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Parte II Texto I De Jesus de Nazaré ao Cristo da fé Apresentação da segunda parte do Projeto O MELHOR DE NÓS Boa parte das pesquisas históricas sobre Jesus de Nazaré termina com sua morte. São inúmeras as pesquisas sobre o julgamento, a condenação e a execução de Jesus. O que se segue após sua morte passa a ser matéria de especialidade dos teólogos, uma vez que seu objeto já não é o homem que nasceu em Nazaré e morreu em Jerusalém, mas o Messias (Cristo), objeto da fé. Alguns historiadores discordam dessa posição e consideram que há um passo a mais a ser dado por eles e demais cientistas na pesquisa sobre Jesus de Nazaré. O objeto deste passo a mais seria exatamente a pesquisa empírica do que aconteceu após a morte do Nazareno, que transforma um punhado de discípulos assustados e medrosos em homens corajosos, convencidos de que Jesus, que eles conheceram e viram morrer, está vivo. Usando os recursos que a ciência pode oferecer, através de múltiplas abordagens - psicológicas, antropológicas, sociológicas linguísticas, etc. – é possível senão reconstruir, pelo menos se aproximar dos fatos empíricos, individuais ou coletivos, que marcaram a transição – de ruptura e continuidade – de Jesus de Nazaré em Messias (Cristo), tão esperado por Israel e tão inesperado na forma como apareceu. Como nasce e se propaga a convicção de algumas pessoas e alguns grupos de que Deus não deixou Jesus de Nazaré no país da morte? Como ao nome de Jesus, o Nazareno, se incorporou um título – o Ungido, em hebraico Messias, em grego Khristós - que virou quase um sobrenome: Jesus Cristo? Os pesquisadores que se aventuram neste campo são, do ponto de vista científico, ainda mais cuidadosos porque estão caminhando num terreno fronteiriço entre a probabilidade científica e a certeza da fé (Ou seria a certeza da fé, também ela, uma aposta de alta probabilidade?). O projeto O MELHOR DE NÓS tenta levar a seus leitores um pouco do que há de melhor e mais novo sobre o pós-morte de Jesus. Para entender o que se passa no curto período após a morte de Jesus – não necessariamente três dias – é importante dar um passo atrás, contemplando sua morte repentina, violenta e trágica. Jesus de Nazaré é preso num dia e, no dia seguinte, crucificado. Tudo pelo reinado de Deus, seu sonho, sua utopia, sua razão de viver. Totalmente voltado para incrementar o reinado de Deus que, acreditava, estava começando. Com o advento deste reinado tudo seria diferente porque os homens olhariam seus semelhantes, todos, principalmente os mais carentes, como irmãos, com o olhar compassivo de Deus, Pai. Seu sonho, que ele via presente, concretizado na convivência de homens e mulheres, no repartir o pão, no curar os enfermos, no espantar os espíritos maus, pareceu chegar ao fim. Da noite para o dia, um de seus discípulos o entregou às autoridades do Templo. Os demais fugiram. Em menos de 24 horas, ele é preso, julgado, condenado e executado. Executado barbaramente como qualquer criminoso que ousasse desafiar o poder local judaico-romano. Abandonado e só, absolutamente só. O brado dessa solidão, na cruz, parece ter ficado na memória daqueles que presenciaram a cena de longe: “Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?” Sua frase em aramaico entrou para a história. Ele não disse Pai, mas Deus. A tradição cristã coloca em seus lábios outras frases que os historiadores não confirmam. Jesus de Nazaré se sentiu abandonado. Morrendo ele sabia que iria para o sheol, e ali, no “seio de Abraão”, permaneceria até a ressurreição no ultimo dia, que, segundo os historiadores e exegetas, ele esperava para logo. Jesus era um judeu piedoso e sua formação religiosa tinha a marca da concepção farisaica da ressurreição dos mortos, negada pelos saduceus. Atribuir a Jesus de Nazaré predicados divinos é esvaziar-lhe a humanidade. É importante, fundamental mesmo, para crentes e não crentes, cristãos e não cristãos, ver toda a imensa humanidade deste homem que acreditou, se identificou, viveu e morreu para os mais abandonados pelo mundo desumano que criamos. Jesus morreu. Seus discípulos, prudentemente e amedrontados se dispersaram. Tudo acabou, como acabou para muitos outros idealistas que, antes dele, deram sua vida pelo próximo? Tudo acabou? Aconteceu algo, alguma coisa que transformou radicalmente muitos daqueles que conheceram Jesus de Nazaré. Há um quê, um quando e um como a ser pesquisado. Estamos diante de um fenômeno social, coletivo, que merece e tem sido muito pesquisado, principalmente nos últimos vinte anos. Se morreu, seu corpo foi sepultado ou deixado aos animais selvagens e abutres, como era costume entre os romanos? Se sepultado, onde, como? Sepulcro vazio, ressurreição, aparições, ascensão; o que significa tudo isso? O que diziam seus contemporâneos? Veremos que as pesquisas avançaram muito e conseguem nos apresentar visões novas dos fatos e narrativas que remontam a quase dois mil anos. Veremos também que se chega a um ponto em que as pesquisas científicas não conseguem penetrar. Há fatos, percepções e sentimentos - o mais evidente deles, o amor - que a ciência não consegue alcançar, o que não depõe nem contra ela, nem contra aqueles. Esta segunda parte do Projeto O Melhor de Nós, mescla textos de sua equipe e de vários autores. Em cada capítulo, o pensamento de um pesquisador atual com enfoques e interpretações complementares, diferentes ou divergentes. Procuramos sintetizar os textos dos autores, mantendo, sempre que possível, suas próprias palavras. Concluímos essa parte com algumas reflexões filosóficas e poéticas dos teólogos brasileiros João Batista Libânio e Rubem Alves e do pesquisador americano John Dominic Crossan, este sobre o Deus de Israel e o Deus de Jesus Cristo. ﷯
Parte I Textos
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
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XVIII
Parte II Textos
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