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Parte III Texto I Fontes primárias não cristãs Um dos leitores do projeto O Melhor de Nós (www.omelhordenos.com.br) perguntou: “Quais as fontes confiáveis provam a existência de Jesus?” A seguir ele afirma: “A bíblia é cheia de contradições em suas páginas e seus fatos não batem com o tempo histórico da humanidade”. Sobre a afirmação, a resposta é simples e curta: de fato a bíblia é cheia de contradições – não apenas no Antigo Testamento, mas também no Novo Testamento – e sua contagem de tempo não tem qualquer pretensão científica. A bíblia é um livro religioso, destinado a objetivos espirituais, religiosos, não um livro de história. Buscar comprovação científica de alguns fatos históricos narrados é ignorar o caráter narrativo e supor um conceito de história inexistente na época. A pergunta do leitor exige uma atenção especial. “Não há judeu mais conhecido de seu tempo que Jesus de Nazaré” - uma afirmação que qualquer historiador moderno assinaria. Contudo é importante estar atento às observações de historiadores modernos: - Mircea Eliade, romeno, especialista em história das religiões afirma :”Não há dúvida de que a pregação de Jesus e talvez até seu nome se teriam perdido no esquecimento sem um episódio singular e incompreensível, exterior à fé : a ressurreição do supliciado”. (Op.cit. p. 295); - Há bastante consenso entre os exegetas que “repetidas afirmações nos evangelhos de que a fama de Jesus se disseminava por amplo territórios e entre muitíssimas pessoas”contém um tanto de exagero. As tradições cristãs primitivas podem ter edulcorado a fama de Jesus seguindo convenções vigentes para outras figuras carismáticas da época” (Bruteau, op. cit. p. 22-23); - John P. Meyer, cujas obras se destacam pelo rigor científico, adverte: “Alguns escritores da época, ao menos, mantiveram contato direto ou indireto com os cristãos; nenhum estivera em contato com o Cristo adorado por esses cristãos. Isto apenas serve para nos lembrar de que Jesus era um judeu marginal, à frente de um movimento marginal, numa província marginal do vasto Império Romano. Seria de admirar que algum judeu ou pagão o tivesse conhecido ou mencionado no primeiro século ou no início do segundo” (Op. cit. p. 64). A primeira e mais importante “testemunha” da vida e atuação de Jesus é o aristocrata, político, militar e historiador judeu Jose Ben Mathias (37 – 100 d.C.), conhecido como Flavio Josefo. Em suas obras “A Guerra dos Judeus” – iniciada nos anos imediatamente seguintes à queda de Jerusalém, em 70d.C. – e “Antiguidades Judaicas” – escrita em Roma por volta de 93/94, Flávio Josefo menciona Jesus. Há bastante consenso entre os historiadores sobre a autenticidade da referência de Flávio Josefo ao apedrejamento em Jerusalém, no ano 62, de Tiago “irmão de Jesus, chamado Cristo”. Sobre seu longo parágrafo sobre Jesus, chamado “Testimonium Flavianum”, há muitas controvérsias. Segundo Pagola, “O testemunho mais importante, depois de suprimidos os retoques acrescentados por copistas cristãos na Idade Média, diz assim: ‘Naquele tempo apareceu Jesus, um homem sábio. Foi autor de feitos admiráveis, mestre de pessoas que recebem com gosto a verdade. E atraiu muitos judeus e muitos de origem grega. E, quando Pilatos, por causa de uma acusação feita pelos homens principais dentre nós, o condenou à cruz, os que antes o haviam amado não deixaram de fazê-lo. E até hoje a tribo dos cristãos, chamados assim por causa dele, não desapareceram’ - Antiguidades Judaicas 18,3,3” (Pagola,op.cit.p.591). Fílon de Alexandria, filósofo-historiador, que morreu por volta de 40-45 e que escreveu sobre o período em que Jesus viveu, não o menciona. Embora alguns dos manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947 e anos seguintes, sejam da época de Jesus não o mencionam. Cronologicamente o primeiro pagão a mencionar os cristãos foi Plínio, no ano 111, em seguida Tácito, em 115, e, então, Suetônio, depois de 122. - Plínio descreve uma situação em 111 d.C.; - Tácito trata do incêndio de Roma em 64 d.C. e confirma que Cristo foi executado na época em que Pilatos ocupava o cargo de Governador da Judeia; - Suetônio, além da perseguição de Nero (64 d.C.) refere-se a um incidente em 49 d.C., que envolveu missionários cristãos, que ao pregar “Cristo”, causaram comoção, provavelmente no bairro judeu de Roma. Os três concordam que o cristianismo era superstição: “depravada, desregrada e contagiosa” (Plínio); “perniciosa” (Tácitus); “nova e maléfica” (Suetônio). “Desses três primeiros pagãos, estranhos aos ambientes cristãos, somente Tácito nos faz um relato sucinto, mas claro, sobre Cristo, seu movimento e sua execução e nos conta como, apesar daquela sentença, o movimento não só continuou, como se expandiu desde a Judeia até a própria Roma” (Crossan, op.cit.p.50). Segundo Pagola, as referências do historiador Tácito (50-120), do escritor Suetônio (por volta de 1230) e de Plínio, o Moço, (61-120) tem um valor documental importante, pois eles são observadores neutros e inclusive hostis ao movimento cristão. Não duvidam, em nenhum momento, da existência de Jesus. Fornecem dele uma imagem esquemática: Jesus é oriundo da Judeia, foi executado sob Tibério pelo Governador Pôncio Pilatos e, no momento em que escreve, é venerado por seus seguidores “como um deus”. Os dados coadunam-se plenamente com o que dizem as fontes cristãs (Op. cit. p. 591). “O silêncio quase total da literatura judaica a respeito de Jesus é muito mais espantoso. Das 15 mil páginas do Talmude, compilação monumental da erudição judaica, apenas 15 mencionam Jesus. O mais frequentemente, culminado em acusações de charlatanismo ou duvidando da ideia do nascimento virginal ao inventar a cópula da Maria com o soldado Pantera, que a teria violentado. A extrema raridade dessas informações denota um efeito de censura, todavia a censura é dupla: os judeus não quiseram citar seu concorrente triunfante e os cristãos não tolerariam que o Talmude mencionasse o nome de seu Senhor”. (Daniel Marguerat, exegeta e historiador protestante, in Bessiere, op. cit. p. 141). Os escritos de Flávio Josefo despertaram grande interesse entre os cristãos, que, desde cedo, começaram a citá-lo e utilizá-lo: Orígenes, Eusébio de Cesareia, Jerônimo e outros. Os cristãos viram em Flávio Josefo um complemento das escritura e principalmente do Novo Testamento. Como os Evangelhos ou os Atos do Apóstolos, Josefo fala de Herodes e seus descendentes, dos procuradores da Judeia, Pôncio Pilados, Félix... Bem mais ainda, fala de João Batista, de Jesus e de Tiago” (Ferreira, op. cit. p. 6). Flávio Josefo e os documentos descobertos em Qumrã são as duas principais fontes de informação sobre o ambiente histórico em que nasceu o cristianismo. Circula pela internet um texto, cujo original estaria na Biblioteca do Vaticano, que comprovaria sua autenticidade. O texto seria uma carta do predecessor de Pilatos como Governador da Judeia, Púbios Leutulus, ao César Augusto Tibério. A carta fala do porte distinto de Jesus, um homem que conhece todas as ciências... E da beleza de sua mãe: “a mais bela das mulheres que vive neste país...”. Tudo muito bonito, mas totalmente falso.
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