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Parte I Texto XV Preso, julgado e condenado Jesus foi vítima de um complô. Havia fariseus que não gostavam de Jesus, mas, em geral, eram bem intencionados, fieis cumpridores da Lei. Jesus os criticava pelo formalismo e pelo peso das obrigações impostas aos outros. Eles se sentiam incomodados, ofendidos mesmo por suas palavras – sepulcros caiados – e atitudes – desrespeito ao sábado, comer com os publicanos e pecadores – mas não queriam sua morte. Chegaram a prevenir Jesus das intenções de Herodes. Havia gente que, até por dever de ofício, como representante do império, queria matá-lo. Herodes queria, mas temia matar Jesus e criar mais um mártir como João Batista. Não foram os “fariseus hipócritas, sepulcros caiados” - expressões que, segundo os exegetas, não seria de Jesus, mas de Mateus - que armaram o complô para matar Jesus. Estes eram apenas adversários que sentiam perder espaço junto ao povo, diante desse estranho profeta. Seria mesmo um profeta? Seus modos não correspondiam ao esperado. Mas qual seria o esperado de Israel se já há mais de 400 anos não havia nenhum profeta e, de repente, para muitos havia aparecido dois, João e Jesus? O complô se dá na alta cúpula de Israel, junto à elite religiosa-civil, mas, sobretudo pela casta sacerdotal, saduceia, avalista da ordem frente ao poder imperial de Roma. Foi tudo uma questão de ordem, de bom senso, de prudência: “é melhor que morra um do que todos…” Parte destes todos que exerciam e usufruíam do poder e suas benesses sabia bem o que teria a perder. Os dirigentes de Israel, a começar pela autoridade máxima, o Sumo Sacerdote, eram escolhidos por Roma. Nos últimos tempos, à época de Jesus, o Império havia trocado o Sumo Sacerdote por várias vezes. Segundo muitos especialistas, o fator decisivo na decisão de prender e condenar Jesus foi o distúrbio provocado por ele no Templo, somado à sua popularidade. Toda a estrutura montada em torno do templo para seu funcionamento e para receber os peregrinos que acorriam diariamente e, principalmente três vezes por ano, era vital para a economia de Israel e dos romanos. Para estes, a Palestina era estratégica, por ter na Galileia um celeiro e no Templo uma grande fonte de impostos. Grande parte da economia de Israel girava em torno do Templo. Calcula-se que havia à época 4 milhões de judeus dispersos pelo mundo e sonhando em conhecer o esplendor do Templo, onde, no Santo dos Santos, Deus habitava. Era o único lugar da terra onde o Deus de Israel tinha sua morada. Dois dias antes da Páscoa, o Sumo Sacerdote Anás reúne seu conselho pessoal, informal; ali discutem a conveniência e urgência de prender Jesus. Concordam que é perigoso deixar Jesus solto, ainda mais em Jerusalém repleta de peregrinos. Num encontro com um discípulo de Jesus, Judas, disposto a trair seu mestre, acerta-se quando e como prendê-lo. Tomada a decisão, o resto é fácil e é conduzido pelo Sumo Sacerdote e seus auxiliares, com a teia de influência entre os habitantes de Jerusalém e os peregrinos recém-chegados. Na noite do dia seguinte, quinta feira, com apoio das forças de segurança do Templo, cujo comando estava nas mãos do “chefe do clero”, Jônatas, filho de Anás e cunhado de Caifás, Jesus é preso e levado à casa do Sumo Sacerdote. Caifás, principal articulador da prisão e acusação de Jesus frente à autoridade romana, era um politico esperto. Ao se casar com a filha de Anás, passou a integrar uma das famílias mais ricas e poderosas da Palestina, os Ben Hanin. Foi confirmado no cargo de Sumo Sacerdote por Pilatos com o qual conviveu até serem os dois destituídos. O Evangelho de Marcos narra uma reunião do Sinédrio, na mesma noite da prisão de Jesus, durante o qual ele é condenado por unanimidade. Tanto a temática, quanto as expressões “Messias e “Filho de Deus “refletem títulos atribuídos a Jesus pelos anos 60 d.C. Não houve, propriamente, reunião do Sinédrio o qual não podia se reunir à noite, mas de um conselho privado, informal, cujos participantes foram escolhidos pelo Sumo Sacerdote Caifás, entre membros de uma elite religiosa e civil. Não houve um julgamento formal, mas uma reunião de uma elite, na casa do Sumo Sacerdote, para acertar entre si como formular uma acusação política contra Jesus. Começa aí, diante das autoridades, os maus tratos e humilhações, tratamento comum dado aos detidos pela odiada guarda do Templo. Jesus não poderia ser entregue à autoridade romana por questões religiosas, teologais; essas as autoridades judaicas tinham poder para resolver. Não havia, à época, uma ortodoxia clara e as divergências religiosas se expressavam em grupos – saduceus, fariseus, essênios – que conviviam com certa tolerância, senão harmonia. “As opiniões religiosas de Jesus cabiam claramente dentro dos limites permitidos de disputas no Israel de seus dias” (Sloyan). Caifás e seus assessores se põem de acordo que Jesus é um falso e perigoso profeta que ousa afrontar a ordem no Templo e prega um reinado de Deus, que já estaria acontecendo. Consideram que ele é uma ameaça à ordem pública. Decidem levar Jesus à presença de Pilatos que, pela manhã, em seu palácio, administra a justiça. Há pressa porque nada pode perturbar a comemoração da Páscoa. Jesus é levado à presença de Pilatos por Caifás. Há entre os dois um bom entendimento. Pilatos, de certa forma lhe devia um favor, ao facilitar-lhe a utilização de recursos do Templo para a construção do aqueduto de 50 km. para trazer água da região de Belém até Jerusalém. Pilatos não sanciona o julgamento de Caifás nem decide de imediato, como a legislação romana do Império lhe faculta. Prefere ouvir a acusação, interrogar o acusado, avaliar a culpa e ditar a sentença, como de praxe nos julgamentos romanos, ainda que sumários. Não temos relatos historicamente fidedignos de como foi este julgamento de Jesus, certamente um entre vários realizados por Pilatos naquela manhã. Conforme as narrativas que circulavam entre as primeiras comunidades cristãs e que os Evangelhos registram, Pilatos titubeia, confessa não achar culpa, mas dita a sentença condenatória. Terá dito a Jesus de Nazaré, em latim, língua oficial do Império: “Ibis ad crucem”! – irás para a cruz! Pilatos condena Jesus à crucifixão e dá um recado às autoridades e aos demais nativos de qualquer colônia de Roma: “eis o rei dos Judeus”; “o que escrevi está escrito”. A condenação de Jesus não foi um equívoco, ou fruto de circunstâncias desfavoráveis, mas uma decisão racional, pragmática, realista de punir o profeta do reino de Deus, por atentado à ordem social, acusado pela elite de Jerusalém, e decidida pela autoridade romana. Os relatos dos Evangelhos carregam as cores ao culpar os judeus e amenizam a culpa dos romanos, não querendo confrontar-se com o Império, ainda muito presente e forte no ambiente das comunidades cristãs. Os gritos da multidão “crucifica-o”, narrado no Evangelho de Marcos, segundo Pagola, “é uma deplorável dramatização maquinada nas comunidades cristãs contra os judeus das sinagogas”, a qual teve consequências terríveis para o povo judeu acusado de deicídio e perseguido por cristãos muitas vezes e em muitos lugares.
Parte I Textos
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