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Parte II Texto XIII Deus o constituiu Senhor e Cristo Síntese elaborada pelo próprio autor - teólogo João batista Libânio, S.J. – de seu artigo sob o mesmo título, disponível em www.jblibanio/artigos. Algumas frases eliminadas não prejudicam – acreditamos – a compreensão do texto. A Ressurreição de Jesus se encontra no centro da fé cristã. Não há afirmação do Cristianismo primitivo, que não comece por afirmar que após sua morte ignominiosa e violenta, Deus resgata Jesus da morte e o confirma como “o vivente”. Esta afirmação é, fundamentalmente, a resposta constante do Cristianismo primitivo a uma das mais importantes questões sobre Jesus que foram refletidas e respondidas por todos os pensadores cristãos sérios. E é por ela que o Cristianismo surgiu e tomou a forma que tomou. A esperança na ressurreição começou no Judaísmo como uma história: a história do exílio e da restauração de Israel. A concepção e, sobretudo, a esperança da ressurreição se inicia como uma metáfora para o retorno do exílio e tudo o que acompanhava esta esperança de Israel. Mas a história, tal como é contada pelos judeus até os dias de Jesus nunca sugeriu que o verdadeiro retorno houvesse realmente acontecido. Ninguém considerava que as profecias de Isaías ou Ezequiel houvessem se cumprido realmente. Os chamados “judeus do segundo Templo” ainda viviam dentro do mundo da narrativa de exílio e restauração. Subjacente a tudo isso está a crença judaica inabalável na justiça do único Deus verdadeiro. O Novo Testamento (At 23:7-8) e mesmo historiadores não cristãos reforçam a crença em que a ressurreição era uma característica importante da teologia farisaica. Porém, no tempo de Jesus e de Paulo, a maioria dos fariseus pertencia à ala revolucionária do Judaísmo, ansiosa pela restauração imediata de Israel. Os judeus neste período tinham ideias razoavelmente bem desenvolvidas sobre um estado intermediário da pessoa após sua morte física ou pelo menos sobre uma gama de conceitos e vocabulário próprios para se referir a tal estado. Ressurreição, portanto, nesta concepção significa incorporação, reintegração da totalidade da existência vital; mais, implica não apenas algo que sucedeu apenas com um indivíduo, mas com todo o povo. Significa que a nova era despontou. Mas essa concepção não é homogeneamente aceita pelos grupos que lideravam o judaísmo. A experiência cristã primitiva e seu anúncio primeiro (kerigma) era que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Juntamente com isto, proclamava que esse que morrera e ressuscitara era o Messias e o Cristo de Deus. Por isto o Reino havia chegado e a nova era havia despontado. Esse Jesus que havia liderado a vinda do Reino era reconhecido desde muito cedo na história do Cristianismo como Messias. O antigo fariseu Paulo, trinta anos após a morte de Jesus, referia-se a ele como “Christós” o que mostra quão firmemente dentro da mais antiga tradição a ideia do caráter messiânico de Jesus havia sido sustentada. E a explicação para isto não poderia ser sustentada somente devido a sua ressurreição dentre os mortos. A vida de Jesus era lida de forma inseparável com sua morte e ressurreição. Esta última era a confirmação da identidade messiânica daquele que vivera e morrera. O uso cristão da linguagem sobre a ressurreição é admiravelmente livre de especulações vagas e gerais. É simples e claro: ressurreição significa atravessar a morte e sair do outro lado em um novo modo de existência. Nisto consistiu a ressurreição de Jesus. E isso foi o que anunciaram seus seguidores como tendo acontecido com ele após sua morte e, através dele, com todos os que nele creram. A ressurreição de Jesus constitui, pois, artigo fundamental da fé cristã, a ponto de São Paulo poder dizer: “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação; vazia também é a vossa fé. Se Cristo não ressuscitou, vazia é a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados” (1 Cor 15, 14.17). Nos escritos do Novo Testamento e nos da primeira Tradição cristã é tal a ênfase na ressurreição de Jesus que ela ocupa lugar primordial e indispensável no conjunto das verdades da fé. A fórmula de fé mais antiga professa a ressurreição de Jesus Cristo como realidade trans-histórica, mas experimentada e vivida na história pelas testemunhas. Esta fé não surgiu tardiamente na história das primeiras comunidades cristãs, mas é o eco direto da missão de Cristo acompanhada dia a dia pelos Apóstolos. A afirmação incontestável da Ressurreição por parte do Novo Testamento não quer significar a reanimação de um cadáver, mas a manifestação plena e gloriosa daquele que foi visto vivo e depois morto e agora se apresenta com sua corporeidade pneumatificada, animada pelo Espírito da vida e sobre quem a morte já não tem poder. A Ressurreição de Jesus é algo que se dá na história, mas é um fato trans-histórico. Se dá na história, mas ultrapassa os limites desta. Ela é o selo de autenticação da vida de Jesus e de sua morte. Jesus, como homem, morreu após haver pregado a boa notícia da chegada do Reino de Deus. Deus seu Pai o ressuscitou testemunhando, por este sinal de sua onipotência, da autenticidade da pregação de Jesus. A Ressurreição, além disso, não é apenas algo que se passa íntima e subjetivamente entre o Filho e seu Pai, mas um processo que se prolonga em toda a humanidade. Segundo os escritos do Novo Testamento, a ressurreição de Jesus não é um fato fechado em si, mas o início de um processo que se estende a todos os homens. Tal é o alcance teológico da glorificação (ressurreição e ascensão) de Jesus. O Senhor rompe os limites dos tempos e se faz presente a todos os tempos, sempre vivente para interceder por nós (Hb 7,25) junto ao Pai no “santuário celeste” (Hb 9,12. 24) e junto a nós em nossos santuários terrestres, onde Ele nos prepara para uma ressurreição semelhante à sua.
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