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Parte III Texto XXXI O cristianismo no século IV III - As grandes mentes teológicas do Ocidente: o humanismo 2) O humanismo e questões filosóficas da época – sob estes aspectos é extraordinária a contribuição de cada um dos quatro: Ambrósio, João Crisóstomo, Jerônimo e Agostinho. Além destes, destacam-se no século IV: Ário e Atanásio de Alexandria, Cassiano, Dâmaso de Roma, Hilário de Poitier e o grande historiador Eusébio de Cesareia (+ 340), considerado Pai das Enciclopédias e Dicionários. Ambrósio (339-397), filho de um alto funcionário do Império, governador da província de Emília e Ligúria, com sede em Milão, preocupado com a ordem pública, foi a uma reunião na igreja, durante a qual seria escolhido o novo bispo da cidade. Dois grupos se decladiavam: arianos e nicenos. De repente um menino grita: “Ambrósio bispo! Inesperadamente o povo (nicenos e arianos) também começou a gritar: Ambrósio bispo! Ambrósio! Rendendo-se à insistência do povo e à ordem imperial, Ambrósio concordou em ser bispo de Milão. Foi então batizado e em uma semana, ele foi feito, sucessivamente, leitor, exorcista, acólito, subdiácono, diácono e presbítero, Oito dias depois, em 01 de dezembro de 373, ele foi sagrado bispo. Distribuiu sua grande fortuna aos pobres e passou a levar vida ascética, exemplar. Sendo um homem culto, em pouco tempo, tornou-se um dos melhores teólogos da Igreja ocidental. Altivo e popular, Ambrósio soube defender as causas que lhe pareceram justas, inclusive enfrentando o Imperador. Em suas homilias e em seus tratados sobre temas bíblicos e eclesiásticos buscava argumentos tanto em Filon, quanto em Orígenes. Ele mesmo preparava os catecúmenoa para o batismo. Foi ele quem preparou e batizou Agostinho, o qual sobre Ambrósio escreveu: “Comecei a estimá-lo, a princípio, não como mestre da verdade (…), mas como homem bondoso para comigo. Acompanhava assiduamente suas conversas com o povo, não com a intenção que deveria ter, mas para averiguar se sua eloquência merecia a fama de que gozava”... Trecho de um dos sermões de Ambrósio: “Deus ordenou que todas as coisas fossem produzidas, de modo que houvesse comida em comum para todos, e que a terra fosse herança comum de todos. Por isso a natureza produziu um direito comum a todos; mas a avareza fez disso um direito de alguns poucos...” João Crisóstomo (347-407); nasceu em Antioquia, Síria, onde estudou com o famoso orador pagão, Libânio. Aos vinte anos, já advogado, começou o catecumenato que, então, durava tres anos. Resolveu ser monge, mas para agradar sua mãe, montou, com três amigos, um pequeno convento em sua própria cidade. Quando sua mãe morreu, ele foi viver entre os monges nas montanhas da Síria, onde permaneceu por quatro anos aprendendo a disciplina monástica e mais dois em completa solidão. Voltando a Antioquia ele foi ordenado presbítero e começou a pregar. Sua fama se espalhou por toda a igreja de fala grega. Em suas pregações, voltava-se cada vez mais para os problemas da época, procurando iluminá-los com a Palavra de Deus. Nomeado, em 397, bispo de Constantinopla – ou patriarca, pois o bispo desta cidade ostentava este título – ele começou uma profunda e radical mudança, iniciando pelo clero. “Alguns sacerdotes que se diziam celibatários tinham em sua casa mulheres que chamavam de irmãs espirituais. Outros clérigos tinham se tornado ricos e viviam em tanto luxo, como os poderosos civis da grande cidade. As finanças da igreja estavam completamente desorganizadas, e a tarefa pastoral era negligenciada. João coibiu todos os exageros e, dando o próprio exemplo, vendeu os objetos de luxo que havia no palácio do bispo para dar de comer aos pobres. Pela sua pregação firme e eloquente, angariou simpatia e também ódio. Este orador, que ganhou o sobrenome “Crisóstomo “ (boca de ouro), trovejava no púlpito da igreja de Santas Sofia, em Constantinopla: “Esse freio na boca do teu cavalo, este aro de ouro no braço do teu escravo, esses adornos dourados em teus sapatos, são sinal de que estás roubando o órfão e matando de fome a viúva. Depois de morreres, quem passar pela rua dirá: ”Com quantas lágrimas ele construiu esse palácio? Quantos órfãos se viram nus, quantas viúvas injuriadas, quantos operários receberam salários injustos! Assim nem mesmo a morte te livrará dos teus acusadores. A imperatriz Élia Eudóxia fez donativos especiais à igreja. O bispo lhe agradeceu. E continuou pregando como antes. Em 404, João foi desterrado para a Armênia, morrendo em 407, a caminho de um exílio mais distante. (Em 430 seus restos mortais foram levados para Constantinopla e o Imperador Teodósio II, filho de Élia Eudóxia, pediu, publicamente, perdão em nome de seus pais). Jerônimo (347-420): Segundo Gonzáles (op.cit.2, p.155ss), “dos gigantes do quarto século nenhum é tão interessante quanto Jerônimo, ... Por sua luta gigantesca e interminável com o mundo e consigo mesmo. Era orgulhoso, grosseiro e amargo. Aos que se atreviam a criticá-lo eram simplesmente chamados “asnos de duas patas”. Foi o mais erudito dos padres latinos. Nasceu de família abastada da Dalmácia (Iugoslávia). Foi educado em Roma, estudando gramática, retórica e filosofia, dedicando-se especialmente ao estudo de Cícero e Virgílio. No final de seus estudos foi batizado. Em Antioquia estudou lógica de Aristóteles e aprofundou seu conhecimento do grego. Em seguida, viveu três anos no deserto de Cálsis (Palestina) como eremita (375-378), aprendendo o hebraico com um monge de origem judia. Em 379, com 32 anos, foi ordenado presbítero, em Antioquia. Dois anos depois ele participou do Concílio de Constantinopla, onde conheceu os trabalhos que vinham sendo realizados pelos dois Gregórios, de Nissa e de Nazianzo. No ano seguinte, em Roma, tornou-se assessor do papa Dâmaso, por sua qualidade de escrita e pelo seu conhecimento das obras de Orígenes e por sua experiência na espiritualidade monástica. Dois anos depois, com a morte de Dâmaso, Jerônimo se dirigiu a Belém, onde às expensas de Paula, - amiga e colega de estudos em Roma – construiu três mosteiros de mulheres e outro de homens. “Do interior de sua imensa produção literária, emerge um estilo peculiar de espiritualidade, sempre vinculada aos compromissos radicais do Evangelho (Cavalcante, op.cit.p.272). Tendo como fonte a Septuaginta no original hebraico e grego, assim como a versão grega clássica do Antigo Testamento, que remonta ao tempo pre-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerônimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constituiu a chamada “Vulgata”, o texto oficial da igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Conselho de Trento. Depois de recente revisão, permanece até hoje o texto oficial da Igreja de língua latina. Aurélio Agostino (354-430), bispo de Hipona: nasceu na cidade de Tagaste, hoje região da Argélia, filho de um oficial romano do escalão inferior, pagão. Sua mãe, Mônica, era cristã fervorosa. Estudou em uma cidade próxima, Madaura e aos 17 anos transferiu-se para Cartago. Conheceu ali uma mulher com a qual passou a conviver e de quem teve seu único filho, Adeodato. Estudou retórica, disciplina que preparava advogados e servidores públicos. Não satisfeito com apenas falar bem e convincentemente, encaminhou-se para a filosofia, aderindo ao maniqueísmo, que se espalhara pela costa do Mediterrâneo, com a aura de doutrina eminentemente racional. Agostinho ensinou gramática em Tagaste (374), retórica em Cartago (375-383), Roma (384) e em Milão (84-386), onde trabalhou oficialmente como professor. Ali, interessado em retórica e pela fama de bom orador do bispo Ambrósio, começou a ouvir suas pregações. Resistia à conversão, mas rezava, como ele disse posteriormente: “Dá-me castidade e econtinência. Mas não logo. ” Aos 32 anos converteu-se ao cristianismo e juntamente com seu filho Adeodato e um amigo, Alípio, foram batizados por Ambrósio, bispo de Milão. Agostinho registra: “Fomos batizados e desapareceu qualquer preocupação quanto à vida passada”. Os três, juntamente com Mônica, resolveram voltar para a África e, no caminho, em Óstia, a mãe de Agostinho morreu. Chegando a Tagaste, ele escreveu suas primeiras obras cristãs, onde se vê a formação neoplatônica. Tornou-se conhecido como cristão dedicado, professor hábil e líder espiritual de seus companheiros. Quando, em 391, ele foi a Hipona, a comunidade que participava da celebração eucarística, respondendo ao apelo do bispo Valério, indicou Agostinho para presbítero. Foi ordenado padre e quatro anos mais tarde, contra sua vontade, foi feito bispo de Hipona, junto com Valério, que idoso, temia que a cidade perdesse a sede episcopal (Naquele tempo o bispo não podia ser transferido, nem ter dois em uma mesma sede). “Desde 396 brilha em Hipona Agostinho, cujo pensamento e cuja atividade literária pertencem ao patrimônio universal: ao lado do tomismo, o agostinismo é uma das formas originais da filosofia cristã. Esse convertido do prazer e do neoplatonismo, durante seus trinta e quatro anos de episcopado, desenvolve uma atividade que ultrapassa em muito os limites de sua pequena diocese. Suas centenas de sermões tinham por objetivo instruir o povo, mas suas cartas – foram conservadas 276 – endereçavam-se a tudo aquilo que o mundo romano tinha em termos de cabeças pensantes. Os tratados de Agostinho giram em torno daquilo que ele considerava como os três flagelos da época: o maniqueísmo, cujo universo espiritual parecia-lhe caótico; o donatismo, cisma africano provocado pelo bispo Donato, que pretendia excluir os pecadores da Igreja; o pelagianismo, doutrina de um monge bretão, Pelágio, que proclamava a força da vontade do homem em detrimento da graça Duas grandes obras de Agostinho merecem atenção especial: Confissões e Cidade de Deus , onde ele se esforça para mostrar aos pagãos que o cristianismo podia vivificar o mundo novo . “Escritor fino a ponto de atingir a mais elevada poesia – suas Confissões só encontram comparação nos Pensamentos de Pascal – Agostinho se ergue, numa África invadida pelos vândalos e num mundo submerso em trevas, como a consciência viva do Ocidente “ (Pierrard, op.cit. p. 48 ) . Quando Agostinho morreu (430) – o último sobrevivente da “era dos gigantes”- os vândalos estavam sitiando Hipona. Vinte anos antes (410) a capital do Império, Roma, a cidade eterna, tinha sido tomada e saqueada por Alarico e suas tropas godas. “ O mundo está caindo em ruínas, Sim! Mas apesar disso, e para vergonha nossa, nossos pecados continuam existindo e até prosperam. A grande cidade, a capital do Império Romano, foi consumida por um grande incêndio, e em toda terra os romanos vão para o exílio. As igrejas que antigamente foram veneradas agora são montões de pó e cinzas “ (Jerônimo)
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