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Parte I Texto X Discípulos de Jesus: recrutamento e treinamento Mateus conta em seu Evangelho: “Enquanto caminhava junto ao lago da Galileia (Jesus) viu dois irmãos - Simão, apelidado Pedro e André, seu irmão - pescadores… disse-lhes vinde comigo… e eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. Um pouco mais adiante viu outros dois irmãos… chamou-os e eles imediatamente o seguiram”. Uma narrativa bonita que mostra a firmeza do convite e a radicalidade da entrega. Entretanto as escolhas de Jesus não parecem ter sido tão intuitivas e repentinas. Jesus de Nazaré deixa a companhia de João, o batizador, para fazer o seu caminho. Como já vimos antes, ele se instalou na casa dos irmãos Simão e André que ele conhecera no grupo de discípulos de João Batista. No mesmo bairro de pescadores, em Cafarnaum, moravam os outros dois irmãos mencionados, Tiago e João, filhos de Zebedeu e Salomé, sócios de Simão. Jesus conviveu durante um bom tempo com os pescadores, provavelmente exercendo seu ofício de carpinteiro/pedreiro/ferreiro (biscateiro, pau para toda obra) e aprendendo o ofício de pescador a ponto de perceber onde e quando cardumes se concentram no lago. Foi junto à alfândega de Cafarnaum, um pouco mais tarde, que Mateus, também chamado Levi de Alfeu, coletor de impostos, foi recrutado. O ofício de coletor de impostos era arrendado dos romanos e aqueles que o exerciam eram tidos como pecadores, colaboracionistas e ladrões, que se enriqueciam à custa do povo. Na verdade eram pobres que se submetiam a essa função subordinada que só enriquecia seus chefes, como Zaqueu. Na ocasião, Mateus ofereceu um banquete para Jesus, seus discípulos e seus ex-colegas, “coletores e pecadores”. Dizem os especialistas que o texto grego dá margem à interpretação de que os anfitriões desse banquete foram Jesus e os discípulos, na ocasião pelo menos os quatro amigos já mencionados. Nesta hipótese, os discípulos comemoram com Jesus a entrada de mais um no grupo, o primeiro não pescador. De qualquer forma, para os discípulos participarem de uma refeição em que estivessem presentes coletores de impostos, considerados impuros e pecadores, é de se supor que eles já haviam aderido às ideias e atitudes de Jesus e aceitado serem considerados impuros. Já viviam o reinado de Deus que a ninguém discrimina. Não se importavam com a crítica dos “letrados do partido dos fariseus”. Em contraste com o austero João Batista “que nem comia, nem bebia “, Jesus é acusado de “comilão e beberão, amigo de coletores e pecadores “. Não há dados históricos suficientes para se reconstruir os passos de Jesus, mas sabemos que os discípulos e discípulas acompanhavam Jesus nessa peregrinação pelas cidades e aldeias. Esses seguidores, alguns convidados, outros que foram se achegando ao grupo, viviam como irmãos, homens e mulheres, em igualdade de condições, testemunhando com seu despojamento e alegria a chegada do reinado de Deus. No mesmo capítulo em que Mateus narra seu chamamento, ele fala da escolha dos doze discípulos especiais, que depois serão chamados de apóstolos, ou enviados. Pelo menos cinco ou seis dos doze eram ou viviam em Cafarnaum e tinham uma longa convivência com Jesus. Entre os selecionados havia pescadores, um publicano, um zelota, homens com nomes hebraicos e gregos, como Simão, André e Felipe. Uma lista programática que recorda as 12 tribos de Israel. Como foi dito no Evangelho de Marcos (o mais antigo), “foram escolhidos para conviver com ele e para enviá-los a pregar “. Esta diversidade enriquece o grupo, força o entendimento da missão e facilita sua difusão. Na narrativa de Lucas, Jesus escolheu outros 72 discípulos - composição artificial, segundo especialistas - e os enviou à frente, dois a dois, “às cidades e lugares aonde pensava ir”. Confere a todos autoridade e poder para cumprir a missão. Instrui a todos como se comportar, o que levar, onde se hospedar, o que dizer e o que fazer. Vão despojados, sem bastão, sem sacola, sem pão, sem dinheiro, com uma única túnica, dependentes da boa vontade daqueles que os queiram receber “para proclamar o reinado de Deus e curar os enfermos “. As viagens de Jesus e dos discípulos são caminhadas penosas, porque feitas a pé, mas são alegres. Levam mensagens de alegria para o dia a dia, confiança em Deus e esperança em dias melhores. Pregam o que praticam: libertação de prescrições, de sentimentos que dão origem a doenças e de doenças que são atribuídas ao poder do maligno. Levam a boa nova do reinado de Deus em curso: vida em abundância. As condições são simples: confiança em Deus/Pai e compaixão para com todos. Na volta dos discípulos, Jesus faz com eles uma revisão da missão e refreia-lhes o entusiasmo, para não perderem o foco. Quando os discípulos disputam entre si o poder no reinado de Deus, Jesus os convida a disputar a disposição de servir. Noutra ocasião convida os discípulos: ”vinde vós, sozinhos, a um lugar despovoado para descansar um pouco”, pois não tinham tempo nem para comer. Depois de algum tempo, anunciando nas sinagogas o reinado de Deus, Jesus é procurado por milhares de pessoas, a ponto “de não poder apresentar-se em público em nenhuma cidade, mas ficava fora no despovoado”. Às vezes se escondia para o necessário silêncio e oração. Em pouco mais de dois anos, entre 28 e 30 d.C., Jesus percorreu várias cidades e aldeias da Judeia, das regiões de Tiro e Sidônia, de Cesareia de Filipe, da Decápole e boa parte da Galileia, concentrando sua ação em Cafarnaum, onde residiu; Corazaim, distante apenas 3 km; Betzaida, cidade onde nasceram Simão, André e Felipe. Estas cidades o decepcionaram. Embora não houvesse nenhuma mulher entre os 12 apóstolos, o comportamento de Jesus em relação a elas fugiu completamente aos padrões da época. Elas não podiam falar nas sinagogas, dirigir a palavra a um homem fora de casa, nem sequer cumprimentá-lo, muito menos testemunhar em juízo. Por mais mulheres que houvesse numa sinagoga, sem a presença de homens não era possível realizar o culto. Provérbio da época: “Quem ensina a Torá à sua filha, ensina-lhe a prostituição, porque ela fará mau uso do que aprendeu ” O lugar da mulher era em casa, cuidando dos filhos, do marido e fiando lã na Judeia e linho na Galileia. Havia cotas de produção semanal, mas não ficavam com o ganho de seu trabalho, nem sequer o que porventura encontrassem. Entretanto esta situação já começava a mudar nas cidades por influência dos gregos e dos romanos. Os Evangelhos registram a presença de várias mulheres entre os discípulos. Não são chamadas discípulas, até pelo simples fato de não existir, no aramaico da época, palavra para nomeá-las assim. Alguns nomes conhecidos: Maria, sua mãe; Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e Joset; Joana, mulher do mordomo de Herodes; Salomé, mãe de Tiago e João; Suzana e muitas outras, entre as quais Maria e Marta, irmãs de Lázaro, de Betânia, família que Jesus muito estimava. Entre os discípulos, 3 homens – Simão, João e Tiago – e 3 mulheres – Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago e Joset - gozam de uma amizade especial de Jesus. Maria de Magdala, ou Madalena como ficou conhecida, nada tem a ver com a pecadora, mencionada nos Evangelhos. Ela era uma discípula especial que nunca abandonou Jesus, desde quando ele a livrou de forças malignas que a atormentavam. Teria sido, segundo alguns historiadores, a primeira pessoa para quem Jesus se revelou após a morte.
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