurreição de Jesus não é um fato que se possa verificar. Ele acompanha a nossa existência, mas não o vemos. Temos fé na sua presença. A fé na ressurreição é o desenvolvimento e a expressão final da fé na palavra de Jesus anunciando o Reino de Deus. Se Jesus ressuscitou, é sinal de que Deus está mesmo realizando o seu plano. Crer no Reino de Deus é crer em Jesus ressuscitado. Há diversas maneiras de estabelecer a conexão entre a ressurreição de Jesus e a esperança: 1 - Durante os primeiros séculos a ressurreição de Jesus esteve muito ligada à esperança de uma ressurreição geral. O livro do Apocalipse de João é um testemunho da vida cristã totalmente orientada para o fim iminente. Sempre houve, e ainda há seitas e grupos que esperam uma vinda iminente de Jesus. O desmentido da história nunca desanimou os anunciadores do fim do mundo. 2 - Na cristandade, a ressurreição de Jesus foi vivida de maneira original. A tendência dominante foi considerar a realização de Reino de Deus. Entendeu-se que Jesus estava reinando na sociedade que existia – e que se dizia cristã. Edificou-se toda uma civilização, arquitetura, pintura, música, cidades, mosteiros, edifícios vistosos… Tudo isso era tido como o reino de Jesus ressuscitado. 3 - Ao lado da Igreja institucionalizada, que celebra os triunfos de Cristo – não aceita por todos os cristãos – há outra tradição que permanece fiel à ideia evangélica, ao ideal de pobreza, à negação do poder e da violência. Infelizmente essa tradição deu mais valor e ênfase à paixão, aos sofrimentos e à morte de Jesus do que à sua ressurreição – era uma reação contra o triunfalismo da cristandade. Precisamos situar corretamente o sentido da ressurreição de Jesus: a) Com Jesus chegamos, de certo modo, ao fim de uma época de esperança e ao início de uma extensão imensa dessa esperança. Doravante a esperança envolveria todos os povos da terra. b) O sentido da ressurreição é que Jesus permanece com os discípulos, continua sua missão na dos discípulos. c) A fé em Jesus ressuscitado é a fé na sua presença no meio da Igreja- no meio de seu povo. A presença de Jesus é, em primeiro lugar, presença no meio de uma comunidade. Os cristãos são o corpo de Cristo não individual, mas coletivamente. d) Ter fé em Jesus não é render-lhe um culto, mas seguir o seu caminho. Jesus nunca deu um sinal de que queria ser objeto de culto. Queria que o seguissem, não que lhe rendessem culto. No entanto, em poucas gerações, nasceu um culto. No início os discípulos celebravam a lembrança de Jesus – e a eucaristia era a lembrança de Jesus, não ato de culto. No entanto, os cristãos projetaram nele todos os desejos e aspirações humanas para o culto. A tendência para o culto está tão profundamente enraizada que não tem possibilidade nem razão de se opor a ele. No entanto, o culto não pode tornar-se prioridade. Ele não foi instituído por Deus, é criação humana, eclesiástica – foi estabelecido pela Igreja como realidade humana, não como tradição que vem de Jesus. Ele não quer culto, mas sim realizar o seu Reino, quer uma humanidade em via de libertação, caminhando, lutando, sofrendo, caindo e levantando-se de novo. e) Onde encontrar Jesus ressuscitado? Ele está na pessoa pobre. Tudo que se faz aos pobres, é a ele que se faz. Não podemos nos confundir exaltando as autoridades, em detrimento da prioridade que sempre deve ser dada aos pobres. “Há uma tendência a espiritualizar a mensagem de Jesus como se o Reino de Deus se limitasse aos bons pensamentos, às boas intenções, ou às virtudes morais. O Reino de Deus é moral, porque é material. O pecado é material e a salvação é também material. O pecado é a fome, a violência, a dominação, a desigualdade, a exclusão. O Reino de Deus é o fim da pobreza, a igualdade, a paz”. “A verdade plena da pessoa aparecerá somente na ressurreição; o significado da ressurreição é justamente esse: ser o surgimento fa verdadeira criatura, longe de ser um recomeçar de uma vida anterior” (Comblin, José – Viver a esperança – São Paulo: Paulus, 2010, p. 19 e 20).
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