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Parte I Texto VI O reino de Deus O contexto A pregação desse peregrino que percorreu as aldeias da Galileia é uma resposta à situação que ele vê e um convite à superação E o que ele vê pelas aldeias da Galileia? Um povo simples, trabalhador, deserdado, enfermo e mal tratado pelas autoridades civis e religiosas. Aqueles que deveriam ser os representantes do povo de Deus são aliados dos invasores romanos e seus coopressores. Os dirigentes são donos de latifúndios e arrecadadores de impostos. Vivem nas cidades à custa da pobreza dos camponeses. No meio do povo, alguns, além de doentes, vivem em bandos completamente marginalizados, excluídos do convívio social. A região já produzira revoltosos que foram massacrados pelos romanos. É provável que Jesus, em sua juventude, tenha ouvido comentários do brutal massacre executado sob o comando de Varo. Segundo o historiador Flávio Josefo, Varo mandara crucificar umas duas mil pessoas, na Judeia. Gaio, outro comandante romano, mandara incendiar Séforis, a então capital da Galileia, distante apenas 5 km de Nazaré e algumas aldeias circunvizinhas. Para este povo sofrido e abandonado, Jesus, criado junto dele, regressa com uma boa notícia: o reino de Deus. Em que consiste o reino de Deus, foco da pregação e razão de ser da vida de Jesus? O anúncio Até agora procuramos nos ater aos fatos históricos sobre os quais pesquisadores atualizados e competentes estão de acordo. Quando se trata de falar sobre a mensagem de Jesus de Nazaré, o que ele pretendeu transmitir, as coisas complicam. É difícil, senão impossível, separar o que ele falou, do que seus conterrâneos guardaram de lembrança ou entenderam e, sobretudo, reinterpretaram depois da ressurreição, experiência extraordinária e arrebatadora. Depois vieram outros discípulos e mais outros e aqui estamos nós, hoje, lendo essas narrativas e querendo tirar delas, pelo olhar objetivo/subjetivo, o que pensamos ser mais representativo e significativo. Há poucos dias apareceu na internet uma entrevista com José Antonio Pagola, um dos mais respeitados pesquisadores sobre Jesus de Nazaré. Com toda a simplicidade, ele disse que estamos apenas começando a entender o que Jesus pretendia e que os poucos 20 séculos que nos separam dele foram marcados por circunstâncias que moldaram e deformaram as leituras de sua mensagem. Com estas ressalvas, vamos tentar ver o que Jesus de Nazaré disse e tem a nos dizer. Ele se atribui uma missão: anunciar o reino de Deus. Para isso viveu e por isso morreu. Mas o que é o reino de Deus, expressão citada 162 vezes no Novo Testamento e 129 nos Evangelhos? Apesar desta profusão de citações há muitas interpretações. Poderíamos resumir, dizendo que Jesus tenta transmitir uma experiência pessoal de descoberta de Deus, como seu e nosso pai, papai, paizinho. Alguém imensamente misericordioso, que só quer aquilo que seus filhos mais querem: que sejam felizes, que tenham vida em abundância, em plenitude. A expressão reino de Deus evoca como seria o mundo presente se fosse governado por Deus, numa visão política e religiosa utópica e escatológica. Ele tem muito pouco a ver com promessa de vida melhor no céu. Jesus anuncia fazendo e, fazendo, torna presente, visível, o reino de Deus. O reino de Deus é algo concreto, que já está aqui, que vai se construindo silenciosamente e que será grande no futuro, este futuro que só o Pai sabe, quando vai acontecer. Uma coisa é certa: o mundo pode e será muito melhor quando todos se amarem como filhos do mesmo Pai. Ele será para todos, sem excluir ninguém. Este algo se ancora em nossa percepção e esperança. Não é algo espetacular, manifestação de poder – aliás, Jesus nutre grande desconfiança do poder – mas algo que, uma vez descoberto, percebido, muda nosso modo de ver e agir, nos faz converter. Converter-se, em essência, é voltar-se para os outros, principalmente para os mais abandonados. Ele não apenas anuncia o reino de Deus com palavras, ele o faz acontecer, aliviando o sofrimento daqueles que ele encontra ou que o procuram. Perguntado pelos discípulos de João Batista se ele era o Messias, o esperado de Israel, Jesus disse: “Ide e contai a João o que ouvistes e vistes; os cegos vêm, os cochos andam, os mortos ressuscitam e anuncia-se aos pobres a boa notícia…” (Mateus e Lucas). Os fatos, alguns extraordinários, vistos como milagres, são mais resultados de sua força interior e sinais da compaixão de Jesus pelo sofrimento humano. Aliás, Jesus via suas curas como ambivalentes. Dez leprosos foram curados, mas apenas um voltou para agradecer. Curou a doença, mas não mudou o coração. Muitas vezes ele pediu que não espalhassem notícias das curas. Não é fácil definir ou descrever o reino de Deus. Das palavras de Jesus dá para extrair algumas informações sobre o que não é, sobre o que é, a quem se dirige e quais são as consequências visíveis. O reino não é uma doutrina religiosa ou detalhamento dos ensinamentos e tradições de Israel. Não é um conjunto de leis e normas morais. Pelo contrário, ele próprio e seus discípulos infringem normas religiosas de purificação e respeito ao descanso do sábado. Ficou célebre sua afirmação: O sábado foi feito para o homem e não o contrário. O homem, filho de Deus, é a referência central deste reino. O reino de Deus não vem como uma vingança de Israel contra seus opressores, ou uma vitória dos santos sobre os pecadores. O reino de Deus não está dentro de nós, como algo privado e espiritual, afastado do mundo. Não é algo que se extrai de textos, por mais sagrados que sejam, mas da vida dos humilhados e desprezados. “Os últimos serão os primeiros”... Então, o que é o reino de Deus? É um voltar-se para Deus, Pai de todos, bondoso, misericordioso, cuidadoso com seus filhos; o melhor dos pais; lento para a cólera e rico em amor e fidelidade, cheio de compaixão para com os pecadores e gentios. É um reino de vida e paz; vida, felicidade em abundância. Este voltar-se para Deus só tem um caminho: amando o próximo, isto é, aquele que precisa ou que se encontra em seu caminho pela vida. Jesus de Nazaré encarna o reino de Deus porque a vida concreta, cotidiana, do povo, com suas alegrias e tristezas arrebata-lhe o pensamento, o coração e sua paixão pelo Pai. Jesus de Nazaré não discriminava ninguém; acolhia a todos, homens e mulheres, justos e pecadores; entretanto tinha uma preferência: os pobres, os doentes, os marginalizados, não porque fossem melhores, mas porque mais necessitados e por serem irmãos, filhos do mesmo Pai. Aos poucos o reino de Deus se fará realidade no mundo e, um dia, a nossa bela e maltratada terra, será o reino de Deus desejado e previsto por Jesus de Nazaré… algum dia, mais cedo ou mais tarde, depende de nós.
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