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Parte III Texto VIII As comunidades cristãs primitivas Época Apostólica III (49-67) Os Atos dos Apóstolos registraram uma reunião realizada em Jerusalém, pelos anos 48 a 50 d.C., que tornou-se conhecida como Concílio de Jerusalém. Participaram da reunião: os apóstolos e anciãos, entre os quais Pedro, João (Gal. 2,19) e Tiago, Paulo e Barnabé, representando a comunidade de Antioquia da Síria. Toda a comunidade de Jerusalém deve ter participado também, uma vez que dois representantes foram ali escolhidos para levar uma carta à comunidade de Antioquia. A reunião foi pautada para responder à seguinte questão: “é preciso circuncidar os pagãos (convertidos) e mandar que eles observem a Lei de Moisés?” Um grupo (aqueles que tinham pertencido ao partido dos fariseus e tinham abraçado a fé) defendia o SIM; outro grupo (as comunidades representadas por Barnabé e Paulo) defendia o NÃO. Pela Carta aos Gálatas, sabemos que Paulo, prudentemente, não entrou na reunião para perder. Tomou, antes, algumas precauções: levou um companheiro grego, Tito, convertido não circuncisado, “expôs suas posições reservadamente às pessoas mais notáveis” e procurou blindar suas comunidades dos “falsos irmãos e dos intrusos que se infiltraram para espionar a liberdade que temos em Jesus Cristo, a fim de nos tornar escravos”. Depois de longa discussão, Pedro falou de sua atuação junto aos pagãos e se posicionou pelo NÃO. Barnabé e Paulo, defendendo o NÃO, contaram “todos os prodígios que Deus havia realizado por meio deles entre os pagãos”. Não consta que os defensores de uma posição ou de outra tenham exposto as consequências do SIM e do NÃO. Buscaram ser fieis à Boa Nova, coerência comportamental e facilitar a convivência entre si. Os fieis da comunidade de Jerusalém, como narram os Atos, “diariamente e unânimes, frequentavam assiduamente o templo e eram fieis às normas alimentares judaicas”. Eram vistos como um grupo ou partido dentro do judaísmo a exemplo dos fariseus e saduceus e assim gozavam da “licita-religio”, a religião permitida pelo império. A decisão final foi NÃO, tendo a assembleia acompanhado o parecer de Tiago, líder da comunidade de Jerusalém. Decidiu-se também enviar uma carta “aos irmãos que vêm do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilicia”: “Porque decidimos – o Espírito Santo e nós – não impor sobre vocês nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilícitas. Vocês farão bem se evitarem essas coisas. Saudações” (Atos, 15,28-29). “Trata-se de uma solução de compromisso, pois cada uma das partes cedeu em algum ponto: Pedro aceitou as quatro leis de pureza legal para permitir a convivência entre judeus e gentios convertidos; Tiago aceitou não impor a circuncisão aos gentios convertidos” (Richard, Op. cit. p.122). Para Crossan, no Concílio de Jerusalém, “a questão imediata da circuncisão dos gentios do sexo masculino foi resolvida. Mas criou-se um problema muito maior, pois agora havia duas missões, uma para os judeus, liderada por Pedro; e uma para os pagãos, liderada por Barnabé e Paulo. Isso teria funcionado bem se judeus e pagãos vivessem em enclaves completamente isolados. E se só cristãos-judeus pregassem aos judeus; e cristãos-pagãos aos pagãos. Era excelente como idealismo… Mas funcionaria como programa prático? Em uma grande metrópole como Antioquia, por exemplo, haveria duas comunidades independentes, uma de cristãos-pagãos e outra de cristãos-judeus?”. Essas questões não resolvidas logo explodiram em Antioquia, onde, em uma comunidade unida, cristãos-judeus e cristãos-pagãos comiam juntos sem observar os mandamentos dietéticos da Lei de Deus. Escreve Paulo na Carta aos Gálatas (Gl. 2,11-14): “Mas quando Cefas (Pedro) veio a Antioquia, eu o enfrentei abertamente, porque ele se tinha tornado digno de censura. Com efeito, antes de chegarem alguns vindos da parte de Tiago, ele comia com os gentios, mas quando chegaram, ele se subtraia e andava retraído, com medo dos circuncisos. Os outros judeus começaram também a fingir junto com ele, a tal ponto que até Barnabé deixou-se levar pela sua hipocrisia. Mas quando vi que não andavam retamente, segundo a verdade do evangelho, eu disse a Pedro diante de todos: se tu, sendo judeu, vives à maneira dos gentios e não dos judeus, por que forças os gentios a viverem como judeus? Tiago, líder oficial da Igreja-mãe de Jerusalém, a igreja da circuncisão, era um “judeu-cristão que acreditava que Jesus era o Messias, mas também seguia a Lei judaica completa. Isto explica negativamente porque, ao contrário de Estêvão no início dos anos 30, ou de Tiago, filho de Zebedeu, no início dos anos 40, Tiago só foi atacado, perseguido e executado no início dos anos 60”. Após sua execução ele foi veementemente defendido, não apenas pelos judeus-cristãos, mas também pelos judeus não cristãos. Depois do Concílio, Paulo e Barnabé voltaram para Antioquia “e junto com muitos outros ensinavam e anunciavam a Boa Notícia da Palavra do Senhor” (Atos 15,35). De acordo com Atos (13,1), “havia profetas e mestres na igreja de Antioquia”. Não menciona a existência de presbíteros, como no caso da igreja de Jerusalém (15,2). “Os cinco mencionados configuram uma direção eclesial bastante plural: Barnabé é um levita originário de Chipre; Simão possui um nome aramaico, com apelido latino de Niger, que o identifica como negro; Lúcio de nome latino é procedente do norte da África (Cirenaica); Manaém é irmão de criação de Herodes; Saulo, um fariseu convertido de Tarso. Trata-se de uma equipe multicultural e diversificada (Richard, Op. cit. p.108). Por 12 anos (de 46 a 58 d.C.), dos 41 aos 53 anos de idade, Paulo assume a missão que lhe foi designada pela comunidade de Antioquia: levar o Evangelho tanto aos judeus da diáspora quanto aos gentios “até os confins da terra”. Paulo faz três grandes viagens a partir de Antioquia. Na primeira, antes do Concílio, com João Marcos e Barnabé, liderada por este “não ficam muito tempo no mesmo lugar, mas vão seguindo, de cidade em cidade. No início, o método é este: chegar a algum lugar, anunciar o Evangelho, criar comunidade, e seguir em frente. Na segunda viagem, faz o mesmo, mas fica mais tempo num mesmo lugar: um ano e seis meses em Corinto. Na terceira viagem ele vai direto para Éfeso e lá se fixa por três anos. Em seguida fica mais três meses em Corinto. Assim, no fim, o método é outro: irradiar o evangelho a partir de um lugar central (At. 19,10.26), enquanto as viagens servem para visitar e confirmar as comunidades já existentes (Mesters, Op. cit. p.49). Além do cristianismo helenizante, centrado em Antioquia, “outra vertente de expansão do cristianismo na Síria é a aramaica ou oriental. A figura do apóstolo Tomé está para este cristianismo oriental-semítico como Paulo para o ocidental-helenizado. Formou-se em torno de Tomé um importante grupo de cristãos, assim como na Ásia Menor em torno de João, na Palestina em torno de Tiago e no mundo ocidental, em torno de Paulo” (Milani, Op. cit. p.43). Jesus de Nazaré foi crucificado, provavelmente no dia 07 de abril do ano 30. Trinta anos após sua morte constatam-se fatos absolutamente inesperados: 1 - A existência de pequenas comunidades de seguidores de Jesus em 14 regiões: Judeia, Samaria, Galileia, Síria, Cilícia, Chipre, Fenícia, Pisídia, Licaônia, Mísia, Macedônia, Grécia, Acaia e Ásia; e em mais de 30 cidades fora da Palestina: Cesareia, Pela, Tolemaida, Tiro, Damasco, Selêucia, Antioquia da Síria, Salamina, Pafos, Tarso, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Derbe, Perge, Mileto, Éfeso, Laodiceia, Filadélfia, Esmirna, Sardes, Tiatira, Pergamo, Filipos, Tessalônica, Bereia, Corinto, Atenas, Malta, Ilíria, Pozzuoli, Óstia e Roma; 2 - “Jesus atrai para si todos os títulos de honra e glória humanos e divinos que existiam e se podiam imaginar dentro do Império Romano. Cada grupo cultural – palestinense, judeu-cristão da diáspora, cristão helenista – utilizou os títulos mais nobres e o que de melhor possuíam em suas culturas para exprimir a profundidade que se escondia na autoridade, no bom senso, e na fantasia criadora de Jesus” (Boff, Op. cit. p. 117); 3 - O centro de irradiação da Boa Nova – já com feições de uma nova religião – começa a se deslocar de Jerusalém para Antioquia da Síria, capital regional do Império e daí para Roma, capital do Império Romano.
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