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Parte I Texto VII O contexto religioso em que Jesus viveu Epicuro, filósofo grego que exerceu grande influência ética no mundo greco-romano nos três séculos anteriores ao Cristianismo, deixou-nos um receituário de quatro remédios para a felicidade humana (cf. www.tetrapharmakon.com.br) O primeiro destes remédios - “nada a temer com relação aos deuses“ - reflete uma concepção da divindade totalmente diferente da concepção judaica de Deus. Para Epicuro os deuses nada têm a ver com as coisas humanas. Não ajudam, nem atrapalham. Ignore-os e faça por onde ser feliz. O Deus de Israel é um Deus de relacionamento. Sua história é a história do relacionamento do povo e de seus dirigentes com Deus. Uma Aliança foi construída entre Deus e o povo. A iniciativa partiu de Deus: Ele chamou um homem, Abraão (1850 a.C.), de uma terra distante – Ur da Caldeia (hoje Iraque)– o fez percorrer longa distância, o submeteu à prova e lhe prometeu ser pai de um numeroso povo. Resgatou esse povo quando escravizado no Egito, deu-lhe um grande libertador, Moisés (1.300 a. C.) e, através dele, os Dez Mandamentos. Através de Moisés, Deus convoca os hebreus e estes tomam consciência de que são um povo especial, uma igreja” (ecclesia em grego: a assembleia dos convocados) e eles se comprometem coletivamente nessa aliança. Depois de fazer o povo peregrinar pelo deserto deu-lhe uma terra só para ele. Esse povo se constituiu como Nação e teve bons e maus dirigentes, dependendo de seu comportamento. Foi advertido muitas vezes pelos Profetas, homens com grande coragem e senso de justiça. Toda essa odisseia foi sendo contada oralmente e depois registrada por escrito, ao longo dos séculos. Foram compilados relatos populares, histórias, Leis, filosofia de vida (Provérbios), poemas, orações, exortações e visões. O último dos livros que veio a formar a Bíblia (plural de biblos, livro) foi “Sabedoria”, escrito no ano 50 a.C. Um conjunto de cinco livros - Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio - compunha o que os judeus, já no tempo de Jesus, denominavam Pentateuco, também chamado de Livro da Lei ou Torá. Nos últimos 500 anos antes de Jesus de Nazaré seus ancestrais estiveram submetidos a diferentes Impérios. Conheceram a opressão em suas terras e o pior - o exílio e a escravidão. Cerca de 500 a 600 mil judeus viviam na Palestina no tempo de Jesus e cerca de 4 milhões dispersos pelo Império Romano, o que não impediu que o Povo da Aliança preservasse sua identidade cultural e religiosa. Se para Epicuro há que se esquecer os deuses para ser feliz, para os judeus a felicidade está em fazer a vontade daquele que nos criou e sabe e quer o que é bom para o seu povo. A felicidade está em procurar e fazer a vontade de Yaveh. “Eu me comprometo a vos conduzir à felicidade se observardes meus mandamentos“. Na época de Jesus não havia uma ortodoxia religiosa, mas várias correntes de ideias, ou seitas, entre as quais se destacavam os Fariseus e Escribas, os Saduceus, os Essênios e os Zelotes. Os Fariseus eram judeus piedosos, conhecedores da Lei, difundida por eles principalmente nas Sinagogas. A pecha de hipócritas tem origem circunstancial e é profundamente injusta. Sua desconfiança do poder, zelo pela Lei e presença junto ao povo tornava-os muito influentes e populares, embora pretendessem “ser separados“ do povão, ignorante e afastado da Lei, portanto impuro. Esta preocupação com a pureza asfixiava tanto a eles quanto os pobres que pagavam um peso alto por sua observância. As normas eram de difícil observância, angustiantes e caras. Qualquer toque em algo ou alguém impuro – sangue, certos animais, estrangeiros, pessoas com doenças de pele (chamados de leprosos) etc. tornava a pessoa impura. Eram muitos os marginalizados pela impureza: doentes, mutilados, loucos, possessos, samaritanos, estrangeiros. As normas sobre a pureza eram um fardo pesado, sobretudo para os pobres. Imagine ter que destruir um forno porque uma lagartixa ou barata passou sobre ele... Os escribas – muitos de observância farisaica – também chamados doutores da Lei, eram pouco numerosos, mas socialmente influentes. Ocupavam uma posição social logo após os anciãos eram bem representados no Sinédrio, conselho composto de 71 membros, que atuava como corte de justiça, doutrina e controle da vida religiosa, cujo chefe, o Sumo Sacerdote, era também o chefe supremo da nação. Os Saduceus (“os justos”), apesar de não serem numerosos, formavam a aristocracia eclesiástica sediada em Jerusalém e tinham grande influência religiosa e política. Apegados à Lei Escrita, desconfiavam dos profetas. Não acreditavam na ressurreição dos mortos. Para eles Deus abençoa os justos com riqueza e poder, o que lhes era próprio. Os Essênios constituíam uma seita apocalíptica. Viviam numa comunidade em Qumram, perto do Mar Morto, a cerca de 20 km. de onde João pregava e batizava. Apartados da sociedade para se manterem santos, eram de um rigorismo, que ultrapassava o dos fariseus. Confiantes em Deus, os Zelotes defendiam com determinação o Templo, a Lei e o povo escolhido, lutando pelo extermínio dos ímpios, na época, sobretudo os romanos, que os identificavam como salteadores e sicários. É importante salientar que fariseus, escribas, saduceus, essênios e zelotas, são grupos rivais, as vezes mutuamente hostis, dentro da nação judaica, geralmente unidos na resistência ao internacionalismo grego e ao imperialismo militar romano. A situação de insatisfação do povo de Israel ajuda a compreender o sucesso de João Batista e de Jesus de Nazaré Os preceitos religiosos eram sufocantes e colocavam muitos à margem da sociedade como impuros. Um povo sedento de libertação, “ovelhas sem pastor”, à espera de alguém ou algo que viesse cumprir as promessas de libertação, repetidas nas orações da cada dia. Neste contexto algumas escolhas de Jesus de Nazaré marcaram sua vida e suas atividades: 1. Ser batizado por João e tornar-se, por um tempo, seguidor deste ardoroso profeta; 2. Residir em Cafarnaum, se entrosar com os pescadores, entre os quais fez seus melhores e mais fieis amigos pelo resto da vida; 3. Procurar as "ovelhas perdidas de Israel": os pobres, os pecadores e os doentes, peregrinando pelas aldeias, principalmente da Galileia; 4. Tornar-se, ele próprio, um impuro, pária, por compaixão, sem se apartar do convívio com todos; 5. Anunciar a todos uma boa nova, fonte de alegria e felicidade: o início do reinado de Deus misericordioso, Pai que nunca abandona alguém; 6. Não impor novos preceitos legais, normas e ritos, mas apelar para a confiança em Deus, compaixão pelo próximo e esperança de dias melhores; 7. Escolher entre o povo e treinar um grupo de seguidores, capazes de difundir e dar continuidade à sua mensagem; 8. Não se curvar frente àqueles que se apegam ao dinheiro, ao prestígio, ao poder e à solidariedade meramente grupal; 9. Aceitar as consequências de seus atos, não fugindo à prisão, ao sofrimento e à morte. Temos procurado nos ater aos fatos. Esta seleção de fatos da vida de Jesus de Nazaré (inspirada no livro “Jesus antes do Cristianismo”, de Albert Nolan), não escapa à subjetividade.
Parte I Textos
I
II
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