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Parte I Texto VIII O templo, as festas, as sinagogas e os sábados Algumas instituições impregnavam toda a vida social e religiosa dos judeus, na época de Jesus: o Templo, as festas, as sinagogas e os sábados. O Templo de Jerusalém era a referência máxima, símbolo maior da aliança de Deus com o povo e vice-versa. Construído inicialmente por Salomão, foi destruído em 587 a.C. por Nabucodonosor. Reconstruído, com modéstia, em 515, depois do exílio babilônico, foi completamente remodelado e ricamente adornado por Herodes, o Grande, no ano 20 a.C. Uma construção monumental, implantada num terreno de 480m x 300m, onde sobressaía um grande cubo de 50 metros - o Templo propriamente dito. Ali estava a sala denominada Santo, onde ficavam o altar dos perfumes e dos pães ofertados e o candelabro de 7 braços. Separado por uma cortina - o Véu do Templo - ficava o espaço vazio, o lugar para os judeus mais sagrado da terra- o Santo dos Santos - onde o Senhor estava presente. Apenas o Sumo Sacerdote, uma vez ao ano, na Festa da Expiação, com grande temor, penetrava este recinto, onde só havia uma presença, a de Javé, o Senhor de Israel. Este era o ponto central, a mais importante referência para todo judeu. Quanto mais próximo dele, mais sagrado era o local. O enorme terreno de 144.000m2 – cinco vezes maior que a Acrópole de Atenas - em que se encontrava o Templo propriamente dito, não era um único platô, ele tinha desníveis. No ponto mais alto encontrava-se o “santo dos santos “, o lugar mais sagrado da terra para todo judeu. Nesse platô foram construídos os palácios de Herodes, dos Asmoneus, de Caifás e, junto ao Templo, a Fortaleza Antônia, de onde os romanos cuidavam da segurança, vigiando o que se passava ali, principalmente na Páscoa, quando o Procurador Romano deixava Cesareia, às margens do Mediterrâneo, e se instalava na Fortaleza para dela observar o que se passava no pátio do Templo e para intervir prontamente em caso de qualquer distúrbio da ordem. Assim Roma exigia, assim ele fazia. Pelo Pórtico de Salomão entravam judeus e gentios (não judeus). Ali estavam instalados os comerciantes de bois, de carneiros, de pombas, de óleo, de farinha e outros apetrechos necessários ao culto, bem como os cambistas para a troca de moedas dos peregrinos vindos de todas as partes. Considerando que Jerusalém tinha cerca 45 a 50 mil habitantes e que, no tempo de festas anuais, sobretudo na Páscoa, chegava a 180 mil, pode-se imaginar o movimento e a importância comercial do templo. Depois do pátio, em direção ao centro do Templo encontravam-se os três portões que davam acesso ao pátio das mulheres. Outros 6 portões, 3 de cada lado, davam acesso ao pátio de Israel, onde nenhum incircunciso, sob pena de morte, podia entrar. Depois vinha o pátio dos sacerdotes, o altar, o Santo e o Santo dos Santos. O altar de 25 metros de largura por 7,5m de altura nada tinha a ver com nossos altares, parecia mais um incinerador ou forno crematório, uma vez que se devia queimar animais inteiros (holocausto). Somente as peles não eram queimadas; estas se tornavam propriedade dos sacerdotes. Dois cordeiros eram imolados, um pela manhã, outro à tarde, todos os dias do ano no “sacrifício perpétuo” de Israel a Deus. A função de sacrificar o animal e recolher o sangue era exclusiva dos sacerdotes, exceto do cordeiro pascal que era sacrificado, no templo, pelo chefe da família, que, naquele momento, figurando o povo, era elevado à dignidade sacerdotal. Imaginemos círculos concêntricos de santidade, de dentro para fora: o Santo dos Santos, onde só o Sumo Sacerdote podia entrar; o Santo, onde os sacerdotes tinham acesso; o pátio dos sacerdotes, espaço entre o Santo e o altar, onde os sacerdotes, mesmo inaptos para o culto (deficientes de todo o tipo) tinham acesso; o pátio de Israel destinado aos homens adultos de Israel; o pátio das mulheres; os espaços onde se concentrava o comércio, frequentado por judeus e gentios; os espaços fora dos pátios onde habitavam os dirigentes do culto, a logística do Templo; a cidade de Jerusalém; o país de Israel; e, enfim, o resto do mundo. Assim a santidade ia se diluindo e a pureza se tornando impureza. O Templo era o ponto de referência de todos os israelitas. Em parte dele e em redor dele se instalava o maior mercado de compra-e-venda e de trocas do País. Era motivo de orgulho para todo israelita, mas também um peso pela obrigação de peregrinar 3 vezes por ano e pelo imposto cobrado. Todo israelita adulto estava obrigado a celebrar todos os anos, em Jerusalém, os eventos históricos da libertação de Israel: Páscoa, Pentecostes (Festa das Colheitas) e Tabernáculos, ou Tendas. É evidente que nem todos podiam cumprir esse preceito. Outras festas importantes do calendário judaico do tempo de Jesus, celebradas nas aldeias, eram: o Yom Kipur (dia das Expiações), Ano Novo, A Dedicação e Os Purim, uma espécie de carnaval comemorativo da libertação do povo. A mais espetacular das festas era a dos Tabernáculos, durante as quais cada família construía, nos arredores de Jerusalém, uma cabana de folhagens na qual moravam durante uma semana. Tinha aparência de uma festa das vindimas, com os riscos habituais de embriaguez. Os dados sobre o número de habitantes da Palestina, no tempo de Jesus (500 a 600 mil) e de participantes anuais da Páscoa em Jerusalém (130 mil peregrinos, mais os 50 mil habitantes da cidade) nos dá uma ideia do impacto das peregrinações anuais. A população de Jerusalém, durante uma semana, três vezes por ano, se triplicava. Um quarto da população de cada aldeia do País se juntava em caravanas e se deslocava durante dias, a pé, por até 200 km em direção à capital. Jesus se insurge contra essa mistura de comércio e culto, de profano e sagrado. No plano espiritual, cotidiano, o espaço de referência era a Sinagoga, que não era um mini Templo. Nessa época, a função educativa era exclusivamente religiosa. Era um lugar de reunião semanal da comunidade para formação religiosa e oração, oração esta que era repetida diariamente em cada casa, pela manhã e à noite. Prestava-se também para discutir problemas da comunidade. Ali se formava a consciência da identidade nacional e sua aliança com Jeová, seu Deus. O culto começava com a recitação do Shemá e uma série de orações que falavam das necessidades cotidianas e da grande esperança coletiva: a era messiânica. Embora todos falassem aramaico, as leituras da Torá (Pentateuco) eram feitas em hebraico, que um dos presentes traduzia literalmente ou não. Qualquer homem, judeu adulto (acima de 12 anos) podia fazer a leitura e tinha certa liberdade de escolher o texto. À leitura da Torá seguia-se outra tirada dos Profetas. Era costume algum homem fazer uma pregação, comentando os textos lidos ou exortando à piedade. Entre os camponeses, em geral pouco letrados, era costume passar a palavra aos visitantes ou aos escribas e fariseus que assumiam a função de animar as reuniões, o que lhes aumentava o prestígio. Jesus, em suas peregrinações pelas aldeias, procurava as Sinagogas para falar ao povo. Em geral, as Sinagogas eram retangulares, algumas com bancos de pedra nas laterais. As mulheres e crianças eram separadas dos homens por uma balaustrada de madeira. Todos de corpo e coração voltados para o Templo em Jerusalém. O descanso um dia por semana (sábado), introduzido em Israel no bojo de uma série de medidas corajosas de reforma social, de caráter civil – descanso das terras de 7 em 7 anos, (Ano Sabático) o perdão das dívidas, a libertação dos escravos, a devolução das terras penhoradas, a cada 50 anos (Ano do Jubileu) – foi sacralizado. A origem histórica do shabat (sábado) é muito antiga. Está associada às ideias de festa e folga do trabalho. As narrativas sobre ele dão-lhe valor religioso e justifica dizendo que até Deus descansou no ultimo dia da criação do mundo. Com o tempo as narrativas são transformadas em leis, no caso, legislações sacerdotais codificadas durante o exílio babilônico (598 a 538 a. C.).As legislações vão compor um livro e esse se torna sagrado. Há duas formas fundamentalmente diferentes de ler a Bíblia: nesta sequência, investigando as origens, ou se atendo exclusivamente ao que está escrito, como palavra de Deus. No primeiro caso o sagrado é a vida e as iniciativas humanizadoras que perpassam a história; no segundo caso o sagrado é o que está escrito, como sendo a inquestionável palavra de Deus. O sábado, uma instituição tão saudável e libertadora, pela leitura estreita do livro escraviza o homem. Jesus rompe essa amarra que nos prende à Lei, restabelecendo o valor primordial – a vida, os homens – para os quais o sábado foi feito.
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