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Parte I Texto IV Ao encontro de João, o batizador O primeiro escândalo que Jesus provocou na pacata comunidade de Nazaré foi ele não se casar, o segundo foi ele, já homem adulto, deixar a família. Em Nazaré a família era tudo: lugar de nascimento, escola da vida e garantia de trabalho. Fora da família, o indivíduo ficava sem proteção, sem segurança” (Pagola). A decisão de deixar Nazaré é um momento de ruptura. Não sabemos quando, nem em que circunstâncias ela se deu. É bem possível que ela tenha sido influenciada pelas notícias que chegavam a Nazaré da atuação de seu conterrâneo João, o batizador. Este pregava e batizava a leste do Jordão, na região da Pereia, sob a jurisdição de Antipas, como a Galileia. Em frente de Jericó, do outro lado do rio onde, segundo a tradição, Josué cruzara o Jordão para entrar na terra prometida. O lugar parece ter sido escolhido intencionalmente como a simbolizar uma nova libertação de Israel. As notícias certamente falavam de um homem vivendo no deserto com alguns seguidores, comendo o que ali encontrava: gafanhotos e mel silvestre. Vestido austeramente com manto de pele de camelo, pregava arrependimento, batismo e penitência. A busca da penitência, da purificação e do deserto, como caminho de purificação não era fato isolado. O “mosteiro” de Qumram, onde uma numerosa comunidade de “monges” buscavam a purificação, distava cerca de 20 km do local onde João pregava e exercia o “batismo de conversão“: uma modificação radical do comportamento, como condição de retorno à Aliança com Deus. Hoje, um sociólogo talvez pudesse ver nesse caldo de cultura da época, a presença ameaçadora e violenta do império romano e suas consequências, a bajulação de seus representantes locais, sempre dispostos a agradar os chefes com o sacrifício da população pobre e empobrecida por dívidas de impostos e outras. A opressão gerava urgência de uma resposta imediata à sempre presente expectativa de salvação dos filhos de Abraão. A insatisfação estava no ar, levando à revolta e à espera de algo ou alguém que trouxesse a salvação. João via no sofrimento do povo de sua terra, ocupada e explorada por pagãos, o sinal da proximidade e a necessidade de preparar para o quê ou quem haveria de chegar. A pregação de João no deserto alcançou grande repercussão por toda a Judeia. De toda parte, inclusive da capital, Jerusalém, acorriam multidões para ouvir seu apelo à conversão e deixar-se batizar. A maior parte voltava para suas casas depois de terem confessado seus pecados e dispostos a converterem-se para Javé. Outros permaneciam no deserto com João, ouvindo-o e ajudando-o. O batizador era austero, duro consigo e corajoso ao denunciar os pecados de todos. Condenou abertamente Herodes, que vivia amasiado com a mulher de seu irmão Antipas. Este selara a paz com o rei de Nabateia – região fronteiriça e povo guerreiro, casando-se com sua filha. O comportamento de Herodes era repudiado não apenas por razões morais, mas porque ameaçava a paz na região. Herodes Antipas, sentindo-se ameaçado pelas denúncias de João e revolta dos vizinhos nabateus, manda prender João na Fortaleza de Maqueronte. Segundo Pagola, João, o Batizador, começou seu “rito” inusitado e surpreendente nas águas do Jordão entre o outono do ano 27 e a primavera de 28 de nossa era. Jesus no ano 28, então com 32/ 33 anos, procura João para ser batizado. “A profundidade e maturidade de sua índole levam alguns a pensar que Jesus viveu um período de busca de silêncio antes de encontrar-se com o Batista“ (Pagola). Na sua busca de Deus, Jesus se sensibiliza com o chamado de João à conversão e se submete ao batismo de arrependimento e purificação. O encontro com João e o batismo marcam uma guinada na vida de Jesus; constituem o marco inicial de sua vida pública. Jesus permanece em algum tempo em companhia de João e seus discípulos, entre os quais conheceu 3 de seus futuros discípulos, os irmãos André e Simão e Felipe, amigo deles. Nesse período, fica mais claro para Jesus seus pontos de convergência e divergência com João. João vê Deus como um Juiz que vem julgar e restaurar a aliança com seu povo que deve arrepender-se e confessar os próprios pecados, aceitar o perdão de Deus e começar vida nova, para formar uma nova Aliança. Ele, João, é apenas aquele que veio para preparar o caminho. Jesus concorda com João em sua visão sobre a situação de Israel e na necessidade de mudar. Sua experiência de Deus é outra. Vê nele um Pai misericordioso. Terá que buscar um novo estilo de vida e mensagem; ir ao encontro do povo nas vilas e aldeias, procurar os mais abandonados e compartilhar de suas alegrias e sofrimentos. Em pouco tempo deixa o deserto para trilhar sua própria caminhada. De João ele leva a ideia de preparar o povo para o encontro com Deus; chamar o povo para acolher seu Deus, despertar a esperança nos corações. Sua missão fica clara: anunciar e instaurar o Reino de Deus.
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