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Parte I Texto IX O contexto socioeconômico em que Jesus viveu Na concepção judaica, profundamente enraizada, a terra pertencia a Deus e Deus doou ao povo judaico a terra prometida e fez com ele uma Aliança. Este quinhão chamava-se Canaã e a partir da época helenística passou a se chamar Palestina. No ano 63 a.C. o general Pompeu conquistou Jerusalém e incorporou a Palestina (Judeia e Galileia) à Província Romana da Síria, conquistada no ano anterior. Às duas cidades da Síria, Damasco e Antioquia foi incorporada a terceira mais importante da região, Jerusalém. A Palestina era relevante para os romanos por ser uma região estratégica – pela Galileia passava a importante rota comercial que ligava a Mesopotâmia ao Egito – pequena e densa – o que favorecia o controle militar e a cobrança de impostos – fértil – sobretudo na Galileia – com um centro comercial e financeiro dos maiores do mundo de então, Jerusalém. A Palestina ocupava uma faixa de terra de 20 mil km2 (menor que o Estado de Sergipe) de 240 quilômetros de cumprimento, por 80 de largura, entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão. Habitada por cerca de 500 mil pessoas era uma das regiões mais densas da Província. A Galileia, com forte influência helenística era chamada pelos judeus do sul, no tempo de Jesus, de “Galileia dos gentios “. Região bilíngue, onde o povo falava a língua tradicional – um dialeto hebraico-aramaico – e os soldados, comerciantes estrangeiros e outros, falavam o grego. Entre os discípulos de Jesus havia pelo menos dois que falavam o grego. Em várias cidades havia uma população mista, helenizada, o que fazia dos galileus um povo mais liberal, menos rigorista com relação aos costumes hebreus e preceitos dos fariseus. Contudo, entre os galileus piedosos reinava um forte nacionalismo e disposição para resistir aos romanos. Os Evangelhos mencionam várias vezes Decápole, uma referência às 10 cidades helenísticas, 11 das quais se encontravam a leste, do outro lado do Jordão. Mateus diz que da Decápole vinha gente ver Jesus. Marcos fala de um endemoniado de Gerasa, curado por Jesus e que, voltando de Tiro, “Jesus seguiu em direção ao lago da Galileia, passando por Sidônia e atravessando os montes da Decápole.” Uma das Decápolis era Philadelphia, hoje Aman, capital da Jordânia. As terras da Judeia eram áridas prestando-se mais à pecuária do que à agricultura. A Galileia era fértil. “Toda a região da Galileia está destinada ao cultivo e não há parte alguma de seu solo que esteja sem aproveitar “. (Fávio Josefo (37-100d.C) – historiador judeu.) O trigo, muito cultivado na Galileia, constituía a base da alimentação, embora a cevada, mais amarga, fosse “o pão dos pobres”. A Galileia produzia para consumo próprio e o excedente era destinado ao abastecimento da Judeia e principalmente de Jerusalém. Para o Templo ia o melhor que se produzia, os “feixes das primícias” e os “pães da proposição“. Além dos cereais, a Galileia cultivava vinhas, oliveiras e figueiras. Há registros de hortaliças cultivadas: lentilha, ervilha, alface, chicória e agrião. Outras frutas: maçã, romã e tâmaras. Plutarco (46-126 d.C.) afirmou que todos os dias chegava à mesa do Imperador, em Roma, romãs e tâmaras da Galileia. O vinho era bebida costumeira de toda a Palestina. Na Judeia criavam-se ovelhas e cordeiros, necessários para o culto. A carne era consumida pela população mais abastada, ficando restrita à festa da Páscoa e outras ocasiões especiais para os camponeses e pobres em geral. Na indústria se destacava a pesca no Lago Tiberíades e o preparo do peixe seco em Mágdala. A fiação e tecelagem de lã na Judeia; na Galileia seda, possivelmente proveniente da China e linho, talvez produzido localmente. A indústria do couro era bastante significativa e destinava-se ao consumo local e à exportação. O couro dos animais abatidos no Templo, nas festas anuais, nos sacrifícios diários e nos sacrifícios de expiação particulares, era de propriedade dos sacerdotes. Apenas na Páscoa eram abatidos cerca de 18 mil cordeiros. “Suspeita-se com fundamento que o comércio de animais para o sacrifício era um negócio rentável controlado pela família de Anás. No ano 30 quem o controlava era o “chefe do clero”, Jônatas, filho de Anás e cunhado de Caifás“ (Pagola). Outros produtos industrializados à época: cerâmica, betume e artesanato de luxo – lembranças da Cidade Santa para os peregrinos e perfume para o Templo. O comércio na Palestina em geral era reduzido e feito de muitas trocas. Os excedentes de produção eram consumidos pelas cidades. Jerusalém, com uma população fixa de 30 a 50 mil habitantes, e de cerca de 120 mil peregrinos nas grandes festas, era a cidade que concentrava maior riqueza e demandava mais bens e serviços. Os bens chegavam em caravanas de camelos, administradas por verdadeiras sociedades de transporte. Exportava-se principalmente alimentos, frutas, óleo, peixe seco, tecidos, betume e perfumes. O Templo, o sumo sacerdote e a aristocracia civil e religiosa eram os principais importadores. Compravam cedro do Líbano, incenso e perfume da Arábia, tecidos e especiarias da Índia e da Babilônia. Este comércio estava na mão de grandes negociantes, judeus ou não, com escritórios e depósitos em todo o Império. Alguns destes tinham residência em Jerusalém, onde desfrutavam da corte e de seus prazeres. Como todo judeu da Diáspora (estima-se em 4 milhões o número de judeus fora da Palestina, no tempo de Jesus) devia contribuir, anualmente, com duas dracmas- a didracma - para a manutenção e embelezamento do Templo, este era um grande centro financeiro. Ali estava a maior casa de câmbio, onde moedas de toda parte do mundo eram trocadas pela única moeda válida no Templo. Como uma espécie de “casa de câmbio” fixava a cotação de cada moeda. Era a maior instituição bancária da época. A carga tributária imposta pelo Império era maior. Todo judeu – meninas acima de 12 anos e meninos acima de 14 – tinham a obrigação de pagar anualmente um denário (equivalente a um dia de trabalho) e um quarto da produção a cada dois anos, ou seja, cerca de 13% da produção a cada ano. A cobrança dos impostos era confiada pelos romanos, para ser mais eficiente, às famílias ricas, que contratavam outros, sob forma de arrendamento, para fazer esse “trabalho sujo“. Um desses chefes de cobradores, Zaqueu, foi visitado por Jesus. Um outro, Levi/Mateus, cobrador de impostos, impuro e pecador na avaliação dos fariseus, foi recrutado por Jesus para ser seu discípulo/apóstolo. A carga tributária total para a população camponesa era esmagadora. Estima-se que correspondia para famílias como a de Jesus, de um terço ou metade do que produziam. Muitos perderam suas propriedades por incapacidade de pagar. Roma, capital do Império – alguns historiadores falam de um milhão de habitantes – era mantida pelas riquezas dos países conquistados. O legionário romano tinha que ser um realizador competente, capaz de arrecadar impostos, garantir suprimentos e manter a ordem, a “pax romana”. Três fenômenos sociais, entrelaçados e associados ao domínio imperial aconteceram no tempo de Jesus, afetando profundamente a vida de seus conterrâneos: a expansão da monocultura e da construção civil e, como consequência, expansão dos latifúndios, monetarização da economia e concentração da riqueza. A concentração da propriedade e o aumento do contingente de pessoas sem terras teve consequências dramáticas. Muitos camponeses que perderam suas terras deixaram o campo para trabalhar nas cidades. A reconstrução de Séforis, a construção de Tiberíades, por volta do ano 20 d.C. e a fortificação de Júlias - antiga Betzaida, de onde provinham Felipe e os irmãos Simão e André - por Herodes Antipas, além de atender à política de Roma objetivava empregar camponeses que perderam suas terras. Situações de endividamento, desemprego, escravidão, trabalho em regime de diarista ou meeiro foram presenciadas, vivenciadas por Jesus de Nazaré e narradas nos Evangelhos.
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