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Parte III Texto XXXII Quem fundou o cristianismo? “Uma das perguntas mais delicadas, comprometedoras e complexas sobre Jesus de Nazaré é se ele quis fundar uma nova Igreja e uma nova religião". (Arias, op.cit.p. 127) A questão: Justin Taylor em “As origens do cristianismo “ coloca a questão: ”Ao iniciarmos o terceiro milênio cristão, uma pergunta óbvia a fazer é: de onde veio o cristianismo? A resposta óbvia a essa pergunta é naturalmente, que o cristianismo veio de Jesus”. A seguir o autor acrescenta: “Isso é verdade, mas com algumas restrições... “ (op.cit. p. 17 ) . Martin Ebner, no início do livro História Ecumênica da Igreja, pergunta: fundou Jesus uma Igreja? Antes de discorrer substancialmente sobre a questão colocada, ele responde: Jesus não realizou um ato de fundação (pois a iniciativa remonta a Deus), nem aprovou determinada constituição. Vejamos a resposta a essa questão em outros autores, que serviram de base aos capítulos aqui publicados: - “O fundador do cristianismo é Jesus de Nazaré. (Pierre Pierrard, em História da Igreja, p. 7); - A história da Igreja remonta a Jesus de Nazaré ...e todos (os evangelistas) supõem Jesus como base de sua fé e, assim, como fundador da Igreja “ (Peter Stockmeier e Johannes B. Bauer, in Lenzenweger, op. cit. p. 7); - Jesus fundou o radicalismo itinerante primitivo cristão. (Theissen, op. cit. p. 127); - Jesus do ministério não parece ter organizado mais do que um círculo de discípulos, e os apóstolos fugiram quando ele foi preso “ (Taylor, op. cit. p.17); - Embora seja improvável que Jesus se visse como organizador de uma nova comunidade – e, certamente, não fundador da Igreja – também é improvável que tivesse interesse em formar indivíduos morais (Koester, 2 op.cit.p. 94); - O próprio de Jesus é preparar, anunciar, e atualizar o reinado de Deus. Não se pode afirmar, a partir dos dados que nos são oferecidos pelos evangelhos, que a intensão de Jesus fosse fundar uma comunidade religiosa desligada do judaísmo. Não houve nenhuma tentativa deliberada de construir um embrião da Igreja futura, com estrutura de cargos, instituições e orientações distintas do judaísmo. Nos evangelhos não há nenhum momento fundacional da Igreja “ (Estrada, op.cit.p. 116-117); - A mais antiga referência não bíblica a Jesus, em uma obra de Josefo, prova que no ano 94 d.C., quando a obra foi escrita, Jesus de Nazaré já era conhecido como o fundador de um movimento importante e duradouro’ (Aslan op.cit. p. 217); - O judaísmo-cristianismo palestino não era uma nova religião (César Vidal); - Nas primeiras comunidades não há indícios de que os apóstolos, seguindo diretrizes de Jesus, antes de morrer, estivessem fundando uma nova igreja hierarquizada. Nem sequer existia um mecanismo para a sucessão dos 12 apóstolos. A verdadeira hierarquia era a dos diferentes dons da profecia “. (Juan Arias, op.cit. p. 139-140 ); - Os primeiros cristãos não criam que pertenciam a uma nova religião. Eles eram judeus e a principal diferença que os separava do resto do judaismo era que criam que o Messias tinha vindo, enquanto os demais judeus ainda aguardavam o seu advento. Do ponto de vista dos judeus não-cristãos, a situação era a mesma. O cristianismo não era uma nova religião, mas sim uma seita herética do judaismo (González 1. op.cit. p. 49-50 ); - 0 cristianismo começou sua existência como uma, entre várias seitas e movimentos judeus que competiam entre si. O judaismo não era uma só coisa, seja na Judeia, na Galileia ou na Diáspora...o movimento emergente dos seguidores de Jesus, através de um processo longo e complexo, descobrem sua identidade, que os transforma em “cristãos” (Meeks 2, op.cit.p.49,63); - O elemento mais importante do cristianismo, que o distingue e na verdade, separa-o do judaismo, é a admissão dos gentios, considerada cumprimento das Escrituras ...mas, este acontecimento foi totalmente inesperado e imprevisto “ (Taylor, op.cit.p. 15-16); - Jesus não foi um “cristão”, mas um judeu (embora heterodoxo). Indiretamente pôs as bases daquilo que mais tarde viria a ser a Igreja, depois da experiência da Páscoa ...Sua história, tal como nos foi contada pelos seus seguidores, transformou-se em fonte de inspiração e de legitimação de muitas decisões eclesiais, mas não podem ser atribuídas diretamente a Jesus (Estrada, op.cit. p. 117 ) ; - Jesus anunciava o reino, e foi a Igreja que veio (Alfred Losisy: 1857-1840); Recolocando a questão: - Nenhuma religião surgiu de um só cérebro como resultado de um processo puramente lógico: cada religião é produto de múltiplas influências sociais que, com frequência, se estendem por séculos e que refletem as mais variadas situações históricas (Kautsky, op.cit.p.404); - Por que espantar-se se as religiões são necessariamente construções culturais e, por isso, históricas, relativas e provisórias? O que nos paralisa frequentemente é que, com intensão de exaltar o Evangelho, o degradamos. É bastante comum, em ambientes religiosos, identificar a Boa Nova de Jesus com a construção cultural que é a religião cristã. (Hoornaert, op.cit.p.99); - A história da religião cristã primitiva é a história da origem de um sistema simbólico religioso autônomo. Ela começou com a separação da linguagem simbólica ritual do Judaismo (mediante o abandono da circuncisão e das prescrições alimentares). Foi completada pela criação de uma linguagem simbólica própria ...nova, internacional, exclusiva ... (Theissen, op.cit. p. 283-284); - - A aproximação demasiada da realidade da Igreja ou até a identificação com o Reino faz emergir uma imagem eclesial abstrata, idealista, espiritualizante e indiferente à trama da história. A igreja concreta não é só dom do alto, mas também construção histórica dos homens de fé, em diálogo com o mundo circundante. (Boff 3, op.cit. p. 16 ) ; - - Vale deixar bem claro que, mesmo na hipótese não provada de que não seja Jesus o fundador da Igreja Católica ou que essa não seja a Igreja concebida por ele, isso não diminui em nada a importância que essa instituição religiosa e o cristianismo em geral tiveram e têm na história. Tampouco diminui sua importância o fato de que essa Igreja possa ter nascido da fé dos primeiros cristãos ...” (Arias, op.cit.p.128); - - Distanciando-se do Vaticano I, o Vaticano II propunha a questão da origem da Igreja em termos matizados, mais respeitosos aos dados bíblicos e da realidade histórica. O Senhor Jesus deu início à sua Igreja pregando a boa nova, isto é, o advento do Reino de Deus há séculos prometido na Escritura (Almeida, op.cit.p.69) Sintetizando a questão: No atual ambiente católico delineiam-se duas correntes fundamentais : - uma afirma , numa visão mais dogmática, a presença da Igreja já no anúncio do Reino e na atuação de Jesus ; - outra afirma que a Igreja como instituição não estava nas cogitações de Jesus histórico , mas que ela surgiu como evolução posterior à ressurreição , particularmente com o processo progressivo de desescatoligização “ ( Boff, em Igreja : carisma e poder, “ p. 123 ) . Boff enumera vários exegetas e teólogos como Ratzinger e ele, que se inscrevem dentro desta orientação. Nesta última perspectiva fica claro que a Igreja como realidade histórica, é sinônimo de catolicismo (idem, p. 124) O que importa? : A questão decisiva não é se Jesus quis a Igreja, mas até que ponto as tentativas eclesiais de realização aparecem em consonância com a visão de Jesus. (Martin Ebner, in Kaufmann, História Ecumênica da Igreja, p. 8). Quando nos lembramos com que frequência nossos esforços para converter o mundo estiveram misturados com diversos tipos de imperialismo, podemos ter certeza de que Deus realmente quer que todo o mundo seja cristão? (Meeks em Cristo é a questão p. 25) Deduz-se das fontes aqui mencionadas que Jesus de Nazaré não se colocou a questão de que modo levar adiante o reinado de Deus, que ele anunciava e fazia presente, e nem tão pouco de como se organizar para isso. Tudo indica que, para ele, esse não era um problema seu, mas do Pai, Dono do reino. O Espírito diria a seus seguidores o que fazer... O projeto O melhor de nós começou com uma busca: quem foi Jesus de Nazaré? E assim. 1. Retratou-o como figura humana o mais fielmente possível, de acordo com o que de melhor se vem publicando; 2. Buscou apresentar diversas e diferentes interpretações do fato – a ressurreição – sem o qual ele hoje seria um desconhecido; 3. Acompanhou os passos da comunidade cristã primitiva em sua expansão territorial e cultural, em seu embate doutrinário contra divergências tanto externas quanto internas e com as perseguições do Império; 4. O projeto terminou sua rápida jornada vendo a Igreja, com quadros intelectuais sólidos, organizada, hierarquizada, com centros regionais e central de poder, ser levada à condição de religião oficial do Império. O único mérito do projeto foi o esforço de compilação de informações e apresentação de uma longa, complexa e admirável história em 70 curtos capítulos. E agora? O Projeto deixa aqui um desafio: estando O melhor de nós vivo, presente na história que está sendo escrita hoje, como falar dele e de sua mensagem em linguagem adequada ao mundo moderno? Um grande desafio para todas as religiões, que, diante dos problemas que alienam o homem moderno, pretendam ser parte da solução e não parte do problema. A helenização do Cristianismo, que permitiu à Igreja primitiva deixar o contexto bastante estreito de uma única nação e entrar no contexto cultural muito mais vasto do mundo de então, conduziu, paradoxalmente, a uma nova “judaização”do Cristianismo e à fixação, novamente, numa “única língua“; - Nossa linguagem é a estrutura mais importante e mais intrínseca do mundo humano; é um prisma através do qual vemos o mundo. A linguagem do passado é mítica, mitológica, não deixando também de ser poética. Nos últimos séculos, nossa linguagem vem se tornando predominantemente científica. O homem moderno, sem perder a poesia, quer sempre mais explicações racionais claras, comprovadamente empíricas”. (Tomás Halík, em Paciência com Deus; oportunidade para um encontro, p.91ss.). Em virtude da dinâmica interna de uma evolução que também é obra criadora de Deus, o bloco granítico da modernidade desprendeu-se por si mesmo do maciço montanhoso da história humana, golpeando com força os pés de argila da fé medieval da Igreja. A Igreja precisa de uma reforma radical, que afete todos os seus domínios. Tanto em sua mensagem como na forma de apresentar, deve se adequar à realidade moderna. (Roger Lenaers, em Outro cristianismo é possível: a fé em linguagem moderna, São Paulo-Paulus, 2010). Em seu ensaio Felicidade e salvação, o teólogo alemão Gisbert Greshake formulou da seguinte maneira a alternativa diante da qual se encontra o ser humano. Ou a felicidade plena é pura ilusão e o ser humano, empenhado em ser plenamente feliz, é algo absurdo e sem sentido. Ou então a felicidade é dom, plenitude de vida que só se pode chegar com graça a partir daquele que é fonte da vida. A esperança, inspirada pelo O melhor de nós, consiste precisamente em buscar e esperar a plenitude total desta terra. Crer no céu é procurar ser fiel a esta terra até o fim, sem defraudar nem desesperar de nenhum anseio ou aspiração verdadeiramente humanos. Quem não faz nada para mudar este mundo não crê em outro melhor. Quem não trabalha para desterrar a violência não crê numa sociedade fraterna. Quem não luta contra a injustiça não crê num mundo mais justo. Quem não trabalha para libertar o ser humano de suas escravidões não crê num mundo novo e feliz. Quem não faz nada para mudar a terra não crê no céu.
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