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Parte III Texto XX Patrística - séculos II e III
Parte II Alguns autores e obras, em ordem cronológica: 1 - Padres Apostólicos Clemente de Roma Bispo de Roma nos anos 88 a 97, foi o terceiro sucessor de Pedro, depois de Lino e Anacleto, sobre os quais nada se sabe de historicamente confiável. A Epístola aos Coríntios de Clemente é a primeira carta cristã, fora do Novo Testamento. Irineu, Bispo de Lyon, afirma que Clemente “viu os apóstolos”, “encontrou-se com eles”. Sua Carta aos Coríntios foi o primeiro exercício do primado romano, depois da morte de Pedro. Nesta carta, escrita em 96, aparece pela primeira vez na literatura cristã a palavra grega laikós, isto é “do povo de Deus”. Os testemunhos de que Clemente teria sido martirizado são tardios, dos séculos IV e VI. Inácio de Antioquia (35-107) Discípulo de João, conheceu o apóstolo Paulo e foi terceiro bispo de Antioquia (70-107), depois de Pedro e Evódio. Foi o primeiro cristão a atribuir à Igreja o adjetivo de “católica”. Preocupado com a unidade e a estrutura eclesiástica da Igreja assume e defende a figura do bispo monárquico. Deixou-nos sete cartas dirigidas às Igrejas de Éfeso, de Magnésia, de Tralli, de Roma, de Filadélfia e Esmina e uma ao bispo Policarpo, de Esmirna. Foi lançado às feras, no Anfiteatro Flávio, em Roma, em 107. Policarpo de Esmirna (69-155) Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Viajou a Roma para tentar convencer Aniceto, bispo de Roma, a celebrar a data da Páscoa em 14 de Nissan, o dia da Pessach judaica, e não no domingo. Puseram-se de acordo sobre vários assuntos, mas não sobre este, mantendo o Oriente e o Ocidente, cada um sua tradição. O Bispo Policarpo, aos 86 anos, foi queimado vivo em Esmirna. Pápias de Hierápolis Nasceu antes do ano 70 e morreu em Esmirna em 155. De suas obras sobreviveram apenas fragmentos, citados por seu conterrâneo Irineu, bispo de Lyon, e pelo historiador Eusébio de Cesareia, que o chama de bispo de Hierápolis (hoje Pamukkale, Turquia). Ele teria sido o primeiro a investigar as origens do cristianismo e a interpretar – uma obra em cinco volumes – os “ditos” (logia) de Jesus, alguns dos quais se encontram nos Evangelhos de Mateus e Lucas. 2 - Outros Padres da Igreja Justino, filósofo e mártir (100-165) Nasceu na antiga Siquém (Samaria), onde, na infância, estudou retórica, poesia e história. Jovem adulto começou a se interessar pela filosofia, dedicando-se especialmente ao estoicismo e platonismo. Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo e ensinou a estudantes em Éfeso e depois em Roma. Ao final de um longo caminho em busca da verdade encontra no projeto divino da criação e da salvação que se realiza em Jesus Cristo, o Logos, isto é, o Verbo eterno, a Razão eterna, a Razão criadora. “Aprendemos que Cristo é o primogênito de Deus e que é o Logos, do qual participa todo o gênero humano. Consequentemente aqueles que viveram antes de Cristo, mas não segundo o Logos, foram maus, inimigos de Cristo? (…) ao contrário, aqueles que viveram e vivem conforme o Logos são cristãos, e não estão sujeitos a medos e perturbações” (Justino, Apologia). Justino fundou uma escola em Roma, onde ensinava, gratuitamente, a nova religião, que ele considerava a verdadeira filosofia. Seu aluno Taciano, sírio, redigiu, por volta de 165, dez anos depois de seu mestre, uma Apologia própria. Voltando para a Síria, a partir de um modelo de seu mestre, elaborou, em língua siríaca, uma harmonia evangélica, o assim chamado Diatessaron, obra só superada no século V pelo “cânon dos quatro evangelhos”. Justino foi decapitado no ano de 165,por ordem do Imperador Marco Aurélio, a quem ele endereçara, em 155, sua obra Apologia. Ele é o mais importante dos Padres apologetas do século II, e teve muita influência na opção da igreja pela filosofia como campo do diálogo religioso. Irineu de Lyon (135/140-203) Nasceu em Esmirna, (hoje Izmir/Turquia) onde frequentou a escola do bispo Policarpo, discípulo do apóstolo João. Esse itinerário de transmissão apostólica da fé em Jesus Cristo vai marcá-lo profundamente. Em 171 Irineu se encontrava em Roma, portador de uma carta do Bispo Potino, de Lyon, ao Papa Eleutério. Esse fato livrou-o de ser martirizado, como foi Potino, que faleceu na prisão, com 90 anos, vítima de maus tratos. Irineu foi eleito, em 175, bispo de Lugdunum, na Gália, hoje Lyon. Sua obra Demonstração da Pregação Apostólica é uma apresentação harmônica e dogmática da doutrina cristã, o mais antigo “catecismo da doutrina cristã”. “Irineu preocupa-se em ilustrar o conceito genuíno de Tradição apostólica, que podemos resumir em três pontos: a) ela é pública, não privada ou secreta; b) é única e, por ser única, gera unidade; c) é espiritual, guiada pelo Espírito Santo (em grego, espírito é pneuma)” (Bento XVI). Na obra Contra os Hereges, possibilitou o desmascaramento do gnosticismo e de seus adeptos no seio da Igreja. “Irineu é considerado o primeiro grande teólogo da Igreja, criador da teologia sistemática; o maior teólogo do século II. O primeiro escritor a falar inequivocamente de um ‘Novo’ Testamento, em paralelo com o Antigo. Para Quasten, Daniélou e outros, a medula, o centro da teologia de Irineu é a redenção. Para uma redenção verdadeira é mister um homem-Deus. Cristo se fez homem para divinizar a humanidade; eis a recapitulação, a restauração e consumação da humanidade e do universo em Cristo” (Cavalcante, op. cit. p. 151) Clemente de Alexandria (150-215) Nasceu em Atenas, viajou pela Itália, Síria e Palestina e fixou-se em Alexandria, a “cidade símbolo daquele fecundo cruzamento entre diferentes culturas, que caracterizou a época helenista”. Convertido por seu patrício Panteno – filósofo estoico, carismático, culto e virtuoso, sucedeu-o na direção da já famosa escola catequética de Alexandria. Foi professor de Orígenes. Durante a perseguição de 202-203, teve que se exilar na Capadócia, onde faleceu. Para o historiador Eusébio de Cesareia, Clemente foi um incomparável mestre da filosofia e, para São Jerônimo, o mais erudito dos Padres da Igreja. É de Clemente a distinção “cristãos simples” e “cristãos gnósticos”, reservada para os espíritos que se dedicam à busca intensa da verdade, uma dimensão que está relacionada ao Logos encarnado, ou seja, ao Jesus terreno, autor de ações concretas. Assim, Clemente estimula os cristãos não à ascese e à renúncia ao mundo, mas a transformar o espírito da cidade pelo exemplo de uma vida guiada pelo amor de Deus e do próximo, e pelo testemunho de um coração livre da escravidão dos bens. Clemente - como um farol de Alexandria – apresenta poeticamente e com entusiasmo a sublimidade da revelação do Logos e o maravilhoso dom da graça divina, que plenifica todos os desejos humanos. Tertuliano (155-220) Nasceu em Cartago e converteu-se ao catolicismo em193, na cidade de Roma, onde exercia a profissão de advogado, desfrutando de uma sólida formação intelectual e jurídica. Convertido, ele volta a Cartago e ali inaugura o latinismo africano autóctone, possibilitando à África uma dianteira sobre Roma. Revelou-se um grande polemista, defendendo e afirmando o cristianismo diante da intelectualidade romana. É de Tertuliano o primeiro comentário do “Pai-nosso” de que se tem notícia. É considerado um mestre da prosa, em latim e grego, prosa de retórico e de polemista. É de Tertuliano a célebre expressão a “alma humana é naturalmente cristã”; propõe a não violência como regra de vida. Seu ideal de vida rígido e sem meias medidas teriam levado Tertuliano a aderir ao montanismo. Hipólito de Roma (170-236) Nasceu por volta do ano 170, provavelmente no Oriente, onde teria sido discípulo de Irineu de Esmirna, bispo de Lyon. Morreu mártir em 236 na Sardenha. Sua produção literária foi enorme, inclusive uma crônica da histórica do mundo até 234, que, infelizmente, pouca coisa foi conservada. Uma de suas obras – Tradição Apostólica – só foi encontrada no século XX. Nessa encontram-se informações muito interessantes: “Seja ordenado bispo aquele que, irrepreensível, tiver sido eleito por todo o povo”. Sobre o catecumenato: “(…) devem ouvir a Palavra três anos antes de serem apresentados para o batismo; seja examinada sua vida, se viveram com dignidade enquanto catecúmenos, se honraram as viúvas, se visitaram os enfermos, se só praticaram boas obras”. Orígenes de Alexandria (185-254) Nasceu de pais cristãos em 185 e veio a falecer em decorrência de torturas cruéis, na cidade de Tiro, provavelmente em 254. Quando tinha 17 anos, durante a perseguição de Sétimo Severo aos cristãos, seu pai foi preso e seu mestre Clemente de Alexandria abandonou a cidade. Orígenes escreveu ao pai encorajando-o a não desanimar do testemunho supremo da fé. Leônidas, seu pai, não renegou a fé e foi decapitado. Quarenta anos mais tarde, quando pregava em Cesareia, Orígenes disse: “Não me é útil ter tido um pai mártir, se não tenho um bom comportamento e não honro a nobreza de minha estirpe, isto é, o martírio de meu pai e o testemunho que o tornou ilustre em Cristo”. Orígenes, para se sustentar, começou a ensinar filosofia, gramática e literatura. A convite do bispo Demétrio, com apenas 18 anos, Orígenes assumiu a instrução aos catecúmenos. O ambiente de formação de Orígenes é o “ambiente helenista de Antioquia, onde, durante séculos, foi se aperfeiçoando a pesquisa filosófica dos doutos pagãos sobre textos literários e dos doutos hebreus sobre os textos bíblicos” (Pierini op. cit. p.11). Ainda como leigo, aceitou o convite de vários bispos da Palestina para pregar em suas Igrejas. Em 232, já como presbítero, fundou uma escola em Cesareia e a dirigiu por cerca de 20 anos. Epifânio assinala que Orígenes escreveu 6.000 obras. Jerônimo, em uma carta, fornece-nos o título de oitocentas. De um total de seiscentas homilias, restam-nos 21 em grego e um número um pouco maior em latim. São trabalhos de crítica textual da bíblia; obras exegéticas (homilias, comentários de caráter científico, com notas filológicas, históricas e etimológicas); escritos apologéticos, entre os quais se destaca a obra Contra Celsum; escritos dogmáticos. A obra Dos Fundamentos, sobre Deus, mundo, liberdade, religião e revelação, é considerada o primeiro sistema de teologia cristã e o primeiro manual de dogma. Entre os escritos de caráter prático destaca-se o estudo científico mais antigo que possuímos sobre a oração cristã, o Pai-nosso. É dele a frase “sendo a alma de Jesus preexistente pode estabelecer a união entre o Logos infinito com o corpo físico de Cristo “. Orígenes, no campo cristão, rivaliza-se com o filósofo Plotino (204-270), no campo pagão e os dois pensadores marcarão os séculos seguintes. Cipriano de Cartago (200/210-258) É provável que tenha nascido em Cartago de família bem posicionada social, econômica e intelectualmente. Depois de uma vida de violência, corrupção e paixões, converte-se em 246 e distribui todas suas riquezas aos pobres. Em 249 é eleito bispo de Cartago por aclamação do povo. Cipriano escreveu inúmeras obras. “Além de se destacar como teólogo, brilhou como pastor homem pragmático, fiel à tradição eclesiástica, lutador inconteste da unidade da Igreja e incansável defensor de um cristianismo equilibrado, evitando os excessos do laxismo e do rigorismo”. Foi o primeiro bispo africano a sofrer martírio, tendo sido decapitado em 258. Suas ênfases teológicas dominam o Ocidente cristão até o aparecimento de santo Agostinho. “Na história do cristianismo antigo, é fundamental a distinção entre os primeiros três séculos e aqueles que se seguiram ao Concílio de Niceia, de 325, o primeiro ecumênico. Quase como um ‘ponto de ligação’ entre os dois períodos, estão a ‘virada constantiniana’ e a paz da Igreja, bem como a figura de Eusébio, bispo de Cesareia na Palestina” (Bento XVI). Eusébio de Cesareia (260-339) É mais provável que tenha nascido em Cesareia, por volta do ano 260, e que tenha se formado na excelente biblioteca local, formada por Orígenes. Por volta de 313, sucedeu Agápio, como bispo de Cesareia Marítima. Eusébio é importante por suas obras apologéticas, exegéticas e doutrinárias. Mais ainda pela sua História Eclesiástica, em dez volumes, onde se propõe refletir e analisar três séculos de cristianismo, até 324, ano em que Constantino foi aclamado único Imperador de Roma, recorrendo para isso a fontes pagãs e cristãs reunidas na biblioteca de Cesareia. Em 325, participou do primeiro Concílio de Niceia, onde se destacou entre os mais de 300 participantes pela sua cultura, fama como escritor e por ter caído nas graças do Imperador Constantino. Escreveu O Credo, texto que foi aprovado e é praticamente o mesmo que é recitado hoje em todas as missas. “Ele foi o representante mais qualificado da cultura cristã de seu tempo, em contextos bastante variados, da teologia à exegese, da história à erudição. Eusébio é conhecido, sobretudo, como o primeiro historiador do cristianismo, mas foi também o maior filólogo da Igreja antiga” (Bento XVI).
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