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Parte I Texto XVIII Jesus de Nazaré: o melhor de nós Chegamos ao coração de nosso projeto: um mergulho na humanidade de Jesus. A existência de Jesus de Nazaré é um fato histórico comprovado por várias fontes. Portanto ele é um de nós, membro do gênero humano. Se nossos conhecimentos científicos atuais estão certos, somos, ele e nós, frutos de um longo processo de evolução de uma entre as três milhões de espécies já catalogadas da Terra. Esta por sua vez, é um dos 8 ou 9 satélites que giram em torno desta estrela anã, o Sol, uma entre 100 bilhões de estrelas da Via Láctea, uma entre as 200 bilhões de galáxias de nosso universo em expansão há 13,2 bilhões de anos. Se não bastasse, talvez tenhamos que pensar em multiuniversos. Como todo ser humano Jesus nasceu frágil, dependente e encontrava seus primeiros deleites nos seios de Myriam, sua jovem mãe de 15 ou 16 anos. Como todos nós, no dizer poético do Evangelista Lucas, ele crescia e se fortalecia e o favor de Deus o acompanhava"… e que “aqueles que o ouviam estavam atônitos com sua inteligência e suas respostas" e, ainda, que “sua mãe guardava tudo isso em seu íntimo”. Ainda uma vez, como todos nós, “Jesus progredia em saber, em estatura, e no favor de Deus e dos homens”. Como em Nazaré não havia escola, sua aprendizagem se deu cotidianamente no grupo familiar, aos sábados na Sinagoga - com os textos sagrados de seu povo - e na convivência e no trabalho de cada dia. Formado, como se diz, na escola da vida! Aprendeu a falar em aramaico, a ler e traduzir os textos sagrados, escritos em hebraico, na Sinagoga. Pode ter aprendido algumas palavras do grego e do latim falados por alguns em Séforis, capital da Galileia, distante 6 km de Nazaré. Parece ter exercitado muito os cinco sentidos na percepção da natureza e do fazer humano. Quando começa a falar em público vai se mostrar um arguto observador e um exímio contador de casos. Desenvolveu uma habilidade extraordinária de transmitir suas mensagens através de parábolas, principalmente sobre o Reino de Deus, uma linguagem inédita até então. Chegaram até nós 40 das parábolas contadas por Jesus. As primeiras comunidades cristãs não conseguiram dar continuidade a esta linguagem poética. Estudos sobre a literatura hebraica compilaram cerca de 1.500 parábolas rabínicas, nenhuma anterior ao ano 70 d.C. Antes de pregar, aprendeu a ouvir. Quando Jesus, depois do estágio com João Batista, regressa a Nazaré, com 32/ 34 anos e fala na Sinagoga local, todos se admiram de seu saber, conhecendo-o como filho de José, um biscateiro. A surpresa leva-nos a pensar que ele não era dado a falar na Sinagoga de Nazaré, embora pudesse fazê-lo desde os 13 anos. As perspectivas e sonhos de Jesus quando criança, em Nazaré, era ser um artesão hábil e competente como seu pai ou um agricultor laborioso como outros de sua grande família. É o que se depreende de sua demora em sair de casa. Quando, como e por que começou a pensar em fazer outra coisa? Em algum momento – não sabemos quando – Jesus começa a pensar em fazer algo diferente. Podemos pensar que o rompimento com a rotina começou com um misto de insatisfação e esperança. Estes sentimentos são alimentados por uma experiência, ou experimentação da compaixão de Javé que ganha para Jesus, crescentemente, a feição e afeição de um paisinho. Sua experiência de oração, de meditação e de contemplação de Deus / Pai o arrebata. Compartilhava com seus conterrâneos a insatisfação com o domínio e exploração dos romanos e com a subordinação interesseira dos dirigentes de Israel. Insatisfação com relação à pobreza e o endividamento de muitos de seus conterrâneos, sem terra, sujeitos a buscar, a cada dia, trabalho incerto. Insatisfeito com os acomodados a uma religiosidade repetitiva, estéril e ritualista que, com suas regras de pureza e impureza, sacrificava uns e marginalizava outros. Insatisfação com a autoritarismo dos varões que imputavam um jugo pesado às mulheres e só enxergavam as crianças enquanto projetos de adultos. Insatisfação com os insatisfeitos que buscavam saída na luta armada, ou punham sua esperança em um novo enviado de Javé, que viria para virar o jogo, dominando o dominador. Este não era para Jesus o mundo desejado por Deus. Seu reinado teria que ser outro. E a esperança como sentimento, convicção e força propulsora de mudança – que vai tomar o nome de reinado de Deus - como surgiu? Nunca saberemos quando e como começou. Podemos imaginar, baseados na humanidade de Jesus, que sua espiritualidade foi evoluindo num contínuo que o levou a sentir e saber-se perdido e achado em Deus. “Eu e o Pai somos um só”. “Quem me vê, vê o Pai". “Faço aquilo que o Pai me mandou fazer". É impossível penetrar nessa estupenda experiência humana do encontro pessoal da criatura com o Criador. Místicos de todas as religiões – e eles existem pelo menos em todas as grandes religiões – narram essa inefável experiência de se perder, se achar e se fundir. Tendo vivido essa experiência se recolhem ao silêncio ou a narram em poesia. Alguns destes são bem conhecidos no cristianismo: João da Cruz, Tereza de Ávila, Francisco de Assis. Nada sabemos da trajetória espiritual deste homem, nascido de família pobre, em lugarejo pobre e desprezado, que se junta em comunidade com os pobres e miseráveis das vizinhanças, transmitindo tanta alegria e esperança a seus contemporâneos. Através de seus discípulos, Jesus chegou até nós e nos desafia a buscar em nós o melhor de nós. Nessa primeira parte do Projeto O Melhor de Nós, buscamos nos ater, ao máximo, aos fatos históricos apresentando, de forma sintética, o que há de mais atual e confiável sobre Jesus de Nazaré, de acordo com as pesquisas que vem sendo feitas. Apresentamos um homem profundamente solidário com os marginalizados, que anunciou que o reinado de um Pai misericordioso, aqui na terra, é possível e será realidade um dia. Pôs sua vida a serviço da construção deste reinado. Pode ter errado na previsão de que este reinado era iminente, mas deu a vida por ele e deixou-nos o legado desta utopia. Concluímos convencidos de que, independente de qualquer consideração sobre sua transcendência à condição humana, Jesus de Nazaré é o melhor de nós. Esse é um juízo de valor e, como tal, subjetivo. Cabe ao leitor fazer seu próprio julgamento e avaliação. Baseamos nossa afirmação no que ele foi, no que fez e no que nos deixou.
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