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Parte I Texto XII O contexto político em que Jesus viveu Israel, depois das gloriosas monarquias de Davi e Salomão fragmentou-se, perdeu sua independência e passou cinco séculos como província de sucessivos impérios: Babilônia, Pérsia, Assíria, Egito, Síria, Grécia e Roma. Esta perda da soberania política, enquanto nação, reforçou a identidade cultural e religiosa do povo de Israel, quando um grande contingente vivia na Diáspora (fora da Palestina). Calcula-se que haveria, no tempo de Jesus, cerca de 4 milhões de judeus dispersos pelo mundo. “Formavam mais de 150 colônias, algumas de grande importância: Babilônia, Antioquia, Alexandria, Roma, Éfeso, Esmirna e Damasco“ (Pagola). Todo judeu, da Palestina ou da Diáspora estava obrigado a pagar, anualmente, a didacma, ou seja, duas dracmas - equivalente a dois dias de trabalho - para a reconstrução e embelezamento do Templo. Este enorme contingente de pessoas dispersas pelo mundo – cerca de 8% de todo império romano – proporcionou o desenvolvimento do comércio internacional e do sistema bancário, tornando o Templo também uma grande bolsa de valores, uma vez que a única moeda válida aí era a shekel, a moeda de Israel. A Palestina (Judeia, Samaria e Galileia), na época de Jesus, fazia parte do Império Romano. Em 63 Pompeu, general romano, cercou Jerusalém. A última resistência se entrincheirou no Templo. Após três meses de assédio, Pompeu apoderou-se da cidade e mandou decapitar todos os chefes. Um forte tributo foi imposto a Jerusalém e seus arredores e a região foi posta sob a autoridade da Síria, conquistada no ano anterior e onde se situavam duas das maiores cidades da região: Damasco e Antioquia. Em apenas 20 anos, de 57 a 37 a.C. houve 3 revoltas na Galileia. Os romanos em 47 a.C. nomearam Herodes, de rica família judia-indumeia, comandante militar da Galileia. Em 40 a.C. o Senado Romano nomeou Herodes “rei aliado e amigo dos romanos”. Ele deixou de ser Governador de ordem equestre (militar) para ser governador de ordem senatorial (civil). Herodes demorou 3 anos para controlar seu reino, mas no ano 37 a.C. ele tomou Jerusalém, capital da Judeia, com apoio das tropas romanas. A partir do ano 37 a.C. Herodes governou a Palestina com mão forte. Autoritário, cruel, bajulador do Império, odiado pelos judeus, que o consideravam meio-judeu, passou para a história como um grande construtor. Ele reconstruiu com luxo e esplendor o Templo, concluído 14 anos depois de sua morte, por volta do ano 10 d.C., quando Jesus tinha 14 a 16 anos. Reedificou a Samaria, restaurou várias fortalezas, transformando 3 delas em palácios para si. Construiu a cidade de Cesareia, às margens do Mediterrâneo, onde implantou os jogos quadrienais, em honra do Imperador Augusto. Herodes gozava da confiança do Imperador, a quem bajulava acumulando-o de presentes. A ocupação romana se evidenciava de muitas formas: nos aquedutos, nos edifícios, na política de fortalecimento das cidades – que aumentava o contraste com a pobreza do campo – nos soldados, nos impostos, nas moedas e nas cruzes colocadas perto da entrada das cidades, onde os rebeldes eram crucificados, pena de competência exclusiva dos romanos. Quando Jesus de Nazaré tinha um ano, (ano 4 a.C. no calendário atual, elaborado pelo monge Dionísio Pequeno, no séc. IV, com um erro de 5 a 6 anos para menos) morreu Herodes, o grande, em seu palácio em Jericó. Seu reino foi dividido entre os 3 filhos: Herodes Antipas ficou com a Galileia e a Pereia, Felipe com a Itureia e Traconides e Arquelau ficou com a Judeia, Idumeia e a Samaria, com título de etnarca, ou régulo. Roma negou aos três o título de rei. Felipe governou até sua morte, com o título de tetrarca, ou vice-rei (4 a.C. a 33/34 d.C.). Durante os 10 anos de governo de Arquelau (4 a.C. a 6 d.C.) a Palestina passou por um dos períodos mais violentos de sua história. No dia de sua posse massacrou 3.000 pessoas na praça do Templo. Revoltas na Galileia e na Judeia fizeram com que o Governador da Província romana da Síria enviasse o General Varo que destruiu Séforis, capital da Galileia, distante 5 km da Nazaré, arrasou várias aldeias vizinhas e crucificou cerca de 1.000 judeus, nas imediações de Jerusalém. Jesus tinha, à época, 4 anos. No ano 6 d.C., quando Jesus tinha 10 a 12 anos, Roma depôs Arquelau e decretou um censo para poder organizar a administração e atualizar a cobrança de tributos. O censo provocou forte reação popular e ensejou o movimento popular de oposição inspirada no zelo pela Lei, que boicotava a censo e se negava a pagar os impostos. Os adeptos passaram a ser chamados de zelotas. Tendo deposto Arquelau, Roma nomeou um procurador romano, Copônio, para a Judeia. O procurador era um funcionário, remunerado, dependente diretamente do Imperador, recrutado entre os membros da ordem equestre, reportava-se ao Governador da Síria. O procurador residia em Cesareia Marítima, onde dispunha de tropas auxiliares: uma guarnição composta de 3.000 homens não judeus, uma vez que estes eram, por concessão de Roma, isentos do serviço militar. As legiões – 4 na época, com 6.000 homens cada – ficavam na Síria. Em Jerusalém havia uma coorte composta de 600 homens, estacionada na Torre Antônia, bem junto ao Templo. Os procuradores, chamados também prefeitos, não intervinham na administração ordinária da justiça, tanto civil, quanto criminal, que competia aos tribunais locais judeus. A imposição da pena de morte era competência exclusiva do procurador e apenas cidadãos romanos podiam recorrer da sentença, direito exercido pelo apóstolo Paulo, anos mais tarde. O procurador atuava como um supervisor e o Sinédrio como autêntico governo. Contudo os membros do Sinédrio eram aprovados por Roma. O Sumo Sacerdote, que presidia o Sinédrio, era nomeado por Roma. O procurador Copônio nomeado por Roma quando Arquelau foi deposto, foi prefeito da Judeia de 6 d.C. a 9 d.C. Em seu primeiro ano de governo nomeou Anás, um dos homens mais ricos de Jerusalém, Sumo Sacerdote. No ano 15 d.C., quando Jesus tinha entre 19 e 21 anos o Prefeito Valério Grato destituiu Anás. Três anos mais tarde, quando Jesus tinha entre 22 e 24 anos, o mesmo Prefeito nomeou Sumo Sacerdote José Caifás, casado com a filha de Anás. Será esse que, doze anos mais tarde, junto com seu sogro, entregará Jesus à autoridade romana. O Prefeito Pôncio Pilatos, nomeado por Roma, chegou a Cesareia Marítima no ano 26, quando Jesus tinha entre 30 e 32 anos. Quatro anos depois José Caifás presidindo o Sinédrio, irá condenar Jesus de Nazaré e pedir para ele a pena de morte. Pilatos, contra quem o povo se revoltara 3 anos antes, quando ele tentou introduzir em Jerusalém os estandartes militares com a efígie do Imperador e as águias romanas, mandou flagelar e crucificar Jesus. Filon de Alexandria, filósofo judeu, helenista, contemporâneo de Jesus, culpa Pilatos por “mortes incontáveis e contínuas”. O Governador da Síria, L. Vitélio, no ano 36, acolhendo reclamações dos judeus sobre a violência de Pilatos, afastou-o do cargo e enviou-o para se justificar junto ao Imperador Calígula. Afastado do cargo teria se suicidado em 37 d.C., segundo o historiador Eusébio de Cesareia. Em algumas comunidades cristãs acreditava-se que Pilatos se convertera. Sua mulher, Prócula, chegou a ser venerada como santa na Igreja Ortodoxa. Os historiadores veem na origem dessas tradições a tentativa de mitigar a culpa do governador romano, quando o cristianismo enfrentava o poder do Império Romano.
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