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Parte I Texto XVII Quem foi Jesus de Nazaré? Historiadores, exegetas, teólogos e demais especialistas fazem uma distinção que é fundamental: Jesus de Nazaré e o Cristo da fé. Jesus de Nazaré é uma personalidade histórica. Sua existência é um dos fatos históricos mais bem documentados de sua época e região. Ele é o judeu mais bem conhecido de sua época. Por isso, pode ser e tem sido objeto de pesquisas históricas, antropológicas, arqueológicas, linguísticas, etc. com todo rigor científico. São centenas de pesquisadores de disciplinas afins, estudando, com a metodologia própria de cada disciplina, o Jesus histórico e suas circunstâncias. Só uma instituição nos Estados Unidos - “Jesus Seminar”- congrega mais de 150 pesquisadores. O que fizemos até agora nessa primeira parte do Projeto O Melhor de Nós - com nossas limitações de não especialistas - foi pesquisar nos livros e resumir o que há de mais atual e confiável, do ponto de vista histórico, sobre Jesus de Nazaré. Acreditamos que conhecer melhor Jesus de Nazaré e suas circunstâncias é interessante e relevante. O que estamos levando a conhecimento de nossos leitores são informações confiáveis, prováveis, no estágio atual das pesquisas, lembrando que a certeza não é o campo próprio da ciência. Sobre o Cristo da fé, aquele que chegou até nós pelas Igrejas e que é objeto de fé dos cristãos, trataremos mais adiante, convencidos de que o conhecimento do Nazareno é importante para crentes e não crentes. Tentaremos mostrar- com todas as limitações da pesquisa nesse campo - como Jesus de Nazaré, que se via como mensageiro do Pai, passa a ser visto por seus discípulos como a própria Mensagem - o Messias esperado e inesperado. O que aconteceu, após sua morte, que levou a esta profunda mudança? Jesus aparece em cena - início de sua vida pública - em companhia de João Batista, de quem se faz discípulo durante alguns meses, por volta do ano 27 a 28 de nossa época, quando ele tinha 32 a 34 anos (O atual calendário cristão foi calculado, no sec. IV, pelo monge Dionísio Exigo, que cometeu um erro, a menos, de cerca de 5 anos). De sua vida anterior quase nada sabemos: viveu em Nazaré, na Galileia, foi agricultor e artesão; um misto de carpinteiro/pedreiro / ferreiro– um artesão da comunidade, biscateiro, “pau-para-toda-obra”, como se diria hoje. Viveu ali, anonimamente, cerca de 32 anos. Os primeiros escritos sobre ele que chegaram até nós datam do ano 50 d.C., 20 anos depois de sua morte. As pesquisas históricas, como se pode ver pelos capítulos anteriores, nos dizem mais sobre o ambiente em que viveu Jesus do que sobre ele mesmo. E quem foi ele? I – O que dizem seus contemporâneos? João Batista, quando já estava preso, manda alguns de seus discípulos perguntarem a Jesus quem ele era, se era o Messias, que ele e o povo esperavam. Jesus não responde diretamente, mas remete ao que estava acontecendo e eles podiam ver, o reinado de Deus em gestação: “os cegos veem, os coxos andam, a boa nova é anunciada aos pobres“… Deixa a João e a seus discípulos a responsabilidade de enxergar e interpretar. Algumas vezes ele é chamado de “rabi|” ou “raboni”- mestre ou simplesmente senhor – tratamento que ele educadamente aceita, sem se passar por Mestre. Não há comprovação histórica de que ele tenha frequentado a Escola Rabínica de Jerusalém, ou o “mosteiro” de Qunram (João Batista provavelmente sim) muito menos que tenha peregrinado pela Índia e China, como alguns querem crer. Ele foi essencialmente um aprendiz da escolar da vida, como milhões de pessoas até hoje. Ele chega a perguntar aos discípulos: “quem dizem que eu sou?”. As respostam denotam alguns arquétipos de figuras misteriosas da época e as dúvidas daqueles que o rodeiam. Pelo estilo de vida, pelo que faz e fala parece um profeta, alguém como Elias, Jeremias, ou mais proximamente, João, o batizador, redivivo. A chamada “confissão de Pedro: Tu és o Cristo (Messias), o Filho de Deus vivo”, na forma como chegou até nós (Mt.16;16), é de autenticidade histórica duvidosa. Expressa e reflete a fé dos apóstolos, de Pedro de modo especial, e das primeiras comunidades cristãs no período após sua morte e ressurreição. De qualquer forma, mesmo que se admita que Pedro tenha dito exatamente isso, Jesus de Nazaré não confirmou, segundo observam os historiadores. Há consenso entre eles que Jesus de Nazaré nunca se declarou Messias, deixando ao Pai a manifestação definitiva do reino e de sua pessoa. II – Autoafirmações Jesus de Nazaré não se auto definiu, não disse com clareza quem era, nem se atribuiu títulos de excelência, ou exclusivos, como Messias (Cristo), Filho de Deus em sentido único e exclusivo, ou filho do homem transcendente, profeta escatológico, tipo Elias ou Moisés. É como se pretendesse apenas refletir a imagem de Deus. Deus é para ele o absoluto protagonista. Ele é um anunciador do reinado de Deus, “aquele a quem Deus confiou anunciar seu reinado no exato momento de uma reviravolta decisiva da história, em que ele começa a acontecer". Há três formas, através das quais Jesus de Nazaré se revela e oculta o mistério de sua pessoa: filho do homem, o filho, eu sou – as três formas mostram um profundo enraizamento na espécie humana e no mistério de Deus. Filho do homem é a expressão mais frequente: ela parece 80 vezes nos quatro Evangelhos. A expressão não existia como título no tempo de Jesus. Poderia ter sido inspirada nos profetas Ezequiel e Daniel e, neste caso, expressaria conscientemente a condição humana de Jesus e a missão humanizadora do reinado de Deus. Outros pesquisadores reconhecem na expressão apenas um modo inusitado de se referir a si mesmo: “eu”, “eu mesmo”, “este que está diante de vocês”, “minha pessoa”, na expressão de alguns grupos sociais no Brasil. A frase “o filho do homem é também senhor do sábado”, significava na época, tanto em aramaico, quanto em hebraico, “o homem é senhor do sábado”. A expressão filho de Deus tem origem na teologia política do antigo Oriente. Tanto no Egito, quanto na Babilônia, o rei recebia o título de filho de Deus. Do rei abençoado por Deus, o título de filho de Deus transferiu-se para o povo judeu, abençoado por Deus, como um filho. Jesus refere-se a si mesmo não como filho de Deus, mas como “o filho”, expressão que ocorre uma vez no Evangelho de Mateus, uma em Lucas e 18 em João. A expressão “o filho” nos lábios de Jesus remete a uma relação pessoal e íntima com Deus, seu Pai. Contudo, mais uma vez não explicita uma relação única, como se quisesse compartilhar com todos a mesma relação filial. É dos primeiros cristãos a distinção colocada nos lábios de Jesus: “meu Pai” e “vosso Pai”. Não era inusitado, no tempo de Jesus, dizer que alguém era filho de Deus, mas absurdo e blasfêmico alguém se proclamar “o Filho de Deus”. Jesus não o fez, segundo os historiadores. Os primeiros cristãos sim. Marcos põe na boca de um centurião romano o que ele poderia dizer apenas do Imperador: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus". A expressão “eu sou” e “que eu sou”- “eu sou a luz do mundo, o pão da vida, o bom pastor, a ressurreição e a vida, o caminho, a verdade e a vida, a verdadeira vide, etc.” - ocorre mais em João e menos nos três primeiros Evangelhos, chamados sinóticos, pela sua estrutura semelhante. Do ponto de vista das pesquisas históricas nenhuma destas expressões, nos lábios de Jesus, revela mais do que sua total e profunda relação com o Pai. Jesus de Nazaré, objeto das pesquisas científicas, mais se esconde do que se revela; é como se bastasse revelar Deus, seu Pai e seu reinado, destinado “a fazer os homens recuperarem a humanidade plena que, de mil maneiras, foram perdendo”, como disse Juan Jose Segundo. (A História Perdida de Jesus de Nazaré, dos Sinóticos a Paulo, Paulus, 1977). III- O que dizem os historiadores e demais pesquisadores Jose Antonio Pagola no livro “Jesus de Nazaré, aproximação histórica”, Vozes 2011, apresenta resumidamente, alguns títulos, ou modelos, atribuídos a Jesus de Nazaré, por diferentes especialistas:
- Judeu marginal;
- Reformador social;
- Itinerante cínico;
- Mestre sapiencial;
- Judeu piedoso, cheio do Espírito ou Carismático piedoso;
- Profeta escatológico ou Messias. Giuseppe Barbaglio, no livro “Jesus, hebreu da Galileia, pesquisa histórica”, Paulinas, 2011, apresenta, resumidamente, um elenco de leituras difusas, muitas vezes viciadas pelo uniteralismo". Para os autores destas leituras, Jesus teria sido:
- um profeta escatológico, propenso à reunificação das doze tribos de Israel;
- um carismático de grande fascínio capaz de gestos taumatúrgicos;
- um mestre de vida, subversivo, ou um guru revolucionário;
- um camponês hebreu, mediterrâneo, de tendência cínica;
- um sábio subversivo, como os cínicos na filosofia grega;
- um rabino;
- um profeta e sábio, entre os sábios da antiguidade. Os dois autores explicitam claramente o alcance das pesquisas históricas: elas são importantes, ajudam a conhecer o Nazareno, mas são incapazes de dizer “este é o verdadeiro Jesus". Seus estudos, como de muitos outros, são aproximações históricas. O personagem permanece um mistério, que vem desafiando a compreensão de crentes e não crentes. Para Edward Schillebeeckx “o modo como Jesus de Nazaré levou sua curta vida terrena nos faz compreender o significado de Messias, Filho de Deus, Senhor, embora ele nunca tenha se atribuído estes títulos" (História Humana Revelação de Deus, Paulus, 1994, p. 145).
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